Sociedade

SAÚDE PARA POUCOS

Homem em situação de rua morre na calçada após ser retirado de emergência no Rio

Na manhã dessa quinta-feira, um homem em situação de rua morreu em frente a Coordenação de Emergência Regional (CER), na rua Frei Caneca, no Rio, após ter sido removido por funcionários da unidade.

quinta-feira 19 de dezembro de 2019| Edição do dia

Foto: Custódio Coimbra/O Globo

O comerciante Ancelmo Gomes, de 42 anos, cuja loja fica situada em frente ao local onde o homem morreu, relatou à reportagem do jornal O Globo: “Cheguei à loja às 6h30 e vi quando um enfermeiro e uma enfermeira saírem com ele da CER numa cadeira de rodas e o colocarem na calçada. Ele estava se debatendo de dor e vomitava um líquido preto. Quando saí de novo, às 7h20m, ele já estava morto. Nunca tinha visto ele por aqui antes. Foi uma coisa desumana, mas esse é o prefeito que temos.” Bem diferente do slogan da eleição, em que Crivella dizia que iria “cuidar das pessoas”.

Sandro Lucio, proprietário de outra loja que funciona no mesmo endereço, também relatou o que viu: “Por volta de 6h30, eu o vi com vida ainda aqui. Ele estava sentado, de braços abertos e muito inchado, parecia quadro de cirrose. Pedia ajuda - relatou ele. - Não vi hoje, mas já soube que, algumas vezes, de madrugada, o pessoal da CER retira pacientes da unidade e coloca na calçada.” Sandro afirmou que às 08:30, quando retornou à sua loja, o homem já estava morto e havia uma viatura policial no local.

Assim o Estado trata as pessoas em situação de rua que precisam de atendimento médico: como lixo descartável, deixando-as na calçada à sua própria sorte, inclusive para morrer. É o retrato de uma sociedade em que a saúde e os cuidados médicos tornaram-se mercadorias.

A CER se posicionou com uma nota:

"A coordenação médica do CER Centro informa que:
Às 9h desta quinta-feira (19), foi solicitada na unidade ajuda para atendimento a uma pessoa que estaria passando mal na rua. Duas médicas do plantão prontamente foram ao local, na calçada em frente a uma loja de azulejos, vizinha à unidade de saúde. Ao chegarem ao local, as médicas encontraram policiais militares que informaram que o homem, pessoa em situação de rua, já havia sido atendido por bombeiros do Grupamento de Socorro e Emergência (GSE), que constataram o óbito. Os policiais aguardavam no local a chegada do rabecão para remoção do corpo para o IML. Embora não haja relato da equipe de plantão de atendimento do paciente na unidade durante a madrugada, a Coordenação Geral de Emergência do Centro abrirá sindicância para apurar os acontecimentos".

Contudo, os depoimentos mostram o contrário, que a prática de “descartar” pacientes é comum. Vale ressaltar que o corpo do homem que morreu foi removido apenas às 12:40, mais de quatro horas após o óbito, mostrando que, mesmo após a morte, não há preocupação nenhuma por parte do Estado.




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