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UNIÃO EUROPEIA

Hollande e Merkel querem criar uma força militar da UE

“Fazer uma defesa global, realista e crível na UE”. O plano será apresentado sexta-feira no encontro extraordinária do bloco. Caso se aprove, a EU terá forças militares permanentes no exterior.

quarta-feira 14 de setembro| Edição do dia

França e Alemanha já não se contentam em militarizar portas dentro de seus territórios, como agora se propõem em avançar na criação de uma estrutura militar permanente da UE. Apresentarão a proposta esta sexta feira 16 na reunião de Brastilava, ainda que já se fez público o documento de 6 páginas redigido pelos ministros de defesa de ambos os países, que detalha a organização de uma força militar europeia.

No documento indicaram que “é o momento de mostrar nossa solidariedade e de reforçar nossas capacidades de defesa na Europa para proteger de forma efetiva nossas fronteiras e a nossos cidadãos”. Por sua parte, François Hollande acrescentou que “Europa deve valer-se de todas as suas capacidades militares, dos recursos industriais necessários, para construir sua autonomia estratégica”.

Os mandatários planejam construir o quartel general europeu para missões civis e militares a meio prazo, o intercâmbio de fotos de satélite para melhorar a proteção das fronteiras da UE, a formação de um comando médico e logístico comum e a sincronização do financiamento e a planificação militar.

O documento propõe que França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia criariam estruturas militares conjuntas permanentes que atuariam em nome da UE com um centro de planificação e operações que seria sediado em Bruxelas.

Além disso, Merkel e Hollande propõem desenvolver um fundo comum para projetos industriais em áreas como a cibersegurança, os drones ou os satélites. E não é um dado menor que após a saída da Grã Bretanha do bloco, França será o único país da UE com armas nucleares e o único presente no Conselho de Segurança da ONU.

Para o periódico alemão Süddeutsche Zeitung, Alemanha e França solicitam uma cooperação militar mais estreita entre os países europeus, que levaria a um exército europeu. Alguns analistas se perguntam se isso pode ser o início do nascimento de uma força europeia liberada do jugo norte americano, já que poderia atuar sem estar subordinada à OTAN.

Com o Reino Unido fora do bloco europeu depois do brexit, França e Alemanha retomaram este plano de que já haviam dado sinais em várias oportunidades, mas que a partir da influência dos Estados Unidos na UE via Reino Unido, havia mantido em suspenso, ao menos até o momento.

Quando triunfou o brexit, França e Alemanha saíram imediatamente a solicitar a Grã Bretanha que iniciasse o processo de saída o quanto antes possível, e nessa oportunidade Hollande deu claras mostras do que pretendia para seu país: “França possui uma responsabilidade particular porque está no coração da Europa, porque assumiu essa posição e porque a construiu. É um país que tem influência sobre os outros e pode ser garantia do futuro de nosso continente”.

Até o momento, numerosos projetos no terreno da defesa haviam sido suspensos, em razão constantes vetos britânicos. Com o Reino Unido fora, os líderes da UE, Alemanha e França, esperam poder tomar decisões rapidamente no sentido de alcançar a aprovação do documento sem impedimentos na reunião da UE a ser celebrada em dezembro.

França já vem triplicando sua força militar após os atentados sofridos em seu território, como a Alemanha que também reforçou sua militarização interior no último ano. Agora, a intenção é dar um passo a mais criando uma força militar comum do bloco, de maneira a alcançar certa “autonomia” no quesito poderio estratégico, já sem o veto britânico com o auspício norte-americano.

Mais um capítulo do reordenamento geopolítico mundial.




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