Mundo Operário

CRISE POLÍTICA

Greve Geral até derrubar Temer e as reformas e impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana

Contribuição do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) para o debate sobre as saídas para a crise política do Brasil a ser realizado no SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) no dia 07 de julho durante a reunião ordinária do Conselho Diretor de Base.

terça-feira 4 de julho| Edição do dia

Temer e o Congresso estão acelerando a tentativa de aprovar as reformar trabalhista e previdenciária, depois de já terem aprovado a lei que estende sem limites a terceirização, além de outros ataques como a PEC do teto dos gastos públicos. Foi para aplicar os maiores ataques aos nossos direitos em décadas, num ritmo superior ao que o governo do PT se mostrava capaz de fazer, que deram o golpe institucional no ano passado. E só a nossa mobilização pela base pode barra-los.

Isso fica ainda mais claro quando vemos as grandes centrais vacilando e deixando de organizar a luta como a CUT e a CTB, e até falando contra a greve geral e buscando negociar as reformas com o governo, como a Força Sindical. Só poderemos vencer tomando a luta nas nossas mãos, através de assembleias de base e comitês, que nos permitam erguer uma alternativa pela base a essa burocracia e impor a greve geral até derrubar Temer e as reformas.

Ao mesmo tempo, precisamos apontar uma saída própria para a crise política, evitando cair em armadilhas. A CUT e o PT buscam colocar nossa luta a serviço de sua campanha por Diretas Já, à qual grande parte da esquerda aderiu. Mas não é à toa que inclusive parte dos partidos do regime, e figuras como FHC do PSDB e Caiado do DEM, também estão defendendo antecipar as eleições, e alguns inclusive eleições gerais. É que sabem que assim podem recompor o regime, dar de novo legitimidade a ele, pra seguir administrando os planos pra descarregar a crise nas nossas costas.

Mas não podemos também deixar de apontar uma saída dos trabalhadores. Por um lado, somente um governo dos trabalhadores, de ruptura com o capitalismo, poderá dar uma saída de fato para os problemas da classe trabalhadora e de todos os oprimidos e explorados. Por outro, enquanto lutamos por isso, não podemos ignorar que a maioria dos trabalhadores e do povo ainda não aderiu a esse projeto revolucionário, e deseja e se dispõe a lutar por democracia. Esse sentimento é legítimo, e ele não diminui, ao contrário, ele só aumenta, pelo fato de o povo estar tão descrente nas instituições atuais do regime. Ainda mais quando outra parte do regime, apoiada especialmente na Lava-Jato e em parte do judiciário, junto à grande imprensa, como a Globo e o Estadão, que foi parte do golpe institucional do ano passado, passou a considerar que Temer já não serve mais, e busca dar o “golpe dentro do golpe”, substituindo-o através de eleições indiretas, realizadas por esse congresso podre. Frente a isso, justamente pelo desgaste do regime, aumenta o sentimento de defesa da democracia.

E é esse sentimento legítimo que o PT busca sequestrar e colocar a serviço da reeleição de Lula, com sua campanha por Diretas Já. E não podemos deixar que isso aconteça, nem apoiando essa campanha, nem deixando de apontar uma saída nossa, com independência de classe dos trabalhadores, para essa aspiração democrática. Por isso, nós chamamos todos que querem lutar em defesa da democracia a lutar, não por novas eleições pra esse mesmo regime podre, mas para impor, através da greve geral e dos nossos métodos de luta, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com representantes eleitos, onde todo trabalhador, estudante, membro de movimentos sociais, etc., possa se candidatar e que comece barrando as reformas e revertendo os ataques deste e dos últimos governos, mas vá além, para derrubar esse regime, garantindo que todos os eleitos tenham mandatos revogáveis, que ganhem o mesmo que uma professora. Uma Constituinte que também trate todos os problemas estruturais do país, como o desemprego e os salários de miséria, que exproprie sem indenização e sob controle dos trabalhadores as grandes empresas que fechem ou demitam. Que acabe com o pagamento da dívida pública que entrega cerca de metade do orçamento federal para os banqueiros, e garanta direitos como terra, moradia, saúde e educação pública. A classe trabalhadora tem dado somente as primeiras demonstrações da sua força, apesar das centrais. Temos que organizar e ampliar essa força, e não deixar ela ser desviada pra novas eleições que não mudem nada disso.

MRT - Movimento Revolucionário de Trabalhadores




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