Política

A CULPA É DO WITZEL

Governador culpa usuários de drogas por asssassinato de Aghata, morta por policiais

Em coletiva patética, Witzel reafirmou sua política genocida. No Twitter, o governador culpou usuários de drogas pela morte de uma menina de oito anos causada por policiais.

segunda-feira 23 de setembro| Edição do dia

O Governador Wilson Witzel chamou entrevista coletiva, hoje, dia 23 de setembro, para tratar do assassinato de Aghata. A entrevista veio somente 3 dias depois do crime praticado pelo estado. A entrevista coletiva dada por Witzel é uma mostra do cinismo do governador.

Por um lado, quer convencer a população de que está indignado e sofrendo com o assassinato da menina Aghata. Por outro, faz elogios à polícia e a política de segurança, como se não fossem essas a causa de mais uma morte nas favelas cariocas.

Witzel diz em um momento:

“Olhando a minha filha você acha que não choro, pensando na dor de qualquer pai, qualquer mãe que perca [o seu filho]. Eu sou pai, eu tenho meus filhos em casa, eu olho para eles deitados na cama e penso. Amanhã, aquela mãe não vai ter o filho deitado na cama, para poder olhar, para poder acariciar, passar a mão no cabelo. Você acha que que não penso nisso? Não sou um desalmado. Eu sou uma pessoa de sentimento. Eu sou uma pessoa como qualquer um de nós aqui.” E termina suas colocações com: “Agora, não é porque nós temos um fato terrível como esse que vamos parar o Estado."

Ou seja, ele insinua que sente muito e que está abalado, mas que continuará com a maquina do estado de moer corpos negros. Witzel ainda chama a política de segurança pública de satisfatória e culpou o narcotráfico:

"A nossa missão é resgatar o Estado do Rio das mãos do crime organizado. O resultado está aparecendo de forma satisfatória. O narcotráfico utiliza as comunidades como escudo. Atiram em policiais e nas pessoas. O crime organizado tem mantido a barbárie como uma de suas bandeiras. Nós estamos conseguindo combater porque os policiais militares e civis estão trabalhando."

Ainda na entrevista coletiva acusou a oposição de fazer “palanque político” com o fato e, para colocar panos quentes, disse que o caso vai ser investigado:

"Entendi que a melhor forma de agir diante do volume que atingiu o caso nacional e internacional, impactando inclusive em questões políticas que não tem a ver com o fato, como o pacote anti-crime do ministro Sérgio Moro, ou seja, a oposição está fazendo palanque político em cima do fato. E como a situação de desbordou para fazer palanque em cima do fato eu preferi então reunir nosso governo para que nós déssemos uma explicação de Estado. Agora, isso vai ser investigado."

A comoção internacional que tomou conta das redes é simplesmente diminuída pelo governador como um “palanque político” para a oposição.

Toda fala de Witzel é para “tirar o corpo fora” do assassinato, jogar panos quentes, culpar a oposição e a quem for necessário. Sobrou até mesmo para os usuários de entorpecentes. Segundo o governador, em seu malabarismo entorpecido, esses seriam os responsáveis por sua política de atirar indiscriminadamente nas favelas:

A quantidade de crianças assassinadas no Rio de Janeiro somente este ano é assombrosa, segundo dados do “Fogo Cruzado, seriam 16. O número de mortes por intervenção policial no RJ é o maior nos últimos 20 anos. Em julho desse ano, o Centro de estudos de Segurança e Cidadania (CESEC) revelou dados em que o número de operações policiais cresceu 42% em relação ao ano passado. O levantamento também mostra um aumento de 46% no numero de mortes entre março e junho desse ano por policiais na comparação com o ano passado. Em 11 operações da polícia, o helicóptero foi usado como plataforma de tiros.

Lutar por todas as Ághatas

É hora de que nós, trabalhadores e jovens de todo o país nos organizar para que a partir dos sindicatos e organizações do movimento estudantil, movimento negro, de mulheres e direitos humanos tomar em nossas mãos os pedidos desesperados escritos nas cartas de crianças como Agatha: parem de nos matar. Bolsonaro e Witzel já mostraram que vieram para acabar com a vida e o futuro de crianças, da juventude e dos trabalhadores. Precisamos dar um basta na retirada de nossas vidas!




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