RIO DE JANEIRO

Gestão privatista de Witzel em hospital deixa trabalhadores sem salário e pacientes em risco

Trabalhadores e médicos do Hospital Estadual Anchieta (HEAN), localizado no Caju, na Zona Portuária do Rio, estão desde abril sem receber seus salários resultado de problemas nos contratos de administração e repasse de verba para o hospital, que também ocasionou a falta de remédios e equipamentos para atender os pacientes.

sábado 23 de maio| Edição do dia

Como já noticiamos neste diário a situação do Hospital Estadual Anchieta localizado no Caju, na Zona Portuária do Rio, é o retrato do descaso de Witzel frente a pandemia. O hospital que deveria ser retaguarda para atendimento dos casos graves de Covid-19 já vinha sofrendo desde o mês passado com a falta de insumos médicos, equipamentos hospitalares e de proteção individual para os trabalhadores, além de estar atrasando o pagamento de toda sua equipe e que agora com a mudança de administração do hospital sequer sabem se receberão o salário referente ao mês de abril.

Uma das trabalhadoras relata o desespero da equipe diante de tanto descaso e incerteza: “Nós assistimos centenas de pacientes, convivemos com inúmeras mortes, comemoramos altas e choramos com as famílias. Muitos de nós, inclusive, ficamos doentes por contaminação pelo vírus. Muitos assumiram compromissos, gastaram com transporte, pediram demissão de outros empregos ou se desvincularam das empresas anteriores para permanecerem pela atual gestão. E agora estamos desesperados, sem qualquer informação concreta e/ou satisfação. O estado firmou o contrato; portanto, o estado deve ser responsabilizado pelo pagamento dessas pessoas.”

Frente a esta situação de calamidade muitos médicos não estão comparecendo ao trabalho o que poderá acarretar a morte dos pacientes internados. A OS Instituto Diva Alves do Brasil que administrava o hospital teve seu contrato anulado pela secretária estadual de saúde passando a gestão para a Fundação Saúde que afirma que pagará salários apenas a partir de maio.

Em todo esse período a equipe assistencial composta de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, etc., trabalharam sem nenhum contrato de trabalho. Todos, exceto médicos, foram selecionados pela empresa MSERV que iria gerir o contrato e pagamento da equipe assistencial. Alguns trabalhadores teriam a carteira assinada e outros (vigilantes, limpeza, nutrição, maqueiros, etc.) ficariam a cargo de empresas terceirizadas. Todavia, até o momento, nenhum trabalhador teve o contrato de trabalho formalizado, não receberam salário e não há previsão ou certeza se irão receber. A OSS alega que não recebeu o repasse do estado; a Secretária de Saúde do Estado, por sua vez, não se manifestou em nenhum momento sobre o assunto.

Witzel é o responsável pela mortes destes pacientes que deixarão de ser atendidos pelo hospital pela incompetência e descaso de seu governo que não garante os insumos e as condições de trabalho mínimas para que estes profissionais possam cumprir seu papel. Os trabalhadores da saúde tem sido a linha de frente no combate ao coronavírus mas também contra as péssimas condições em hospitais por todo país, arriscando suas vidas para salvar a população enquanto Bolsonaro e os governadores preferem assistir a morte de milhares de brasileiros.

Os trabalhadores são os únicos que poderiam impor uma alternativa a esta situação, garantindo testes massivos, contratação e treinamento de equipes para diminuir a carga de trabalho, garantindo a reconversão da industria para produção de respiradores, insumos hospitalares e equipamentos de proteção. Por isso defendemos a estatização dos serviços privados e centralização dos serviços de saúde, além da efetivação sem concurso público de todos os trabalhadores da saúde para que nossas vidas estejam acima do lucro dos políticos e capitalistas!




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