Política

CAMPINAS

Expulsão, ruptura ou acordo? PCdoB e a prefeitura de Jonas

Na última semana, ganhou destaque nos noticiários de Campinas, o afastamento do PCdoB da base do governo Jonas(PSB).

Chico Nery

Professor da rede pública de Campinas

quinta-feira 24 de novembro| Edição do dia

O governo Jonas, após o fechamento das urnas, anuncia uma série de medidas contra os trabalhadores e o povo. Fechamento de hospitais, de salas de cirurgia no Mário Gatti, parcelamento de salários dos servidores e o confisco da previdência dos funcionários públicos, o CAMPREV. Medidas que só buscavam aprofundar o caminho já trilhado por 4 anos por Jonas Donizette, apoiado e construído junto com o PCdoB: o da privatização e destruição dos serviços públicos. Diante do posicionamento de Gustavo Petta e do PCdoB, de que era “necessário mais tempo para debater o projeto”, são expulsos da base aliada, e com isso, exonerados dezenas de militantes do partido de cargos de confiança.

Longe de uma ruptura e um giro à esquerda do PCdoB, a direção desse partido e seu vereador a todo instante fez questão de frisar, na grande mídia e na redes sociais que “não buscava romper”, que “foram surpreendidos”, que apenas buscavam “mais tempo para analisar o projeto” e que vergonhosamente “deixam o governo fixando o legado de uma administração qualificada e ética, e com respeito à coisa pública”. Orgulhoso da prefeitura que vem desmontando a saúde pública, a educação municipal e que apoiou o golpe institucional, Márcia Quintanilha, presidente municipal da sigla, disse que “a relação será de respeito, até porque o PCdoB foi o segundo partido a declarar apoio à Jonas”.

A ruptura foi uma necessidade do PSB. Diante do escândalo dos cargos comissionados e das decisões do Ministério Público, Jonas optou por concentrar parte dos cortes no aliado mais débil, e rifar assim uma parte importante de comissionados. Isso porque o PCdoB tem do alto ao baixo escalão, dezenas de filiados como comissionados. Carreiristas profissionais que são, aliados de DEM e PSDB ao longo da história da cidade, já são 15 anos ininterruptos da presença da sigla nas diferentes prefeituras da cidade. Referendaram ataques, privatizações, grandes esquemas. Buscaram em Junho desviar a luta a partir de suas figuras da juventude. Qualquer comparação com o PMDB na presidência não é mera coincidência. A opção do PCdoB era seguir com Jonas mesmo com as os ataques, mas o prefeito precisava “cortar na carne”, e com a medida acena para o Ministério Público sobre respeitar parcialmente sua decisão de demitir os comissionados, ganhando tempo para lidar com o restante dos cargos, sem desestabilizar sua bancada hegemônica na Câmara dos vereadores.

Ainda que signifique um impacto importante na base de seus filiados as dezenas de demissões, a ruptura também foi funcional ao PCdoB. Passado a eleição, com Petta sendo eleito puxado como “vereador viável” ao lado de Jonas e dos projetos conjuntos entre ambos, buscarão agora se relocalizar como “lutadores contra o golpe”, e para isso, ao menos em algumas cidades, precisam buscar uma “separação amigável” em vários casamentos com os partidos empresariais e golpistas para buscar “oxigenar” seu projeto político. Mas os lutadores da cidade e do funcionalismo principalmente não tem memória curta: foi uma década e meia de acordos e esquemas corruptos de financiamento privado contra o povo, a juventude e os direitos dos trabalhadores.

Como já anunciaram, longe de se colocar como oposição ao CAMPREV e a prefeitura, irão trilhar um “caminho independente”, afinal, nunca se sabe o que pode ser costurado no dia de amanhã.




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