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Estado de Israel torna a segregação contra palestinos lei

A notícia da nova lei que consagra Israel como “Estado-nação judeu” gerou uma corrente de indignação. É um salto na política de apartheid que está exercendo desde sua conformação e que recrudesceu nos últimos anos.

terça-feira 24 de julho| Edição do dia

A indignação causada por essa lei, que agora legitima o sistema do apartheid que Israel impõe à força, chegou até ao reconhecido músico argentino-israelense Daniel Barenboim, que escreveu uma coluna no diário de Haaretz, uma das maiores tiragens no Estado de Israel, entitulada “Hoje me dá vergonha ser israelense”. Em uma das passagens, Barenboim escreve: “(...)temos agora uma lei que confirma a população árabe como cidadãos de segunda classe. É então uma forma muito clara de apartheid”.

O repúdio que causou esta lei fez com que os principais diários do mundo publicassem o texto do músico, que é conhecido internacionalmente não só por seu talento, mas também por dirigir uma orquestra de excelentes músicos, integrada por jovens palestinos e israelenses.

A União Europeia, através de sua chefe de políticas exteriores, emitiu um comunicado de preocupação pela maior desestabilização na região, que pode provocar a aplicação desta lei. Há de dizer que esta instituição, dirigida por países imperialistas - em que a Alemanha tem o maior peso -, está acostumada somente a emitir comunicados, como quando Israel realizou assassinatos sem resistência na Faixa de Gaza, em maio, contra a marcha realizada por palestinos exigindo seu direito de retorno.

Até o Comitê Judeu Estadunidense (o lobby sionista dos EUA) declarou que essa lei é “desnecessária e que coloca em perigo o equilíbrio entre ser um Estado judeu e ser democrático”. Equilíbrio que nunca existiu, dado que o Estado judeu de Israel por definição não é democrático para aqueles que não são parte do povo judeu. As expulsões, o roubo de território, o encarceramento de menores, as torturas e assassinatos falam por si só.

Essa nova lei votada na madrugada de 19 de julho, com um parlamento - knésset - dividido (a votação foi de 62 a favor, 55 contra e 2 abstenções) deixa expressamente assentado que os únicos com direito à “autodeterminação” são os cidadão de origem judia.

Para o Estado terrorista do Oriente Médio, agora é lei que os palestinos-israelenses sejam cidadãos de segunda (o que já vinha sendo feito). Agora, por exemplo, a única língua oficial será a hebraica, enquanto que o árabe só terá “status especial”.

Na prática, o que já acontecia, sobretudo desde o ano passado, o que o Ministro da Educação israelense Naftali Bennett começou a impor, via resoluções, nas escolas de educação inicial é que se falaria somente o idioma hebreu. Dessa maneira, as crianças de origem árabe acabam falando sua língua natal somente em seus lares. Com essa lei, isso se recrudescerá.

Os palestinos que habitam o interior do Estado de Israel constituem 20% da população. Essa proporção era quase exatamente o contrário (superavam 80% dos habitantes do conjunto dessa região) pouco antes de ser criado em 1948.

A votação não esteve isenta de escândalo, não poderia ser de outra maneira. Os deputados árabes-israelenses protestaram desde suas bancadas e foram retiradas da knésset pelo serviço de segurançabdo parlamento. Uma amostra light do salto d segregação racial que implica essa “Lei básica”.

Mas isso não é tudo, agora também é legal a construção de pequenas cidades nos territórios ocupados. O artigo 7, inciso B, diz: “o estado vê o desenvolvimento das comunidades judias como interesse nacional e dará passos para animar, avançar e implementar esse interesse”. Até agora alguns colonos eram desalojados pelo próprio exército israelense, por ordem da Corte Suprema, quando esta considerava que não tinham uma autorização expressa de autoridades israelenses.

Também consagra Jerusalém como capital do Estado. Lembremos quando Donald Trump mandou a transferência da embaixada norteamericana de Tel Aviv a essa cidade (considerada sagrada pelas 3 religiões monoteístas), isso gerou também uma onda de repúdios e a inauguração da mudança da sede diplomática provocou manifestações por parte do povo palestino, tanto na Cisjordânia, como em Gaza, e foi nesta cidade em que o exército sionista assassinou dezenas de manifestantes.

Os EUA, maior sócio de Israel, agora na “Era Trump”, vem tendo uma ofensiva contra o Irã e, tanto o Estado sionista israelense, como os EUA, entre seus argumentos usa o fato de que o país persa é um estado teocrático, questão que hoje assume legalmente o próprio Israel. Será por isso que todavia não se viu declarações de Trump a respeito?

Na Argentina, o governo de Macri também aponta contra Irã, acusando-o sem provas do atentado à sede da AMIA que ocorreu em 1994 e gosta de falar do “mundo democrático” x as teocracias, que dirá agora sobre o Estado do Oriente Médio?, que inclusive tem o exército mais poderoso da região e conta com armamento nuclear, um direito que todas as potências imperialistas lhe negaram, por exemplo, como o próprio Irã. O governl da Argentina, vale lembrar, vem comprando armamento para a repressão interna do consagrado “Estado Judeu Nacional”.

Um exultante Netanyahu, Primeiro Ministro israelense, que vem tendo problemas internos pelos casos de corrupção que o cerca, declarou assim que votada essa lei racista que: “Esse é nosso idioma. Esse é nosso hino e essa é nossa bandeira. Viva o Estado de Israel”.

Essa nova lei e essas declarações de supremacia racial abriram a porta novamente a outra sangrenta repressão, no dia seguinte à votação, no marco das mobilizações que os palestinos da Faixa de Gaza vem realizando todas as sextas.

Os líderes da Liga Árabe também repudiaram essa Lei, mas colocam um freio, em função de seus próprios interesses, a potencialidade da força que teria a classe trabalhadora das nações árabes mobilizada de conjunto e com seus próprios métodos, com uma greve geral, para se solidarizar e se aliar com o povo palestino, que há 70 anos vem sofrendo um lento genocídio nas mãos do Estado de Israel.




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