Educação

ESQUERDA DIÁRIO IMPRESSO

"Escola sem partido" como mecanismo de criminalização dos professores de esquerda

sexta-feira 19 de agosto| Edição do dia

O projeto de lei "escola sem partido", que não tem nada de imparcial, chamado também de "lei da mordaça", quer censurar o que os professores ensinam em sala de aula. Durante a ditadura militar o método de censura foi muito utilizado para impedir qualquer tipo de oposição aos governos ditatoriais. Hoje o projeto de lei "escola sem partido", se apoia nas camadas mais reacionárias da sociedade, e que se orientam pelos partidos de direita e a mídia golpista.

Esse projeto de lei está longe de se preocupar com a qualidade de ensino, mas sim, se for aprovado, servirá como um mecanismo de criminalização dos professores, principalmente os de humanas, que promovem debates polêmicos em sala. Quem tirou Karl Marx da bibliografia das disciplinas de história, sociologia, filosofia, geografia? Ensinar como funciona a sociedade capitalista, a exploração do homem pelo homem, como é extraído a mais-valia, alienação do trabalho, questões de gênero e raça, aparentemente oferecem uma grande ameaça para a burguesia que alega que os professores doutrinam os alunos.

Ano passado o projeto do PSDB de reorganizar as escolas foi barrado pelos estudantes secundaristas. Esse ano seguindo o exemplo dos secundaristas de São Paulo, os estudantes do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e as ETECs de São Paulo ocuparam escolas contra o escândalo do desvio de verba da merenda. Isso é parte da política das alas mais reacionárias que estão preocupadas em aprovar mais uma lei para tirar a liberdade de cátedra dos professores, como se não bastasse a imposição do uso da apostila, entre outras tarefas abusivas na escola.

No dia dos estudantes, secundaristas se reuniram na Praça Roosevelt, e manifestarem-se contra o projeto de lei "escola sem partido" sendo duramente reprimidos pela polícia que prendeu estudantes e jogou bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes. Sem dúvida há uma política por parte do governo de impedir que os trabalhadores confluam com a juventude, por isso querem começar tentando calar os professores.

Esse projeto é tão rechaçado por alunos e professores, que os governos já estão tendo que recuar com receio de estourar uma nova luta em torno da educação, com uma pauta nacional que pode unificar os professores com os alunos, por isso a comissão de educação da ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo) votou contra o projeto.

No dia 26/08, a APEOESP e SIMPEEM estão chamando assembleia e paralisação. Não podemos aceitar novas assembleias vazias que não aprovam nada, a APEOESP precisa construir em cada unidade escolar a assembleia para chamar um plano de luta, que unifique os setores da educação avançando no combate ao “Escola sem partido”, defender a educação e as condições de trabalho dos professores, mas também levantando políticas que respondam a crise nacional e combata o governo golpistas e suas propostas de ataque que atingirão a todos, como reforma da previdência, privatizações e cortes na saúde e educação. Os professores não vão ser amordaçados!




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