Política

COLAPSO DA SAÚDE NO RIO

Enquanto Witzel e Crivella dão declarações otimistas, Saúde no Rio colapsa

O Rio vive uma situação de colapso nos hospitais. O que se vê nas falas de Witzel e Crivella não é isso. Estão diminuindo a existência da calamidade pública da saúde para que a morte de centenas de cariocas não atrapalhem seus planos políticos próprios.

terça-feira 28 de abril| Edição do dia

Imagem: Rede Globo

O Rio vive uma situação de calamidade pública nos hospitais com gigantescas filas de pacientes que esperam para morrer a espera de leitos de UTI e respiradores. Já são 6 dos 7 hospitais da rede estadual lotados e o Zilda Arns, em Volta Redonda, com duas vagas. 11 médicos mortos e 640 profissionais de saúde afastados por suspeita de coronavírus pela falta de equipamentos básicos nos hospitais. Uma situação desoladora que exige soluções emergenciais.

O que se vê, no entanto, nas falas de Witzel e Crivella não é isso. Estão acintosamente diminuindo a existência da calamidade pública da saúde para que a morte de centenas de cariocas não atrapalhem seus planos políticos próprios. Como se não bastasse o negacionismo absurdo de Bolsonaro, o governador e prefeito do Rio de Janeiro acenam para se não negar, dar declarações completamente contraposta a atual calamidade do sistema de saúde, buscando se localizar politicamente mas não salvar vidas.

O governador diretamente diminui a situação, “dizendo que a situação está sob controle”:

“No estado do Rio de Janeiro, a curva de mortalidade e de contaminação ainda é alta, apesar de estar sob controle. Exatamente por estar sob controle que nós estamos muito preocupados com qualquer reabertura de atividade econômica”, apenas um dia depois dessa declaração, no dia 24 de abril, 376 pessoas esperavam um único leito de UTI.

Já o secretário de saúde do Rio, Edmar Santos por um outro lado, igualmente ruim tem um “sincerícidio”:

“Infelizmente, a rede de atenção básica do nosso Estado é muito ruim, salvo exceções de um município aqui e outro ali. Isso dificulta muito que se possa ter um acompanhamento para dar um alerta àquela pessoa mais humilde de que o quadro está ficando grave, que é preciso ir para um hospital naquele momento.”

Diz isso, como se o problema não fosse com ele e que não fosse de sua responsabilidade atuar para melhorar emergencialmente esse sistema de saúde tão fraco, como reconhece.

Em uma outra oportunidade, o secretário apontou: "Se olhar só para os meus [hospitais], públicos estaduais, eu tenho uma taxa de ocupação que seria na casa de 70%. Ainda temos uma reserva estratégica para lidar com os números e dar tempo dos hospitais de campanha e outras iniciativas possam ficar prontas".

Já Crivella disse que o Rio não tem risco de ’caos’, no mesmo dia em que 90% das UTIs estavam ocupadas em hospital de referência contra coronavírus. Hoje, dia 27 de abril, declarou “que o momento é delicado”, com um tom muito ameno de quem não se importa que o povo esteja morrendo nas filas dos hospitais.

Esse discurso semi-negacionista das autoridades cariocas é frontalmente contraposto com a situação real, que é a de que os hospitais cariocas estão rapidamente chegando a um colapso. O inicio da calamidade nos hospitais cariocas já era alertado por cientistas desde antes e Witzel e Crivella e sua corja decidiram não escutar a ciência, de forma não muito diferente que Bolsonaro.

Pesquisa da universidades federais de Alagoas e do Rio Grande do Norte, divulgado pela BBC, demonstrou por um Modelo matemático que o colapso do sistema de saúde em alguns estados viria a partir de 21 de abril. Já o Instituto de Matemática da UFRJ disponível no Painel Rio Covid -19, em estudo encomendado pela própria prefeitura (não serviu para muita coisa, parece) apontou que o número de casos no Rio de Janeiro poderia dobrar até o dia 29 de abril na cidade.

Ao invés de levar a sério as projeções cientificas e investir pesado para testes rápido nas universidades, estatizar os universidades privadas, as autoridades preferiram esperar materiais da China, que sabe se lá quando virão, a previsão é que somente parte da carga chegue na semana que vem, quando muitos cariocas e fluminenses já terão morrido por conta da super-lotação, e os hospitais de campanha praticamente prontos não abrem apesar do Rio de Janeiro possuir centros de pesquisa de ponta, tecnologia e parque produtivo para que nenhum trabalhador morresse sem tratamento adequado. Somente um único hospital de campanha foi aberto, com apenas 30 dos 200 previstos

Ou seja, estava claro no meio cientifico que essa semana era decisiva para o combate a pandemia no Rio de Janeiro. Ao invés de levar a sério as projeções cientificas e investir pesado para ampliar a capacidade de produzir testes rápido nas universidades, com medidas como estatizar os universidades privadas, que garantem leitos para todos, ou reestruturar o parque produtivo carioca para a pandemia, as autoridades preferiram esperar materiais da China, que sabe se lá quando virão.

A previsão é que somente parte da carga chegue na semana que vem, quando muitos cariocas e fluminenses já terão morrido por conta da super-lotação. Os hospitais de campanha praticamente prontos não abrem apesar do Rio de Janeiro possuir centros de pesquisa de ponta, tecnologia e parque produtivo para que nenhum trabalhador morresse sem tratamento adequado.

De forma tímida, Crivella anunciou que irá alugar 300 leitos privados se ocupação chegar a 100%. Uma medida absolutamente insuficiente e que ignora as necessidades de agora. As pessoas já estão morrendo pela falta de leitos. É urgente, mas diminuindo o tamanho do estrago no discurso e na prática, o prefeito e o governador solapam qualquer possibilidade de que evitar o pior.

No sentido oposto, Witzel está atacando a ciência com um brutal projeto que abre espaço para privatizar tudo o que é público. Ameaça as universidades (UERJ, UEZO e UENF), fundações de incentivo a pesquisa (FAPERJ e Fundação Carlos Chagas) e a cultura (Theatro Municipal e o Museu da Arte e do Som), entre outras empresas.

Witzel e Crivella conscientemente adotaram a longa e espera passiva por respiradores vindos de fora do país, pois não querem reconhecer que as universidades públicas são centros de pesquisa de excelência e demonstram na prática que detestam a ciência assim como Bolsonaro. Não tocam nos hospitais privados pois governam para a propriedade privada e enquanto isso, o povo segue morrendo a espera de medidas emergenciais das quais foi uma escolha consciente não tomar.

O que é necessário é a estatização dos hospitais públicos e centralização do sistema de saúde 100% estatal sob controle dos trabalhadores, testes massivos para a população que dimensione a pandemia em meio a extrema sub-notificação que ronda o estado, mediante investimento público nas universidades e reestruturação de todo o parque produtivo disponível para conter a pandemia.

O que está por trás da minimização da pandemia por parte de Witzel e Crivella, seguindo o negacionismo de Bolsonaro por outros meios, é que sejam os trabalhadores e o povo pobre que paguem pela crise com suas vidas, e também com as demissões que não são contidas por nenhum deles.

Por isso, nós do Esquerda Diário e do MRT levantamos a necessidade premente que seja proibida as demissões, que se taxem as grandes fortunas e o não pagamento da dívida pública. Que os patrões paguem pela crise com seus lucros.




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