Política

INTERVENÇÃO FEDERAL NAS RODOVIAS

Em vários bloqueios manifestantes pedem intervenção militar

Temer acaba de assinar a Garantia de Lei e Ordem (GLO), que permite ao exército atuar nacionalmente como polícia. Mas em alguns bloqueios, o exército chega e se depara com manifestantes que pedem a intervenção militar, um discurso que em nada interessa aos trabalhadores. Entenda porque essa consígna se tornou parte do movimento de caminhoneiros nos últimos dias.

Leticia Parks

São Paulo

sexta-feira 25 de maio| Edição do dia

Nos últimos dias, desde que surgiu o movimento de caminhoneiros, correram nas redes vídeos e fotos que mostravam discursos do movimento bastante distantes de demandas que, de fato, se relacionem com as necessidades dos trabalhadores e da população mais pobre, comprovando um movimento que tem como programa a vontade de suas direções patronais. Essas direções se desnudaram desde o primeiro anúncio do movimento, com patrões de empresas de logística e distribuição levando alimentos no locais de fechamento de rodovias e com declarações públicas de apoio de asquerosas figuras de direita, como Bolsonaro.

A principal reivindicação, por exemplo, a redução do preço do diesel, em nada favorece os trabalhadores, caminhoneiros ou não, por dois motivos: o primeiro porque a grande maioria da população circula utilizando gasolina, tema que sequer foi tocado pelo movimento; o segundo porque, indiretamente, a população já paga pelo combustível pago pelas transportadoras, nos produtos finais que compramos nos supermercados.

Outras demandas foram tratadas como populares, mas são falácia pura: a isenção de impostos (zerar o PIS Cofins) para as transportadoras vai tirar dinheiro da previdência social e de direitos como saúde e educação.

Nada disso significa que os caminhoneiros não teriam demandas próprias, operárias, a colocar na ordem do dia. Mas elas simplesmente não apareceram. A revogação da reforma trabalhista, a exigência de direitos trabalhistas que impeçam as enormes jornadas de trabalho às quais esses trabalhadores são submetidos, a modernização e aprimoramento das vias de circulação a nível nacional, prevenindo acidentes e garantindo a segurança do trabalhador. Não.

Esses são elementos que já comprovam uma enorme contradição dessa mobilização. Mas um em especial chama a atenção. Na quarta-feira, em meio ao frenetismo de confusão e mensagens nas redes e no celular, aparece um vídeo que mostra um caminhoneiro ao lado de uma impressora de onde saíam adesivos "Intervenção Militar Já". Na manhã seguinte, os mesmos adesivos circulavam em uma rodovia no nordeste do país.

Depois de declarada a GLO por Temer, o exército se direcionou a uma refinaria no RJ, onde os caminhoneiros esperavam com faixas onde se dizia: intervenção militar já! As imagens no Facebook ajudam a ilustrar. São muitas as expressões à direita nesse movimento que diz estar defendendo o interesse da população.

Outras imagens e vídeos também mostram a forte expressão desse programa de direita dentro dessa mobilização. No vídeo a seguir, por exemplo, setores da mobilização recebem o exército com o apelo de intervenção militar (!).

Neste próximo, um manifestante explica porque o que estão fazendo "não é greve". "É apenas uma manifestação popular com uma categoria de autônomos". O que o manifestante diz que está sendo escrito nos vidros dos carros de quem pára demonstrando apoio é "Intervenção militar já!".

Neste publicado no G1, o manifestante diz: "queremos algo que seja cabível à nossa classe, pedimos ao presidente e se não for possível apelos ao general Braga Neto por uma intervenção militar."

Para encerrar esse artigo, é preciso dizer. Não há qualquer contato entre uma reivindicação de intervenção militar e os interesses e necessidades dos trabalhadores. A entrada desse discurso em uma mobilização só pode significar o interesse de grupos capitalistas tentando se utilizar do movimento. Eles são os únicos que historicamente se beneficiaram das situações reacionárias das ditaduras. Não só no Brasil mas em outros países da América Latina, África, Europa e Oriente Médio, a entrada em cena do exército como mediador da política nacional significou genocídio e tortura para os lutadores, miséria social e subemprego para as massas.

Um programa verdadeiramente operário preza pelo total oposto. A princípio, exige o fim da repressão a todo e qualquer movimento. Como já dissemos hoje,repudiamos veementemente a intervenção federal e a repressão pelo governo Temer. Além disso, coloca na ordem do dia a redução de valor dos combustíveis, sabendo que isso só é possível com uma Petrobras 100% estatal, administrada pelos trabalhadores e com controle popular.

Sabemos também que com os métodos empregados por essa mobilização, nenhum interesse dos trabalhadores vai vir à tona. Por isso é preciso também que os trabalhadores entrem em cena, tomando a luta nas suas mãos e rechaçando qualquer apoio ou participação patronal, ou seja, atuando como dirigentes de sua própria demanda e de sua própria luta, com a independência de classe capaz de unir todas as fileiras operárias e impor uma greve geral em todo o país, que expulse os acionistas e imperialistas da Petrobrás e a coloque para funcionar a serviço dos interesses dos trabalhadores e do povo pobre.




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