Mundo Operário

CENTRAIS SINDICAIS

Em dia que Bolsonaro apresenta reforma da previdência, centrais sindicais seguem sem plano de luta

No dia de hoje, 20/02, ao mesmo tempo em que Bolsonaro apresentava pro congresso o projeto de Reforma da Previdência, as Centrais Sindicais – com exceção da UGT, que já deixa claro seu interesse em ser base aliada do governo – realizaram um ato na Praça da Sé em São Paulo com alguns milhares de pessoas.

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

quarta-feira 20 de fevereiro| Edição do dia

O ato, composto praticamente por sindicalistas ligados ao aparato das entidades e sem a presença de trabalhadores reais, foi convocado com o nome de Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora. Porém, o espetáculo de quinta organizado pelas burocracias das maiores centrais sindicais do país, não teve nada de assembleia, já que não teve nenhuma participação da base, que sequer foi consultada para poder definir e preparar o que seria esse dia de mobilização, e sequer foi chamada pra opinar nos próximos passos da luta. O ato serviu como palanque para os oradores das grandes centrais se mostrarem domesticados para uma negociação como governo.

É sintomático que, diante do anúncio oficial do conteúdo da reforma da previdência, as centrais sindicais resumiram o dia de hoje a um ato que sequer expressou realmente as lutas que estão acontecendo nesse momento, como a greve dos professores municipais e servidores da prefeitura de São Paulo contra o SAMPAPREV (reforma da previdência municipal). Nem mesmo os principais ataques em curso, como as chantagens da GM e as milhares de demissões na Ford do ABC com a ameaça de fechamento da fábrica. Tudo isso passou longe de se expressar nesse ato convocado pelas centrais. Mas não é por acaso. Essa tática de separar as ações de aparato em que se fazem bravatas e declarações ao léu das principais lutas da classe trabalhadora esta ligado a uma estratégia de demonstrar ao governo que podem ser fiadoras de uma negociação, em que as maiores centrais já afirmaram estarem dispostas a aceitar a reforma da previdência negociando alguns pontos, como a idade mínima e o período de transição.

Como parte dessa mesma estratégia, os partidos por trás dessas centrais sindicais, como o PT, PCdoB , PPS e Solidariedade, abortam os processos de mobilização em curso, como no metrô de São Paulo, em que a CTB – dirigida pelo PCdoB –, majoritária na direção do Sindicato dos Metroviários, traiu a mobilização que seguia em curso para uma greve. Ou então deixam as lutas em curso ocorrerem isoladas, sem organizar uma ampla solidariedade ou um plano de lutas que enfrente Bolsonaro e aponte pra classe trabalhadora de conjunto um caminho pra vencer, como em servidores e professoras municipais que estão tendo seu direito de greve atacado pelo corte de ponto. Ainda mais agora que o TST declarou o corte de ponto no serviço público em greve entendendo a greve não mais como um direito do trabalhador mas como suspensão do contrato de trabalho, seguindo a decisão do STF golpista.

Para o 08 de março, dia Internacional de Luta das Mulheres, ainda como parte dessa mesma estratégia, a burocracia vem separando a luta das mulheres (do povo negro e dos LGBT’s) e a preparação do 08 de março, das batalhas que a classe tem que dar contra Bolsonaro e classe dominante. Sendo que as mulheres tem sido as primeiras a pagar o efeito da crise e serão as principais afetadas pela reforma da previdência, assim como já demonstraram seu potencial de luta e enfrentamento.

Essa política no terreno sindical é complementada pela política de oposição meramente parlamentar do PT (CUT) nacionalmente no Congresso – isso pra não falar de partidos como o PCdoB (CTB), que, por um lado sabotam as lutas e por outro apoiam Rodrigo Maia (DEM) pra presidência da câmara dos Deputados.

No ato foram feitas várias falas reivindicando a unidade das centrais. Desde a burocracia da Força Sindical até setores do PSOL da Intersindical e da Resistência (Frente Povo Sem Medo) e o PSTU (Conlutas), que falaram muito da unidade das centrais sem fazer qualquer crítica a burocracia e o papel traidor que eles vem cumprindo, nem sequer uma exigência séria para que a burocracia apontasse um plano real de luta. Como forma de cobrir pela esquerda sua falta de crítica, falam de maneira folclórica da greve geral, escondendo o fato de que ela só ue só pode ser preparada com uma dura exigência às centrais sindicais para uma frente-única para derrotar essa Reforma e não ajustá-la.

Ao mesmo tempo, o PSOL não coloca seu peso parlamentar com deputados pra potencializar essa exigência à burocracia e obrigar a que eles tenham que responder. Por outro lado, o PSTU, que dirige a Conlutas, segue na sua adaptação aos chamados de unidade das Centrais sem qualquer crítica, além de que, do ponto de vista político, continuam se recusando a combater o golpe institucional que abriu caminho para que a extrema-direita chegasse ao governo e tem seguido com uma política impotente que permite que ataques passem sem qualquer resistência em seus bastiões, como na GM de São José dos Campos.

É necessário batalhar em cada local de trabalho e dentro dos sindicatos e entidades estudantis contra qualquer reforma da previdência e exigir das centrais o fim dessa trégua com o governo e a organização séria de um plano de lutas que passe pela organização dos trabalhadores desde a base, mas em primeiro lugar pra garantir que as lutas em curso sejam vitoriosas. Partindo da greve dos professores e servidores municipais de São Paul, enfrentando o ataque da Ford em demitir milhares de trabalhadores da noite pro dia, é que será possível mostrar um caminho real de resistência e enfrentamento pra derrotar a reforma da previdência de Bolsonaro, Guedes e toda a classe dominante.

MRT leva sua política de exigência às centrais sindicais para que apoiem e construam a greve dos professores e servidores municipais, que estão em greve contra o Sampaprev e sofrem com corte de ponto orquestrado por Bruno Covas.


Trabalhadores do Sindicato da USP em exigência às centrais para que criem um plano de lutas concreto rumo a uma greve geral.




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