Política

JOÃO DORIA

Dória diz que é "prefeito global" depois de sumir de São Paulo entre tantas viagens

sexta-feira 1º de setembro| Edição do dia

FOTO: Dória e a Muralha da China, que não foi privatizada.

A agenda de setembro do prefeito João Doria começou bastante agitada por Paris, onde disse ser um "prefeito global", para justificar a fama de passar mais tempo viajando do que em São Paulo, cidade que governa.

João Doria tem número de viagens que fazem inveja até em mochileiros. Dos sete meses de governo, o prefeito passou 1 dia por semana viajando, sendo 32 dias fora do país (aqui não entra a escapadinha para Porto Rico para comemorar o aniversário de 15 anos da filha).

Só em agosto foram 11 viagens para municipios brasileiros, onde participou de homenagens, entrevistas e encontros com empresários, este último o principal tipo de evento que Doria gosta de participar em suas "andanças" pelo Brasil e outros países.

Na lista de viagens de Doria estão cidades como Fortaleza, Recife, Natal, Palmas, Curitiba, Santo André, Vilha Velha, onde foi recebido por manifestação e precisou entrar pela porta dos fundos na Camara Municipal da cidade, e, claro, Salvador, visita que ficou famosa por ter começado com uma ovada na cabeça de Doria.

Já o passaporte de Doria nestes primeiros meses de mandato foi carimbado para Emirados Árabes, Qatar, Coréia do Sul, Portugal, Itália, Estados Unidos, China, viagem que anunciou em entrevista a Folha de São Paulo que faria para "vender São Paulo", e agora França. Antes de seu embarque para França, João Doria estava em Campina Grande, na Paraíba, para receber o título de "cidadão campinense", para dar entrevistas e mais uma vez cumprir uma agenda com seus amigos empresários.

Entusiasta em dar entrevistas e aparecer na televisão para se promover, Doria falou ao programa Amaury Júnior nessa última quinta-feira, 31, e afirmou ter recebido 96 convites a viagens para fora de São Paulo.

Perguntado sobre como administrava a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo a distância o prefeito disse usar o celular, assim como os empresários fazem com suas empresas e diz usar jatinhos, aviões e helicópteros pessoais para as viagens. Informação que o diretório estadual do PT/SP questionou ao Ministério Público, pedindo que se investigue as viagens de Doria e o uso da estrutura da cidade para financiar também as viagens do Grupo Lide, grupo de Líderes Empresariais, que Doria fundou.

João Doria respondeu a representação que recebeu do MP dizendo que impedi-lo de viajar é ditadura e totalitarismo e que "não há rojões e ovadas" que o façam calar.
As viagens de João Doria têm dois objetivos claros. O primeiro é já iniciar a campanha para presidente em 2018 e o segundo, vender São Paulo pelo menor preço aos seus amigos empresários em geral e de seu grupinho Lide. As privatizações são parte da agenda de governo do prefeito João Doria desde sua campanha em 2016, defendida com o argumento de terminar com a "boquinha dos pestistas", desculpa para precarizar e fazer a cidade padecer ainda mais, arracando de todos os lugares mais e mais lucros para as empresas.

Enquanto viaja vendendo a cidade Doria manda a guarda municipal torturar moradores de rua, proíbe entrega de comida voluntárias nas ruas, raciona a merenda das crianças nas escolas e, com saudade de seus tempos de apresentador do programa de televisão "O Aprendiz" onde usava a famosa frase "você está demitido", Doria agora passou a demitir centenas de professores, deixando os alunos não só sem comida nas escolas, mas também sem aula.

João Doria o prefeito "global" mostra assim seus objetivos em administrar, como ele gosta de dizer, a cidade de São Paulo. "Englobar" na estrutura da cidade seus interesses, que são os mesmos dos políticos dos partidos da ordem, que ele nega fazer parte, precarizar, privatizar, fazer a população padecer e enriquecer seus próprios cofres, partidos e amigos empresários. Em campanha pelo Brasil e pelo mundo João Doria quer mostrar que pode fazer isso em escala nacional.




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