Sociedade

PRIVILÉGIOS

Dinheiro da isenção de templos faz falta para a população

terça-feira 9 de agosto| Edição do dia

A ligação entre estado e religião no Brasil é parte da história da própria construção deste país, onde a laicidade que aparece hoje como um dos princípios na constituição, não é mais do que um objetivo sem respaldo na realidade, como tantas outras coisas escritas nessa mesma constituição.

Pra além da inserção cada vez mais maior das camadas religiosas dentro das estruturas de poder no dia a dia, também ganhou força nos anos do petismo, a chamada "Bancada da Bíblia", no congresso nacional, responsável por todo tipo de retrocesso e reacionarismo contra direitos de LGBT’s e mulheres, por exemplo.

Um exemplo cabal dos privilégios das castas religiosas no Brasil, é a imunidade de impostos para templos que é constitucionalmente prevista desde 1946 e que desobriga as igrejas de pagarem o IPTU de seus normalmente grandes (ou enormes) prédios. Segundo levantamento feito pela Folha de S. Paulo, por ano, a prefeitura da cidade, comandada por Fernando Haddad e que reproduz a linha petista para lidar com as bancadas religiosas, deixa de arrecadar R$ 110 milhões em impostos sobre esses prédios, que além da imunidade, ainda contam também com a isenção do pagamento do mesmo imposto em prédios alugados, um benefício para além do previsto na constituição e, no caso do famoso Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, o montante devido anualmente ultrapassa a soma dos R$ 3 milhões.

O valor que é deixado de se arrecadar custearia a construção de 1 hospital, de duas dezenas de creches, 28 Unidades Básicas de Saúde ou ainda 3 CEUs. Um prejuízo enorme aos interesses da população em detrimento dos privilégios de igrejas amplamente conhecidas pela riqueza de seus proprietários.

A maior quantidade de templos na cidade é da Igreja Católica, desnecessário comentar a riqueza dessa instituição não apenas à nível nacional, mas também mundial, suas ideias e moral são parte do eixo central da construção da lógica capitalista ocidental. As igrejas de origem protestante são igualmente conhecidas pela riqueza de suas principais figuras, como Edir Macedo, Waldomiro Santiago, R.R. Soares e tantos outros que ficaram famosos por transformarem algumas inicialmente pequenas igrejas em grandes negócios. Disseminando reacionarismo enquanto vendem todo tipo de benefício aos seus fiéis de um modo à fazer envergonhar Martinho Luthero, além de dúzias denúncias sobre lavagem de dinheiro para campanha de políticos que destilam seus venenos contra os direitos democráticos.




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