Política

PTS E O COMBATE A EXTREMA DIREITA

Diante do avanço de Bolsonaro e da crise na Argentina: quatro propostas do PTS

O PTS, organização irmã do MRT, na Frente de Esquerda publicou um panfleto com uma série de propostas para as e os lutadores, e a esquerda classista, que distribuirá maciçamente em locais de trabalho e estudo em todo o país. Neste sábado marchamos para a Embaixada e o 24 todos para o Congresso contra o orçamento de ajuste.

terça-feira 16 de outubro| Edição do dia

A ascensão de Bolsonaro no Brasil: um alerta para a classe trabalhadora e a juventude da Argentina e da América Latina

Quem é Jair Bolsonaro e por que temos que enfrentá-lo?

No primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, ganhou um ex-militar ultra-direitista, mais à direita de todos os líderes que existem hoje na América Latina. Ela reivindica a ditadura brasileira, assim como seus métodos de tortura. Desprezam e discriminam as mulheres, pessoas LGTTB, homens e mulheres negras. Pede uma "mão forte" para criminalizar a pobreza. Ele anunciou que, se vencer na segunda rodada, seu gabinete estará cheio de banqueiros, latifundiários e ex-militares. Quer avançar através do autoritarismo, a repressão e da restrição de todas as liberdades democráticas, com privatizações, abertura da economia e um programa neoliberal de ataques aos direitos do povo brasileiro.

Sua vitória eleitoral no primeiro turno não caiu do céu. O direito de decidir do povo brasileiro foi roubado. Lula, que era o favorito nas pesquisas, foi arbitrariamente preso e seu direito de concorrer às eleições foi vetado. Mais de três milhões de pessoas foram impedidas de votar. Tudo isso foi apenas a continuidade do golpe institucional contra Dilma Rousseff em 2016, quando ela foi demitida para abrir o caminho para um governo mais favorável ao imperialismo. As denúncias de corrupção visavam sempre apenas um lado, o PT, demonstrando que não se buscava justiça, mas sim manipular as eleições, que acabavam sendo protegidas pelas Forças Armadas e pelo Poder Judiciário.

Desde o PTS-Frente de Izquierda e de nossa organização irmã no Brasil, o Movimento Revolucionário de Trabalhadores, não apoiamos o PT. Sabemos que foi esse partido que facilitou o avanço para a direita. Primeiro aplicando planos de ajuste quando era governo. Depois, recusando-se a mobilizar milhões de trabalhadores nas ruas para enfrentar o golpe e a proscrição contra Lula. A lição do Brasil é que confiar nas eleições ou recursos judiciais, como o PT fez, não serve para enfrentar o direito. O que não se ganha com a luta de classes hoje, enfraquece-nos amanhã, já que não pode ser mudado depois magicamente com algumas táticas eleitorais. Salvando as distâncias, é também o que o Kirchnerismo faz na Argentina esperando por 2019.

Mesmo apesar de nossas divergências com o PT, para o segundo turno chamamos a votar criticamente Haddad, seu candidato, já que compartilhamos com grande parte do povo brasileiro a necessidade de derrotar Bolsonaro. Mas o fazemos sabendo que apenas derrotaremos o avanço do autoritarismo de direita através da luta de classes e um programa para a crise ser paga pelos capitalistas. É por isso que no Brasil, nossos colegas da MRT também estão promovendo comitês de ação contra o Bolsonaro em todos os locais de trabalho e estudo, para organizar a luta desde as bases e também exigir medidas de luta das centrais sindicais.

Por sua vez, em nosso país, nessas semanas vamos acompanhar essa luta com uma forte campanha internacionalista para apoiar essa luta do povo brasileiro.

Neste sábado, dia 20 de outubro, às 15 horas, marcharemos até a Embaixada do Brasil junto à Frente de Esquerda e outras organizações políticas e sindicais.

Na Argentina: quatro propostas para enfrentar os ataques de Macri, o FMI e os governadores

Se Bolsonaro triunfar, Macri e o FMI se sentirão mais encorajados a continuar seus ataques. Contra eles, é necessário fortalecer, desde agora, as organizações de luta dos trabalhadores, das mulheres e dos jovens, bem como dar passos firmes na construção de um grande partido operário, com um programa de crise a ser pago pelos capitalistas.

1) O Orçamento de Ajustamento não pode passar: ao 24 paralisação e mobilização para o Congresso quando forem votar

Nas próximas semanas, o orçamento de ajuste de 2019 que o Governo acordou com o FMI será discutido no Congresso Nacional. É um ajuste brutal contra os trabalhadores em saúde, educação, habitação e salários, enquanto quase US $ 600.000 milhões serão destinados ao pagamento da dívida aos especuladores. O macrismo propõe aprovar este novo saque com votos de setores do peronismo. As condições de vida de milhões estão em jogo. Diferentes sindicatos começaram a pedir paralisações e mobilização para esse dia. Mas a CGT permanece em silêncio. É necessário exigir paralisação e mobilização nacional nesse dia, cercar de centenas e milhares de pessoas o Congresso Nacional e impedir que sigam nos saqueando!

2) Por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana e pelo não pagamento da dívida aos especuladores!

O governo e os setores do peronismo fazem pactos nas costas dos trabalhadores, violando os mandatos para os quais foram eleitos. Quem votou que o plano econômico seja feito pelo FMI? Desde o PTS-Frente de Izquierda, que luta pelo Governo dos Trabalhadores, hoje fazemos uma proposta de emergência: lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, na qual a vontade popular seja verdadeiramente expressa. Com um representante a cada 20.000 eleitores, e que seja um órgão sem restrições ou limites de qualquer tipo para decidir medidas diante da crise.

Nessa Assembleia Constituinte, contra o plano de Macri e o FMI, nós levantamos a necessidade de um programa de emergência para a crise ser paga pelos capitalistas. Entre as medidas fundamentais, está o não pagamento da dívida pública. Essa dívida, que teve um grande salto durante a ditadura militar, é ilegal, ilegítima e fraudulenta. Esses recursos devem ser destinados ao trabalho, saúde, moradia e educação. Como parte de outras medidas essenciais, como acabar com a privatização através de sua nacionalização sob a gestão de trabalhadores e usuários populares; expropriar os grandes proprietários de terra; a nacionalização dos bancos; o monopólio estatal do comércio exterior; direito ao aborto legal, seguro e gratuito; separação da Igreja do Estado.

3) Coordenadorias de luta para vencer todas as batalhas

Enquanto as lideranças sindicais estão em uma trégua que mal escondem com uma medida isolada de tempos em tempos, por outro lado existem setores que dão lutas importantes. No movimento operário, os trabalhadores do Estaleiro Rio Santiago, os do Hospital Posadas, Telam ou os mineiros do Rio Turbio, dão grandes exemplos. É necessário cercar cada uma destas lutas, para que nenhuma seja isolada: coordenadorias da solidariedade para ganharem, com o apoio do movimento de mulheres e jovens que este ano também deu grandes batalhas, de corpos de delegados combativos, centros estudantis. Além disso, a partir dessas coordenadorias, será possível exigir com mais vigor as centrais sindicais que ponham fim à trégua e convoquem um plano de luta na perspectiva de uma greve geral ativa para derrotar o ajuste.

4) Para um partido unificado da esquerda, dos trabalhadores e socialista

No ato que o PTS realizou em 6 de outubro no Argentinos Juniors e simultaneamente em outras cidades do país, Nicolás del Caño fez uma proposta importante: abrir a discussão para a construção de um grande partido unificado da esquerda classista, com a força e o programa necessário para que a crise seja paga pelos capitalistas. Um apelo aos camaradas do Partido Operário e Esquerda Socialista com os quais integramos a Frente de Esquerda e a todas as organizações da esquerda operária e socialista, mas também aos milhares e milhares de trabalhadores que enfrentam seriamente o ajuste; as centenas de milhares que apoiam a Frente de Esquerda; para os setores da esquerda do movimento de mulheres e jovens.

Porque sabemos que Macri e o FMI atacam, mas eles não fazem isso sozinhos. Sem o peronismo nas províncias que governa e no Congresso onde votam as leis, não haveria plano de ajuste. Tão pouco sem as centrais sindicais que lhe oferecem trégua. Kirchnerism fala contra Macri, mas permite ataques nos sindicatos onde ele dirige, e nos chama a esperar até 2019 enquanto a inflação e demissões avançam. Além disso, qualquer setor do peronismo, no caso de vencer as eleições de 2019, continuará a aplicar o ajuste, já que não estão dispostos a deslegitimar a dívida pública nem a tomar as medidas necessárias para que a crise seja paga pelos capitalistas.

Por isso necessitamos de outra ferramenta. A situação no Brasil e em toda a América Latina levanta a necessidade e a urgência de avançar na construção de um partido que conte com a força, com a estratégia e o programa para vencer, e que não volte a recair em um novo saque histórico sobre o povo trabalhador.

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