Política

A "JUSTIÇA" MOSTRA SEU ROSTO RACISTA MAIS UMA VEZ

Desembargadora que recebe R$ 54 mil acusa Marielle de ser ligada a Comando Vermelho

Fernando Pardal

@fepardal

sábado 17 de março| Edição do dia

Marilia Castro Neves, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tem um longo currículo de reacionarismo e de serviços prestados aos capitalistas. Diz ser grande fã de Sergio Moro, a quem classifica como um "juiz templário". Critica a Associação de Juízes pela Democracia (AJD), a quem atribui uma "orientação marxista". Destila reacionarismo e senso comum por todos os poros e não faz questão de esconder isso em seu perfil de Facebook, que contém várias postagens abertas ao público. Entre elas, uma de janeiro de 2017 contém um link para um artigo e o seguinte comentário: "Excelente e aprofundado estudo que o autor, um advogado, fez sobre as relações íntimas que a esquerda mantém com o Crime Organizado. Leitura obrigatória para os que se dizem ’esquerda moderada’, porque podem ser confundidos com "criminosos moderados".

A absurda postagem referente a Marielle estava, também, aberta ao público, mas após ter sido amplamente divulgada foi ocultada. O seu conteúdo pode ser visto abaixo:

Após ser criticada massivamente por esse texto absurdo, ela "se explicou" à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Disse que se expressou como uma "cidadã", e ainda "Eu postei informações que li no texto de uma amiga". Não bastando, a desembargadora disse: “A minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela. Outro dia uma médica morreu na Linha Amarela e não houve essa comoção. E ela também lutava, trabalhava, salvava vidas”.

O racismo exala em cada palavra dessa mulher, cujos privilégios são um termômetro para avaliarmos suas posições reacionárias. Ela recebe, como mostra o print abaixo, um salário líquido de R$ 54.417,52.

Do alto desse salário, é uma alta representante do judiciário brasileiro, expressando sua face racista e reacionária, a serviço de manter as cadeias lotadas de negros e as fortunas dos capitalistas intocadas. Demonstração disso é sua atuação em 2014, quando foi responsável por soltar o chefe do esquema conhecido como "máfia dos ingressos", Raymond Whelan, como relembrou matéria do DCM. Com o Habeas Corpus de Castro Neves, o mandante do esquema pôde escapar e fugir da prisão preventiva.

Essa é a cara da justiça, e não à toa ela calunia livremente e fala os absurdos mais escandalosos sobre Marielle Franco impunemente. Seguiremos nas ruas lutando não apenas contra as barbáries policiais, mas contra o judiciário que as legitima, acoberta e que segue cometendo seus crimes racistas, como a prisão de Rafael Braga.




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