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ELEIÇÕES 2018

Debate na FSP-USP reúne candidatos ao governo do Estado de SP para falar sobre saúde

Na terça-feira a Associação Paulista de Saúde Pública (APSP) junto da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) realizou o debate entre os candidatos a governadores de São Paulo para que estes apresentassem suas propostas para a saúde pública do estado.

Rafaella Lafraia

São Paulo

Rodrigo Leon

@RodHeel

quarta-feira 19 de setembro| Edição do dia

Na última terça-feira, 18, aconteceu o debate entre os candidatos a governo do Estado de São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). A Associação Paulista de Saúde Pública (APSP) convidou todos os 12 candidatos a participarem do debate, no qual tinha como intuito a exposição das propostas para a Saúde Pública.

Apesar de todos serem convidados, estavam somente os candidatos Major Costa e Silva (DC), Maurício Costa (representante de Lisete, vice candidato pelo PSOL), Arthur Chioro (representante de Luiz Marinho, da coligação PT/PCdoB), Marcelo Candido (PDT) e Toninho Ferreira (PSTU).

A ausência dos candidatos João Dória e Marcio França já é um motivo a ser ressaltado, considerando que ambos estão concorrendo ao governo e estão liderando as pesquisas de intenção de voto. Em especial Dória, que deixou a prefeitura de São Paulo para realizar sua campanha eleitoral. Além disso, ambos optaram por não passarem pelos questionamentos do eleitorado em temática específica, já que realizaram duros ataques a saúde enquanto continuam propiciando lucros aos empresários da área. Dória, por exemplo, em debate eleitoral falou que iria priorizar a saúde no estado, mas, em quando esteve como prefeito tentou fechar diversas Assistências Medicas Ambulatoriais (AMA´s). Já Márcio França, governador em função, continua impedindo o investimento da verba aprovada para o Hospital Universitário da USP (HU-USP), o qual possui diversos atendimentos com portas fechadas e em condições precárias de trabalho.

Todos os candidatos presentes tiveram tempo para se apresentar e responder os pontos apresentados pela ASPS sobre a saúde no estado. Mas nos ateremos em alguns pontos apresentados por alguns candidatos. Caso tenham interesse em ver na integra clique aqui.

O candidato Major Costa e Silva (DC), se apresentou como oficial do exército e que em sua função foi chefe da atividade sanitária. Relatou que não era um político e que não via diferenças entre a população, já que para este todos são brasileiros por igual e que, portanto, trata a população como alvo de ação – ponto que já mostra como as forças armadas estão, cada vez mais, intervindo na política do país para a manutenção das desigualdades. No decorrer dos minutos de sua fala deixou claro que nada entende de saúde, passando por cima de diversos pontos de relevância, mas reforçando sua atitude impositiva, pois fez questão de colocar que a questão de saúde está relacionada com a educação e que, portanto, há necessidade de intervenção desde tal. O que o Major não falou, é que sua presença enquanto candidato das forças armadas escancara uma politica contra os trabalhadores, que, não só fortalece suas posições junto aos golpistas como um setor que apoiou a subida de Temer ao poder (que o próprio PT abriu caminho), mas também alimenta a arbitrariedade da decisão do judiciário em manter um candidato preso como é o caso de Lula, limitando e manipulando nessas eleições históricas do país quem deve, ou não participar enquanto candidato.

Outra fala que destacamos é a do Arthur Chioro, que foi representando o candidato Luiz Marinho, da coligação PT/PCdoB. Ele inicia sua fala com os dizeres de Lula livre e Marielle vive, mas é necessário colocar que nos governos petistas, no âmbito federal, fortaleceu as forças armadas aprovando leis de intervenções e maior repressão (como a lei antiterrorismo e o envio de tripas ao Haiti) o que, juntamente com a frear da classe trabalhadora e da juventude no combate ao golpe institucional e na prisão arbitrária de Lula, abriu brechas para que o governo golpista aplicasse ataques ainda mais duros do que o governo petista.

No decorrer de sua fala colocou que é necessário o crescimento do país e taxação da fortuna no âmbito nacional, mas também sabemos que é demagogia. Em seguida apresentou 13 compromissos para plano estadual de Saúde. Estes compromissos colocados realmente dialogam com os anseios dos profissionais de saúde e da classe trabalhadora de conjunto, mas em nenhum momento apresentou como realmente serão realizados, pois sabemos que é necessário um combate tão profundo para que este plano seja colocado de pé, o que fica evidente que não será feito já que nem mobilizar suas foças para combater as manipulações do judiciário nas eleições eles o fizeram.

Foi importante a realização do debate para que as pessoas possam, de forma mais próxima, ver as propostas dos candidatos a governador do Estado de São Paulo. Na conjuntura eleitoral que vivemos - a qual o que prioriza para a população é a disputa presidenciável - é importante verificar também as propostas dos candidatos ao governo. Mas nada está descolado, já que são os mesmos partidos que disputam estes cargos nos diferentes âmbitos do poder executivo e que, portanto, as políticas apresentadas são uma continuidade.

Com isso, é importante notar que as principais questões do país, ressaltando aqui a saúde, é colocada como uma variável mágica de governo para se resolver, passando longe da discussão sobre a polarização de forças entre a direita e o Petismo no pais, onde candidatos são barrados de concorrer as eleições por juízes que não são eleitos por ninguém, manipulando assim a mínima participação dos trabalhadores e trabalhadoras do pais nas eleições.




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