Política

CORONEL FALA ABSURDOS SOBRE MARIELLE E DEFENDE A POLÍCIA

Coronel da PM explicita seu racismo e diz que Marielle não representa “cidadãos de bem”

O Coronel da PM do Paraná, Washington Lee Abe, divulgou texto em que questiona a comoção pela morte de Marielle e demonstra o racismo e o reacionarismo inerente à polícia. Veja na íntegra o seu pronunciamento.

sexta-feira 16 de março| Edição do dia

Washington Lee Abe é Comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar do Paraná, e nessa sexta-feira ele demonstrou sem meias palavras o que pensa um representante da polícia do mais alto escalão sobre a brutal execução de Marielle Franco, com fortes indícios de envolvimento de policiais e que utilizou o mesmo carregamento de munição de uma das maiores chacinas de São Paulo.

Na imaginação do Coronel, “o mundo inteiro respeita a polícia”, ao contrário do que vimos nos massivos atos de dezenas de milhares ontem nas ruas do Brasil, questionando a violência policial e a intervenção federal de Temer com os militares no Rio de Janeiro. O seu ódio é pela “tentativa de transformar essa vereadora em mártir”, justamente porque ela foi executada por suas posições contrárias às mortes e violações praticadas cotidianamente pela polícia e o exército nos morros cariocas.

Marielle é, sim, nosso símbolo de luta e resistência contra a barbárie do Estado por meio de seus policiais e soldados que matam nos morros. Lee Abe diz, “Ela representa o povo? Que povo? Qual segmento do povo? Do cidadão de bem?”. Seu racismo é explícito, pois para ele, Marielle, que era uma mulher negra da Maré, lutadora dos direitos dessa população contra a barbárie policial, não era uma “cidadã de bem”, como para a polícia os negros são o “suspeito padrão”, que devem ser presos e alvejados em nome de proteger “cidadãos de bem”.

O Coronel ainda debocha dos escandalosos números de negros assassinados pela polícia, dizendo ironicamente que “Nós, PM, saímos pelas ruas escolhendo 30% de negros e pobres para matar (hahaha).” Ainda se refere a Marielle como uma “pessoa”, assim mesmo, entre aspas, deixando mais uma vez patente seu racismo abjeto.

É exatamente contra esse tipo de gente que Marielle lutou, contra essa barbárie policial. Agora, quando fica a cada segundo mais claro que sua morte foi uma execução política praticada pelos que queriam silenciar uma voz que denunciava a polícia e a intervenção federal, temos que ser cada vez mais firmes em nossa luta contra essas instituições, pois o problema aqui não é meramente Lee Abe, mas tudo o que ele representa por meio de seu posto, de sua farda, de sua voz. Não é possível que a mesma polícia que tudo indica estar por trás do assassinato de Marielle seja a que vai investigar e apurar sua própria responsabilidade. Tomemos as ruas e lutemos por uma apuração independente, feita por sindicatos, entidades de direitos humanos e órgãos que possam apurar quem de fato matou Marielle Franco.
Seguiremos em luta incomodando os coronéis.

Veja na íntegra a carta do Coronel Washington Lee Abe:

Por que o mundo inteiro respeita a Polícia? Por que o mundo inteiro precisa da Polícia? Não existe governo, não existe judiciário em nenhum lugar do mundo sem uma polícia. Por que tanta tentativa de transformar essa vereadora em mártir? Ela representa o povo? Que povo? Qual segmento do povo? Do cidadão de bem?

A Polícia Militar, responsável pela morte de negros e pobres na ordem de 30% no País (segundo a vereadora) é morta por quem? Pelo cidadão de bem? Nós, PM, saímos pelas ruas escolhendo 30% de negros e pobres para matar (hahaha). Quando atingimos a nossa quota diária, vamos completar nossa meta matando brancos, asiáticos e tudo o mais que aparecer na nossa frente. É assim que funciona? E quando morrermos em combate, tentando salvar uma vida inocente que clama pela nossa presença, vamos aguardar pacientemente os políticos, a imprensa, autoridades que estão fazendo todo esse alarde pela morte dessa “pessoa” intitulada vereadora, promotora dos direitos humanos, mãe, homossexual (como ela mesma se apresenta) fazerem também o mesmo alarde exigindo respostas rápidas e firmes das autoridades? O mais incrível é declararem em coro que os matadores “sabiam atirar”, insinuando serem Policiais.

Nós, Policiais, temos uma missão muito maior do que essa mesquinharia. Somos muito mais do que “isso”. Somos a Polícia!




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