Política

PARALISAÇÃO ATIVA NO DIA 29 DE MAIO

Construir na base para expressar a força real dos trabalhadores

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo, do Sintusp

sábado 16 de maio de 2015| Edição do dia

Para o próximo dia 29 foi convocada uma paralisação nacional pelas centrais sindicais CSP-Conlutas, UGT, CUT, CGTB, Intersindical – CCT, CTB e Nova Central.

A Força Sindical está debatendo a adesão a este dia. Como eixos para a paralisação estão a luta contra o conjunto dos ajustes fiscais, as MPs 664 e 665 e também contra o PL 4330, que amplia a terceirização. Para além destes pontos de acordo, centrais sindicais governistas, como a CUT colocam como eixo também a luta “em defesa dos direitos e da democracia”, este último ponto para remarcar de forma indireta a defesa do governo Dilma frente ao fortalecimento da oposição de direita luta contra a oposição de direita e desta forma defender o governo Dilma.

A necessidade de derrubar essas leis, por um lado, demonstram a total falência de qualquer sentido progressista no governo do PT, pois hoje nada mais é que o governo do ajuste contra os trabalhadores, ou seja, um governo que atua sistematicamente para retirar nossos direitos.

Além de aumentar impostos, aumentar a luz, a água, a gasolina, cortar verbas para educação, saúde e outros direitos, o governo propôs (já tendo sido aprovada uma delas) as Medidas Provisórias 664 e 665 (MPs), que entre outros importantes ataques ampliou o tempo de trabalho necessário nas empresas para os trabalhadores receberam o seguro-desemprego, o que numa economia que caminha para a recessão vai fazer uma parte (a mais precarizada) dos trabalhadores terem mais dificuldade para a obtenção desse subsídio.

De outro lado, o Projeto de Lei 4330, aprovado recentemente na Câmara, que regulamenta e amplia a terceirização, é um enorme avanço para os capitalistas e empresários que querem precarizar o trabalho, fragmentar a classe trabalhadora, reduzir os custos salariais e buscar impedir a organização sindical. Tudo isso feito em pleno governo Dilma do PT, o que exige uma resposta à altura do conjunto da classe trabalhadora.

Uma política independente em meio à paralisação

Se achamos que todos os trabalhadores devem paralisar e assumir com tudo a luta contra os ajustes, as MPs e a terceirização, também achamos que devemos aproveitar esse dia para alertar os limites do movimento com centrais sindicais que não defendem os direitos dos trabalhadores, mas negociam de acordo com seus interesses: são as burocracias sindicais, que estiveram à frente de frear as principais mobilizações dos trabalhadores desde sua grande onda de greves no ano passado.

As inúmeras greves que já ocorreram esse ano (Volkswagen, GM, professores etc.), o forte descontentamento que se expressa nos locais de trabalho, nas pesquisas de opinião e nas adesões às mobilizações parciais convocadas pelas centrais, demonstram que seria possível construir um forte movimento nacional para unificar todas as lutas em curso e dirigi-las contra o governo federal para verdadeiramente derrubar as leis que retiram os direitos dos trabalhadores. Isso ainda não foi feito porque a CUT busca utilizar essas jornadas nacionais de luta como a do dia 15 de abril e a que haverá no dia 29 de maio para liberar a pressão das bases e cobrir-se pela esquerda, mas contendo o movimento em marcos que não ameaçam o governo Dilma. Por isso essas jornadas nacionais de luta não contam com verdadeiras greves nos principais bastiões operários dirigidos pela burocracia, nem tampouco com assembleias de base que preparem uma luta séria.

Ou seja, devemos atuar juntos no dia da paralisação (para golpear juntos contra os ataques e ajustes), mas paralisar, fazer panfletagens, atos etc. com nossas bandeiras, denunciando o governo federal, os políticos patronais e seus interesses, mas também defendendo um plano para a continuidade da luta, apontando para cada trabalhador que essas burocracias não vão fazer isso porque foram coniventes durante mais de uma década com todo o processo de precarização e terceirização do trabalho. Essas burocracias impõem um beco sem saída ao movimento, pois sem coordenação real, sem assembleias dos trabalhadores e preparação na base dos sindicatos, com uma política concreta pra organizar os setores precários, não haverá uma verdadeira ação política da nossa classe que poderá fazer frente a esses ataques, e devemos sempre colocar que com a direção das grandes centrais nossa luta não poderá avançar nesse sentido.

Construir uma terceira força independente do governo

Neste dia será muito importante a ação da CSP-Conlutas, principal central sindical anti-governista que está convocando o dia 29 de maio. De um ponto de vista é fundamental redobrar os esforços na construção desde a base, levando a frente por exemplo a resolução do Congresso dos Trabalhadores da USP que votou lutar por um plano de construção efetiva das paralisações nacionais construindo encontros estaduais ou regionais de trabalhadores a partir da CSP-Conlutas. Incentivar a auto-organização dos trabalhadores para expressarem sua força real através das assembleias de base é uma tarefa fundamental neste momento contra os burocratas sindicais que falam no carro de som quando os trabalhadores não tem voz.

Ao mesmo tempo, consideramos que é fundamental a CSP-Conlutas ter uma denúncia clara das centrais sindicais governistas e patronais. Acreditamos que quando essa denúncia não existe a tendência é que a CSP-Conlutas se dilua no chamado a uma “greve geral”, o que termina lavando a cara da burocracia sindical. Uma ou outra frase perdida de crítica à CUT no site do PSTU, que ninguém vê, não altera em nada a essência dessa política que termina embelezando a burocracia sindical. Não vemos como um elemento de agitação importante a denúncia às centrais sindicais, que deveria estar diretamente ligada à exigência de mobilização das suas bases. No mesmo sentido, acreditamos que os parlamentares do PSOL deveriam colocar suas bancadas a serviço desta política.

Ao contrário, acreditamos que intervenções como a do dirigente Atenágoras Lopes na última plenária das Centrais Sindicais, aonde termina dizendo que aquela Plenária, que reunia não a base, mas sim os principais burocratas destas centrais governistas, seria um ponto de apoio significativo pra greve geral, alimenta ilusões na burocracia sindical. O material de convocação do dia 29 elaborado pela CSP-Conlutas também evidencia este problema. Dão destaque para uma denúncia à traição dos deputados do PT e do PCdoB que votaram pelas MPs de Dilma. Mas em nenhum momento do material a CSP-Conlutas explica aos trabalhadores que as mesmas centrais sindicais que convocam o dia 29 estão lado a lado com estes deputados e estes partidos, sendo parte do governo nos últimos 12 anos.

Os parlamentares do PSOL e Luciana Genro tampouco têm utilizado sua visibilidade para denunciar o papel de contenção da CUT e impulsionar a coordenação e a mobilização dos setores de vanguarda para criar uma força independente da burocracia dentro da frente única contra os ataques. Precisamos abrir os olhos de todos os trabalhadores na necessidade de construir uma terceira força, independente dos governos petistas e seus agentes no movimento operário e também das oposições de direita, a partir da mobilização independente da classe operária.

Neste sentido, ao mesmo tempo em que é tarefa fundamental construir a paralisação do dia 29, acreditamos que é necessário denunciar claramente a burocracia sindical e não pintar de vermelho suas ações com uma suposta “greve geral” que só pode embelezar a burocracia sindical que não que fazer nem mesmo uma jornada nacional de luta com paralisações reais em seus bastiões.

Acreditamos que é fundamental a CPS-Conlutas convocar assembleias em seus sindicatos, encontros estaduais e regionais, plenárias e etc. para coordenar as categorias, com destaque para as que estão em luta como os professores de vários estados, e debatermos um plano com distintas medidas dos trabalhadores (paralisação, piquete, bloqueios de avenidas, serviços etc.), para combater os ajustes, as MPs e a terceirização. E acreditamos que é fundamental que o PSOL coloque seus parlamentares e a projeção nacional de Luciana Genro a serviço dessa política.




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