Política

Conheça alguns dos homens mais ricos do país e por que eles apoiam o reacionário Bolsonaro

Bolsonaro é conhecido por sua retórica violentamente anti-esquerda, por seu machismo, racismo, lgbtfobia e por elogios à tortura. Este discurso reacionário é muito mais que um discurso, é um programa político. Um programa que não é o de um louco. Bolsonaro oferece uma resposta apoiada por parte dos donos do país. Para aumentar seus lucros um setor da elite nacional, herdeira do latifúndio, da escravidão e dos benefícios da ditadura militar quer mais racismo, mais machismo, quer mais repressão.

Marcello Pablito

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp

domingo 9 de setembro| Edição do dia

Foto: Marcos Alves. Bolsonaro em palestra para empresários

Liberalismo econômico, ou seja, entregar tudo ao imperialismo, permitir que legalmente mulheres e negros ganhem menos que homens brancos, cortar direitos sociais e trabalhistas não é contraditório com um governo com traços autoritários. Muito pelo contrário, para trucidar o direito de se aposentar e trucidar completamente a CLT melhor, é funcional um governo mais repressivo e com uma retórica que autorize policiais a amedrontar trabalhadores, negros, mulheres e LGBTs. Este casamento se expressa nos dois principais nomes na campanha de Bolsonaro: o banqueiro Paulo Guedes e o general defensor de um novo golpe militar, Mourão.

Neste artigo mostraremos alguns dos principais nomes empresariais por trás de Bolsonaro, lista que deve aumentar depois do atentado sofrido por ele, que tende a tornar ainda mais escassas e difíceis as chances eleitorais de quem era o preferido do mercado até poucos dias atrás, Geraldo Alckmin.

Alimentando o exército de trolls nas redes e de policiais e comerciantes a receberem o capitão pelo país está uma seleta lista de empresários. E alguns destes se fizeram vivamente presentes nos dramáticos eventos de Juiz de Fora.

Segundo a Folha de São Paulo, na UTI da cidade mineira estavam o empresário Fabio Wajngarten e o presidente da sempre reacionária “União Democrática Ruralista”, eles providenciaram a UTI móvel para o candidato e conseguiram leva-lo ao hospital Albert Einstein, no lugar do tradicional Sírio Libanês.

Mas quem eles são?


Nabhan Garcia, presidente da UDR

A “União Democrática Ruralista” é uma entidade reacionária surgida nos anos 80 para organizar a reação do latifúndio à luta por terra na Constituinte, e na bala nas fazendas. É uma “entidade fantasma” por trás da “Frente Parlamentar da Agropecuária”. Há intermináveis inquéritos ligando-a a assassinatos de sem-terra, populações tradicionais e ambientalistas. Sua força no Congresso e com os juízes ajudam a enterrar esses inquéritos, bem como a CPI da Terra em 2004 e 2005.

O apoio de Bolsonaro no campo não se restringe à UDR. Bolsonaro tem como seu assessor para o campo Frederico D’Avila, ex-tucano e diretor da Sociedade Rural. Quando o TSE divulgar a lista de doadores do ex-capitão, seguramente se econtrarará o rastro de soja e agrotóxicos.

Voltando ao episódio de Juiz de Fora, além da UDR, quem foi crucial na transferência de Bolsonaro ao Einstein foi o influente empresário Fábio Wajngarten, empresário do ramo de medição e marketing televisivo. É um dos mais fervorosos defensores de Bolsonaro. Ele é também um articulador da “comunidade judaica”, responsável por organizar a famosa palestra onde Bolsonaro ofendeu os negros e quilombolas. Fabio administra a fortuna de Eli Horn, fundador da gigante da construção Cyrela.


Fábio Wajngarten promovido a entrevistador pela TV Cultura na sabatina de Boulos do PSOL

Fábio, o parceiro de Eli Horn da Cyrela, é, junto de outro gigante da construção, Meyer Nigri, o dono da Tecnisa, os responsáveis desde o começo do ano de apresentar Bolsonaro ao PIB nacional e estrangeiro. Já em fevereiro deste ano a revista Piauí mostrava esta relação.

O que a Tecnisa e a Cyrela tem em comum, fora o capital de El Horn que é dono de parte da Tecnisa? São gigantes da construção brasileira que não eram beneficiárias dos contratos públicos. Junto de gigantes imperialistas são beneficiários da Lava Jato e têm uma política de “refundar o país”. Eli Horn tentou esconder seu direitismo em recente entrevista ao Estadão dizendo que era “anti-extremismo”, mas o que quer é “um presidente que faça leis a favor do liberalismo, que acabe com a miséria. Qual é esse candidato? Não sei ainda.”


Meyer Nigri da Tecnisa, e Eli Horn da Cyrela

Até parece que não acompanha seus dois sócios Nigri e Wajngarten, e boa parte do mercado financeiro na empreitada junto ao ex-capitão reacionário, melhor nome no momento para um programa de ataques muito superior ao que PT oferece (até agora).

Diversas matérias em toda a mídia têm ilustrado como crescentemente setores do mercado financeiro estão aderindo a Bolsonaro. O barco de Alckmin está furado e o de Amoedo é muito inexpressivo. Evidentemente que publicamente dar muito dinheiro para Bolsonaro pode ser uma jogada ruim de marketing para alguns bancos, sobretudo em tempos de fazer propaganda de “inclusão”, mas a Exame, a Valor, e o gigante das finanças americano Bloomberg (ligado aos republicanos e não aos democratas como eram a maior parte das finanças internacionais antes de Trump) são entusiastas de Bolsonaro & Guedes.

Matéria recente da Exame ilustra a adesão, que após o atentado deve se tornar mais aberta. O presidente do banco de investimentos BR Partners, apoiador de Amoedo, admitia antes do atentado que ele era uma minoria “já que a maior parte de seus pares fez as pazes com Bolsonaro.”

Se não bastasse o apoio do agronegócio e das finanças, Bolsonaro deve contar também com o apoio do bilionário Julio Bozano, que é sócio de Paulo Guedes. O ex-capitão também conta com o entusiasta apoio de Luciano Hang, das lojas Havan, empresário conhecido por crimes de lavagem de dinheiro e evasão fiscal, ou como diz o Ministério Público no link, autor de uma “megafraude”, outro gigante do varejo que apoia Bolsonaro é Sebastião Bomfim, dono das lojas Centauro.


Luciano Hang forçando os funcionários da Havan a aderir a suas campanhas reacionárias.

Esta breve exposição de alguns grandes nomes do PIB por trás de Bolsonaro ajudam a mostrar como seu reacionarismo é um programa consciente. Um programa apoiado por parte do empresariado. Querem mais repressão, querem o racismo nas ruas. Querem o machismo nas ruas e nas casas para garantir melhores condições para a reforma da previdência, fim dos direitos trabalhistas, fim da fiscalização do ministério do trabalho para legalizar o trabalho escravo, e assim garantir mais e mais recursos para entregar aos banqueiros com a dívida pública.

Para combater o fortalecimento da extrema direita precisamos construir uma esquerda com força nos locais de trabalho e estudo que aposte na mobilização da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e da juventude para combater o capitalismo que alimenta o reacionarismo de Bolsonaro e de outros, levantando ideias anticapitalistas para construir uma alternativa que supere o PT pela esquerda.




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