Política

EDUCAÇÃO DO RIO

Conheça Cesar Benjamin, secretário racista de Crivella que persegue os professores

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

quarta-feira 22 de novembro| Edição do dia

Muitos ouviram falar pela primeira vez de Cesar Benjamin, Secretario de Educação do Rio, por causa de suas declarações racistas contra o movimento negro durante o Dia da Consciência Negra. O que nem todos sabem é que Cesar Benjamin também é conhecido entre os professores por ser um perseguidor da categoria contra o seu direito de organização.

O Caso da Professora Flavinha

No final de setembro, à frente da Secretaria Municipal de Educação, puniu a professora Flavinha, de educação especial, através de sindicância com a suspensão de suas aulas e a transferência de sua escola de origem, unicamente por colar um cartaz em sua escola, contendo as decisões da categoria reunida em assembleia:


Entenda o caso: Professora é perseguida por denunciar condições precárias nas escolas de Crivella

A liberdade de organização dos professores foi atacada imediatamente pelo secretário, que tentou justificar a censura em sua rede social:

Dizendo que a professora, que luta há anos pela causa da educação especial, teria sido "desrespeitosa à rede", espalhando absurdos de que a professora teria "danificado o mural" da escola divulgando deliberações do sindicato da categoria, e acusando a professora de boicotar o projeto pedagógico da escola, Cesar Benjamin tentou justificar seu autoritarismo e a ação anti-sindical da SME.

"Delirante" é o próprio secretário acusar a professora, que imediatamente foi apoiada pela categoria, incluindo seus próprios alunos que exigiram a volta da professora em manifestação na sua escola:


Não bastando espalhar estas mentiras, Cesar Benjamin ainda diz no "comunicado" em seu facebook pessoal, que a rede municipal do Rio vai "bem, obrigado" e nega-se a pronunciar qualquer palavra sobre os cortes na merenda:


Entenda o caso: Denúncia escancara merenda reduzida de Crivella

À frente da Editora Contraponto, Cesar Benjamin poderia escrever um ótimo livro de ficção sobre a realidade das escolas municipais do Rio de Janeiro. A verdade do chão da escola, no entanto, é muito mais dura do que o Secretário tenta fazer parecer.

Da resistência na ditadura militar, à participação em um governo junto ao militar que o capturou

Cesar Benjamin não foi sempre esta marionete de Crivella no SME. Na verdade, ele entrou na vida política à partir da luta contra a ditadura militar, aderindo à guerrilha nacionalista do MR-8 com influência do Stalinismo. Com a transição pactuada dos militares para o regime da Nova República, Benjamin participou da fundação do PT e participou da coordenação da campanha de Lula em 1989. Em 1995, deixou o PT por divergências políticas, chegando a participar da fundação da Consulta Popular (ligada ao Levante Popular da Juventude). Em 2004, filiou-se ao PSOL, sendo vice de Heloísa Helena na candidatura presidencial.

Passou definitivamente ao campo político da ex-esquerda à partir do momento em que aderiu ao governo do Crivella, sendo seu secretário e braço direito no controle dos professores desde então. E para tanto, aceitou participar de um governo aonde o homem que o capturou na ditadura, o reacionário Coronel Paulo Cesar Amêndola, secretário de Ordem Pública de Crivella que foi agente do serviço secreto da Marinha (o CENIMAR) e responsável na época pela captura do então secretário de educação.

A luta de Flavinha é a luta de todos professores, #SOMOSTODOSFLAVINHA em defesa de sua reintegração e extinção da sindicância arbitrária de Cesar Benjamin, em defesa da organização dos professores para lutar em defesa da educação pública. Contra os ataques que Crivella quer implementar na rede municipal, assim como os que Pezão já está levando adiante na Rede estadual, é preciso uma forte organização de base dos professores formando comitês em cada escola para impor pela sua mobilização que todo político ganhe o mesmo salário de uma professora e financiar a educação através da taxação das grandes fortunas dos empresários que tanto lucraram com os privilégios dados por governos como o de Paes e Crivella.




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