Juventude

DCE UNICAMP

Confira carta-programa da “Katendê” para o DCE Unicamp 2019

Conheça, apoie e vote: chapa “Katendê” para o DCE Unicamp 2019, composta por estudantes da Faísca e independentes.

domingo 25 de novembro| Edição do dia

Para Bolsonaro, a universidade é “dinheiro jogado fora” e diz que vai “aparar” os centros acadêmicos. O herdeiro do golpe institucional tem medo do potencial dos estudantes e quer, junto a seu novo ministro da Educação apoiador da ditadura, aprofundar o autoritarismo contra o movimento estudantil para conseguir passar Ensino à Distância no ensino médio, cobrança de mensalidades e fazer de algumas universidades públicas um laboratório para os monopólios privados do Ensino Superior. Isso tudo censurando o pensamento crítico com o projeto “Escola sem Partido”. Essas ideias na Unicamp se expressam com o “Unicamp Livre”, impulsionado pelo MBL, que quer deslegitimar o movimento estudantil porque defende os planos da extrema direita contra toda a juventude. Para enfrentá-los, precisamos construir um DCE vivo, que pela base seja uma ferramenta de luta, junto aos trabalhadores, de todo estudante que quer em cada batalha na universidade se enfrentar com o projeto de Bolsonaro e Dória para a educação.

Para isso, é preciso ter clareza de quem são nossos inimigos. Bolsonaro certamente é um deles, mas não caiu do céu. Fortaleceu-se com mil e uma manobras do Judiciário golpista, que, apoiado nas Forças Armadas e abrindo espaço para maior espoliação do Brasil e da América Latina pelo imperialismo norte-americano, quer que Bolsonaro seja a continuidade blindada de Temer. Golpistas que prenderam e vetaram arbitrariamente Lula para descarregar ataques mais duros do que o PT já aplicava, e em troca Moro recebeu o Ministério da Justiça. Agora querem passar a Reforma da Previdência que será uma batalha decisiva para o próximo governo, que precisamos nos preparar.

Nosso DCE precisa ser completamente diferente do que tivemos até então. A gestão burocrática deste ano, da UJS (PCdoB) e do Apenas Alunos, que é aliada ao MBL, hoje é representada pela chapa “Pro dia nascer feliz” (agora com UJS e a juventude do PT), e foi um verdadeiro entrave à organização dos estudantes, apostando suas fichas na reitoria de Knóbel. Rifaram a independência política e financeira da entidade, com o Clube DCE; mal organizaram assembleias, reuniões e debates e chegaram até mesmo a deturpar deliberações dos estudantes que exigiam da UNE, entidade nacional à qual nosso DCE é filiado, que chamasse comitês de luta contra Bolsonaro e os golpistas. Não será com os amigos do MBL que os estudantes conseguirão barrar os ataques.

Isso porque querem esconder que a estratégia do PT e PCdoB, que dirigem essas entidades nacionais, como a UNE, CUT e CTB, é a mesma que nos levou até aqui, querem chamar uma “frente ampla”, na qual cabe desde o PSOL à Ciro Gomes, o PSB de Jonas Donizette e o PSDB golpista, que defende as reformas e por ora não aceitou, para conformar uma oposição meramente institucional e parlamentar, com objetivos eleitorais para 2022, enquanto no terreno em que poderíamos barrar os ataques de Bolsonaro e desde agora preparar um sério combate, que é na luta nos locais de trabalho e estudo, seguem imóveis.

Nós, defendemos um DCE radicalmente diferente, que não espere a poeira baixar, como disse Lula, e sim que queira organizar desde já a luta dos estudantes pela base, de maneira independente da reitoria para se enfrentar com os ataques à educação e a Reforma da previdência. Para isso, também lembramos que nosso DCE foi gerido por anos por integrantes do PSOL, que hoje compõe a chapa “Coragem para vencer o medo”, de forma burocrática, afastada dos estudantes, sem promover espaços de vivência e debate, chegando até mesmo a acabar com o Congresso dos Estudantes, um importante espaço de organização do movimento estudantil, essa concepção foi a que abriu espaço para que a UJS pudesse tomar nosso DCE.

Para organizar a luta dos estudantes e trabalhadores é preciso desmascarar e exigir da UNE e das centrais sindicais que convoquem um plano de lutas sério com comitês de base, para que o movimento estudantil e os trabalhadores possam se articular e de fato colocar medo em Bolsonaro e em Dória. Isso é o que não faz o PSOL, se colocando como uma cobertura à esquerda dessa frente ampla, que rifa a unidade entre os jovens e trabalhadores em nome de uma unidade parlamentar que espera por 2022. É esse debate que também fazemos com a “Coragem pra vencer o medo”, porque além de não denunciarem o autoritarismo judiciário, porque em sua chapa existem integrantes do “Vamos à Luta” que aplaudiram a prisão arbitrária de Lula e do “Juntos” que gritavam “Viva Moro e a Lava-jato”, também sendo parte da Oposição de Esquerda da UNE, não se colocam a exigir dessa entidade que rompa com esse imobilismo e chamem espaços de base para que cada jovem do país possa se organizar.

Contra toda a burocratização construída há anos em nossa entidade, nós propomos que o DCE retome o Congresso dos Estudantes da Unicamp, abandonado pelas gestões da UJS e do PSOL, para que democraticamente o conjunto dos estudantes decida os rumos do movimento estudantil, confiando em nossas próprias forças. No Congresso, queremos levar à frente uma concepção de entidade democrática, por um DCE proporcional, no qual as distintas chapas que compõem o processo eleitoral possam se expressar ao longo de todo o ano na gestão, para que os estudantes se testem com diferentes concepções.

Defendemos uma universidade pública não tal como é hoje, como diz que defende a reitoria de Knobel, que pune estudantes e proíbe faixas (assim fizeram com a faixa da nossa chapa), se apoiando no judiciário que reprimiu o movimento estudantil durante as eleições, mas sim a serviço dos trabalhadores e da maioria da população. Por isso, enquanto a direita avança com seu projeto radical contra a universidade, é necessário construir uma forte luta pela universidade que nós queremos. Lutar para que a juventude pobre, negra e indígena tenha direito a estudar, por isso, devemos nos articular para no primeiro ano de entrada dos cotistas, arrancar as 600 vagas da moradia que conquistamos com nossa greve e ocupação da reitoria, avançando para toda a demanda, além de bolsas-estudo, creches e vagas no SAPPE a todos que precisam. Mas também avançar para lutar pelo fim do vestibular, que é uma barreira social, junto à estatização nas mãos de trabalhadores e estudantes das universidades privadas, que Bolsonaro quer multiplicar, com lucro certo advindo do Ensino à Distância.

Enquanto Bolsonaro e os golpistas querem esmagar a classe trabalhadora, é preciso um DCE que esteja profundamente aliado aos trabalhadores, efetivos e terceirizados. Nossa chapa esteve apoiando a greve de mais de 50 dias dos trabalhadores neste ano, que lutou por melhores condições de salário e de atendimento no HC e CAISM, batalhamos para que o movimento estudantil apoiasse ativamente essa luta, também defendendo suas demandas. Por isso, diante da Lei de Terceirização Irrestrita aprovada pelo STF que precariza o trabalho, defendemos a efetivação dos terceirizados sem a necessidade de concurso público, para terem os mesmos direitos que os efetivos.

Também é nossa tarefa varrer da Unicamp qualquer herança da ditadura militar tão aplaudida por Bolsonaro. Queremos levantar a luta por uma estatuinte, livre e soberana, já que o estatuto atual é herdeiro do regime militar, do qual hoje a reitoria e o CONSU se valem para punir estudantes que lutaram na greve de 2016. E avançar para que estudantes, funcionários e professores possam decidir os rumos da universidade, fundando um novo estatuto, segundo o qual possamos decidir que a universidade deve ser gerida pelas três categorias, de acordo com seu peso na realidade e não como é hoje, pois a reitoria e o CONSU existem unicamente para “gerir a crise” de costas para a população e de braços abertos às empresas na universidade.

Somos mulheres, negros e LGBTs que carregamos conosco o ódio pelo assassinato de lgbts como Laysa, Marielle e de Mestre Moa do Katendê. Nosso nome é para lembrar que seguirão vivos em nossas lutas contra o machismo, racismo e LGBTfobia de Bolsonaro e Dória e queremos que os setores oprimidos estejam à frente da entidade, por isso propomos uma Secretaria aberta de combate às opressões no DCE. Precisamos também de um DCE que promova vivência, enfrentando-se com a ofensiva da reitoria e do Judiciário às festas, e chame os estudantes a ocupar os espaços com debates e atividades culturais. Queremos promover uma grande Calourada Integrada, livre de opressões, para preparar e articular os estudantes de diferentes cursos desde o início do ano para que a Unicamp esteja na linha de frente nacionalmente de organizar os estudantes contra tudo o que Bolsonaro, os golpistas e Dória representam.

Aos 50 anos de maio de 1968 e com a tarefa de se enfrentar com a extrema direita asquerosa queremos resgatar um forte movimento estudantil, aliado aos trabalhadores, que queira subverter a universidade de classes e assim servir ao questionamento de toda a sociedade de classes. Essas são algumas das ideias que levantamos e chamamos todos a conhecer, apoiar e votar na chapa “Katendê” para o DCE 2019!




Tópicos relacionados

UJS   /    DCE Unicamp   /    Faísca - Juventude Revolucionária e Anticapitalista   /    PSOL   /    Juventude

Comentários

Comentar