Educação

GREVE EDUCAÇÃO MG

Como a greve da educação em MG poderia ter sido vitoriosa?

Um pontapé para tirarmos lições estratégicas dessa importante greve da educação em Minas Gerais.

sexta-feira 20 de abril| Edição do dia

Se tivemos conquistas parciais em nossa pauta, como a regularização dos pagamentos de prestadores de serviço pelo IPSEMG até junho deste ano e a retomada das nomeações do concurso, essas conquistas parciais só foram garantidas devido à greve. Porém, o principal ganho que temos é um ganho político, que envolve a experiência da base de trabalhadores da educação estadual de MG com os limites impostos por suas antigas direções, como a direção da CUT e do SindUTE-MG, ambas atreladas ao PT, e a necessidade de construir uma alternativa de esquerda, com independência política do PT.

Os educadores da rede estadual de Minas Gerais votaram em Assembleia Estadual no dia 18/04, suspender a greve da educação após 42 dias de paralisação. A votação contou com cerca de 60% favoráveis à suspensão, e 40% pela continuidade. E votou um calendário com um ato no dia 21/04 em Ouro Preto e futuras paralisações nos dias de votação da PEC 49/18.

Desvio da luta de classes a serviço da governabilidade petista no Estado

Os professores tiveram que se enfrentar com o ajuste do governo petista de Fernando Pimentel, que rasga seus acordos com a educação, porém que cumpre à risca tanto a Lei de Responsabilidade Fiscal a serviço dos banqueiros, quanto seus acordos subservientes aos interesses das grandes mineradoras como Vale, Samarco e BHP; e aos donos das empresas de capital imperialista em Minas Gerais, como a Fiat e Vallourec. O mesmo governo que reprimiu com a PM a nossa greve e teve um de seus secretários, Odair Cunha — hoje citado em denúncia de desvio milionário de verbas da Câmara Municipal de BH — chamando os professores de "idiotas".

E além de enfrentar os ajustes do governo petista, a categoria ainda contou com um enorme obstáculo à nossa greve: a hegemonia na direção do sindicato de grupos ligados ao PT, freando como puderam a nossa luta. Por isso que eles prepararam uma greve que servisse apenas para aliviar a pressão da base que via o atrelamento da direção do SindUTE-MG ao governo. Tanto assim que tentaram impor, inclusive, a corda no pescoço dos trabalhadores com a Lei Eleitoral, que desmascaramos como um discurso do governo no seio da luta dos trabalhadores. E depois sugeriram a PEC como uma falsa saída honrosa da greve, sem ter que se enfrentar até o final com o governo petista. E durante a última semana da greve operaram apenas pelo desmonte desta.

Porém, a greve saiu desse controle esperado pela direção. E como já afirmamos em outras notas, os trabalhadores não devem confiar no PT para terem vitórias, uma vez que este partido apenas abre caminho para a direita, ao reproduzir também em Minas Gerais o que aprenderam em 13 anos de governabilidade com a direita e com golpistas nacionalmente, com seus governos a serviço dos interesses dos capitalistas e grandes empresários.

Os professores deram novas mostras que poderiam seguir a greve, fortalecendo-a

Durante essa última semana, com a continuidade da greve apesar do desmonte operado pela direção do SindUTE, várias regiões deram passos em medidas de fortalecimento da luta e de auto-organização. Como no sul de Minas, em que novas escolas paralisaram e os professores conseguiram formar um comando de greve, tomando para suas mãos os rumos da luta na região. Outro exemplo esteve na organização dos professores da Escola Estadual Helena Guerra em Contagem, que fizeram um chamado de um comando de greve de BH e região metropolitana com delegados eleitos nas escolas. Proposta que mais uma vez, porém, foi boicotada pela direção central. Não fosse o desmonte da greve pela direção central poderíamos, como mínimo, fortalecer a greve e obrigar Pimentel a ceder parte de nossas demandas.

Ações de apoio à greve apesar da orientação da direção central de frear a luta

Também houveram ações de apoio à greve regional e nacionalmente na última semana. Como o apoio dos professores da rede estadual de SP desde suas reuniões de representantes sindicais, exigindo que a CUT organizasse a luta para vitória respeitando as decisões da base. Estudantes da UFMG fizeram mais uma ação em apoio aos educadores, com nova campanha de fotos e contra a política petista de Pimentel de ataques à educação. Estudantes secundaristas organizaram atos em cidades como Contagem (a partir de estudantes da E.E. Helena Guerra e da E.E. Gabriel Passos, em Betim), Ribeirão das Neves e Timóteo (a partir da ação do grêmio estudantil D’Staacks).

Partidos de esquerda como o PSOL e seus parlamentares, outras como PCB, UP, PCO e a direção majoritária da CSP-Conlutas (PSTU) deveriam ter movido suas forças em apoio à greve nesta semana, fazendo ações parecidas como as que listamos aqui, porém com maior impacto. Porém, vimos a grande passividade desses setores, que mais uma vez ficaram a reboque do desvio da luta pela CUT. Se esses partidos de esquerda tivessem movido suas forças a partir da Câmara Municipal de BH como o PSOL, e os sindicatos e entidades estudantis que dirigem, sem dúvidas haveria uma pressão maior para impedir que a direção da CUT tivesse sucesso no desmonte da greve.

Suspensão da greve: tirar lições para estarmos mais fortes nos próximos passos de nossa luta

Acreditamos que a greve poderia ter sido vitoriosa com a organização de base dos professores que impusesse que o sindicato, a CUT e a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo trabalhassem a favor da luta. Tínhamos a nosso favor, inclusive, as vitórias dos professores e servidores municipais de São Paulo, que derrotaram a Reforma da Previdência do prefeito reacionário João Dória, além da vitória dos professores da rede estadual do Amazonas, que conquistaram 27% de reajuste salarial. Também seria um fortalecimento da nossa luta confluir com outros setores da educação, como a greve da educação infantil de BH indicada para iniciar dia 23/04, e com as paralisações da rede privada em Minas Gerais.

Muitos professores nos disseram que estavam descrentes que essas forças, hegemonicamente dirigidas pelo PT, fossem mudar sua orientação de desmonte da greve. Sempre denunciamos que a prioridade da CUT esteve em preservar o PT e suas candidaturas para as próximas eleições estaduais. Porém, assim como foi a pressão da base de trabalhadores que impôs às grandes centrais sindicais uma greve geral no dia 28 de abril de 2017 contra as reformas, devemos tirar uma primeira lição: apenas a organização dos trabalhadores e a aposta em nossas forças e na luta de classes é que pode impor que os grandes sindicatos e centrais sindicais se movam a favor dos direitos dos trabalhadores. E que possamos ter vitórias contra os governos petistas que atacam a educação e os trabalhadores como o de Pimentel em Minas Gerais, e contra os ataques dos golpistas e da extrema direita.

Convidamos todos que concordam com essas primeiras reflexões a construir em suas escolas o Movimento Nossa Classe Educação, e avançarmos juntos em quais lições estratégicas podemos tirar dessa importante greve, para a organização dos próximos passos de nossa luta na educação em Minas Gerais, contra a direita e os golpistas, e com independência do PT.

Foto: Taís Ferreira/SindUTE-MG




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