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Comentários sobre a última reunião do Conselho Deliberativo da APCEF e Campanha Salarial dos Bancários em 2016

Nessa sexta-feira, dia 12 de agosto, houve reunião do Conselho Deliberativo da APCEF (Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal), do qual faço parte como membro da Chapa 3 - Oposição. Ao contrário da diretoria da entidade, o conselho tem representação proporcional de todas as chapas que disputaram a eleição. A reunião foi uma enxurrada de más notícias, confirmando aquilo que quem trabalha na Caixa já está sabendo.

Carolina, bancária e conselheira da APCEF.

bancária e conselheira da APCEF.

sábado 13 de agosto| Edição do dia

Reestruturação a todo vapor

Contratações paradas, metas de redução de quadro de funcionários e funções gratificadas, pressão para venda de produtos, aumento de trabalho enquanto proibem horas extras e muito assédio moral.

Se antes o funcionário que tem função gratificada tinha o alento de tê-la incorporada ao seu salário depois de 10 anos, hoje não tem mais. Graças à alteração normativa no RH 184 as incorporações se tornaram quase impossíveis.

As retaguardas das agências estão acabando. Os Técnicos Bancários que faziam parte das mesmas serão mandados pras Centralizadoras de Imagens, só que, se não me engano, só tem umas 4 no país. Então quem estiver longe vai ser remanejado sei lá para onde. Tesoureiros serão incorporados às agências e ai daquele que se recusar a abrir caixa.

Falando em caixa, acabou a função, não pode mais nomear. Toda vez que algum caixa deixar sua função por qualquer motivo aquela vaga vai desaparecer. Quem vai fazer o serviço? Alguém que vai receber a gratificação por minuto. Caixa minuto não conta para hora extra, não conta para férias, não conta para PLR, mas se tiver diferença vai ter que pagar do mesmo jeito.

E se o fulano precisar pedir transferência de unidade pra acompanhar a família em outra cidade? Não pode. O gestor não vai liberar porque a agência não vai poder repor aquela vaga. "Ah! Então eu vou tentar um PSI na outra cidade". Boa sorte! Vai ter que vender seguro pra tua família inteira e título de capitalização pros vizinhos. Processo de seleção interno, que já não era nenhuma fartura, virou raridade.

Até rolou na imprensa uma discussão da Caixa passar a administração do FGTS para algum banco privado! Vai sobrar o quê da Caixa sem o FGTS?

Se dentro da Caixa está assim, imagina fora!

Se antes do golpe os trabalhadores já estavam sendo massacrados, agora com ele quase consolidado todos os sinais indicam que a situação só vai piorar. Só para citar uma parte, no próximo período vem discussão de terceirização, reforma da previdência e reforma trabalhista.

Seremos uma das primeiras categorias nacionais a sair em luta depois do golpe. Quanta responsabilidade! Dá pra achar que vai ser tranquilo fazer greve de pijama? Ou pior, dá pra achar que é legítimo furar greve por preguiça de compensar hora?

O problema é que boa parte disso que eu estou falando, nosso sindicato também fala. Tivemos um golpe institucional no país e a CUT faz que não é com ela. Boa parte disso que eu falei aqui eu ouvi da boca dos dirigente da APCEF nessa reunião. Que 2016 vai ser uma greve dura, muito mais dura que 2015 e que 2017 vai ser muito pior. Essa parte de "2017 vai ser muito pior" me intrigou. Já estão cantando a derrota de 2016?

Mas se eles acham que 2016 vai ser mais difícil, por que continuam na mesma passividade de sempre? Se, como disseram, existe uma grande barreira ideológica para organização na categoria, como lutaremos contra isso? Cadê as assembleias? Cadê as passagens em agência? A única coisa que eu vejo são os bons e velhos "dias de luta" com meia dúzia de dirigentes sindicais tirando foto na frente de uma agência que segue funcionando normalmente. Nenhuma preocupação em mobilizar a categoria.

Não tem jeito. Ou a categoria vai pra cima desse sindicato e toma a luta nas suas mãos, indo nas assembleias, se interessando em conhecer os grupos que atuam no movimento sindical, indo pros piquetes e reuniões, ou realmente 2017 vai ser muito pior.




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