Internacional

FORA PIÑERA

Chile: acordo infame para tentar salvar Piñera e a herança da ditadura

Rechaçamos a manobra operada pelo velho parlamento desde a UDI até à Frente Ampla. Basta de armadilhas. Assembleia Constituinte Livre e Soberana JÁ! Fora Piñera pela força da greve geral por tempo indeterminado.

sexta-feira 15 de novembro| Edição do dia

Foto: Agencia Uno

Depois de quase dois dias de negociações no Congresso, os partidos do Chile Vamos (UDI-RN-Evopoli), da ex Concertacion (DC-PPD-PS-PR), e também, de forma insólita, os principais partidos da Frente Ampla (RD, o deputado Boric da Convergência Social, o Partido Liberal e o Comunes), chegaram a um acordo “costurado” entre quatro paredes para retirar o movimento de massas das ruas, desviar a luta contra Piñera e canalizar, através das velhas instituições, o rechaço de massas a este regime e às heranças da ditadura, que se manterão intactas.

Este acordão se dá justo no momento em que se completa 1 ano do assassinato de Camilo Catrillanca, assassinado impunemente pela polícia e por este governo.

Este acordo foi costurado por cima, para desviar as lutas para um “plebiscito” para o ano que vem, matendo Piñera no poder. Assim sendo, seria um plebiscito por volta de abril de 2020, no qual apenas aí poder-se-ia decidir entre duas opções; se deverá haver a “convenção mista constitucional” (com poder de veto do atual Congresso, pois esta terá 50% de seus representantes) ou uma “Convenção Constitucional” que ocorresse daqui a 1 ano, em outubro do ano que vem, na qual se elegeriam representantes supostamente “democráticos” através do atual sistema eleitoral, desenhado à serviço dos grandes partidos empresariais e da casta de políticos milionários que servem aos ricos. Nem sequer fala-se de Assembleia Constituinte, senão de “convenção constitucional” e a direita e uma minoria poderá impor seus vetos sobre as maiorias apenas com 1/3, caso ganhe esta opção, pois esta precisará de 2/3 de votos para aprovar suas normas e regulamentos. Muitas coisas foram deixadas “em aberto”, nas quais se buscará manobrar para manter o atual sistema político.

Quem poderia crer que esta negociação com os mesmos que aprofundaram a herança da ditadura – que criaram o CAE (Crédito Estudantil – NdT) para nos endividarmos enquanto estudamos, que mantiveram nossos recursos naturais privatizados e entregues ao saque imperialista, mantendo também aposentadorias e salários de fome, que roubaram milhões nos conhecidos casos de corrupção, que violentaram e militarizaram as comunidades mapuche durante anos, entre muitos outros abusos -, nos dariam uma solução favorável aos interesses do povo trabalhador, da juventude e dos setores populares? São estes mesmos políticos do regime que se opõe a todo custo a que os jovens maiores de 14 anos possam votar, os que impõem plebiscitos não vinculantes para que não possamos decidir nada, apoiando-se nos mecanismos institucionais desta questionada constituição. Estes buscarão umas mil manobras para manter este “modelo” e nos enganar.

Este acordo não só mantém no governo o odiado Piñera e também o atual Congresso que está tomado por uma casta de políticos milionários à serviço dos capitalistas, como ainda busca postergar nossas reivindicações e aspirações para não resolver nenhum dos grandes problemas fundamentais do povo trabalhador: Não são 30 pesos, são 30 anos! Salários, aposentadorias, condições de vida, saúde e educação não podem esperar!

Com este acordão “costurado”, manter-se-á as aberrantes heranças da ditadura: a brutal repressão e criminalização, assim como a impunidade de todos os responsáveis, intelectual,política e materialmente, pelos assassinatos e torturas, violações, mutilações de olhos, golpes dados nos jovens, avós e avôs, trabalhadores e jovens; nossas avós e avôs seguirão vivendo e morrendo com aposentadorias de fome enquanto as AFP seguirão saqueando os fundos de pensão; manterão os salários de miséria para o povo trabalhador enquanto as empresas têm lucros multimilionários; manterão a saúde privatizada enquanto centenas de milhares morrem nas filas de espera e milhões seguirão sendo atendidos em condições de precariedade absoluta; deixam intacta a educação de mercado com os recursos do Estado subsidiando empresários que lucram com este direito, e se continuará o massivo endividamento com os bancos, que lucram com nossa angústia de não poder chegar ao fim do mês; seguirá o custoso transporte para que sigamos nos movimentando como gado; se manterá a militarização para o povo mapuche em suas comunidades e seguirá negando-se o direito à auto-determinação nacional do povo mapuche e dos povos originários; e os recursos naturais e estratégicos como o cobre, o lítio, as florestas, a água e a eletricidade, seguirão nas mãos das transnacionais e das grandes famílias, mantendo todo o saque às nossas riquezas.

Devemos rechaçar este acordo que atrasará nossas aspirações e seguirá mantendo as odiadas heranças da ditadura contra as quais tomamos as ruas.

Nossa enorme força, expressa em mobilizações históricas, paralisações gerais, cortes de rua e barricadas, e a repressão brutal que sofremos com a impunidade de todos os responsáveis, e nossos os assassinados do nosso povo, não são moeda de troca para que tudo se siga mantendo igual. Isso é o que fará este acordo, manter tudo igual enquanto tentam nos tirar das ruas para recompor sua “legitimidade” e jogar para umas votações no próximo ano os mecanismos de uma Nova Constituição sem que se resolvam nossas demandas.

A força existe e seguimos expressando-a diariamente nas ruas. É preciso avançar a uma luta superior para levar ao chão todas as heranças da ditadura e conquistar nossas demandas. Não o faremos com este plebiscito, mas sim derrubando Piñera com a greve geral por tempo indeterminado que permita impor, desde as organizações de massa do povo, uma Assembleia Constituinte Libre e Soberana, sem as instituições deste regime que tem como objetivo único blindar os interesses empresariais que saqueiam o país e mantém nossas condições miseráveis. Esta perspectiva deveria ser impulsionada pela Mesa de Unidad Social, e não suas manobras de pressão aos partidos deste regime anti-popular que buscam blindar o atual “modelo”.

É o momento de impulsionar em todo o país Comitês de Emergência e Proteção como o exemplo de Antofagasta, comitês de greve em locais de trabalho e estudo, assembleias e coordenações, para que haver uma unificação de nossas demandas pelas bases, e que nos permita conquistar todas nossas reivindicações derrubando Piñera e pondo fim a todo este regime.

Não à armadilha “costurada” pelo parlamento!

Fora Piñera com a greve geral por tempo indeterminado!

Assembleia Constituinte Livre e Soberana JÁ!

Abaixo as heranças da ditadura!




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