Política

ESPÍRITO SANTO

Casagrande anuncia reabertura da economia sem garantir testes e leitos para a população

Nessa sexta-feira (5) o Espírito Santo registrou novo recorde de contaminados e mortes pelo coronavírus, com 1586 casos confirmados e 53 mortes em 24 horas, mais de dois óbitos por hora. É nesse cenário que o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou uma série de medidas que são absolutamente insuficientes à realidade, principalmente a dos trabalhadores, da população pobre e dos negros e negras.

domingo 7 de junho| Edição do dia

Fotografia: Helio de Queiroz Filho

No anúncio, Casagrande reforça a todo tempo que apenas o distanciamento e isolamento social podem salvar vidas. Declarou que abrirá mais 30 leitos de UTI no Jayme Santos Neves, na Serra, mas que "leito de UTI é muito importante, mas não salva vidas, o que salva é o distanciamento social." Declarou que a garantia da renda mínima é tarefa do governo federal e que tem disponibilizado cesta básica para os alunos. Casagrande também confirma que estamos com atraso no resultado de testes por falta de insumos no Lacen.

Como se não bastasse todas essas contradições, ainda diz que “se o isolamento não aumentar, a tendência é caminharmos para o risco extremo”, na mesma medida que flexibiliza o comércio e põe em risco um maior número de pessoas nas ruas. No dia de abertura do shopping Vitória, por exemplo, não tinha álcool em gel disponível para uso dos clientes.

Lembramos que todos estes dados não levam em conta a imensa subnotificação de casos e óbitos diante da ausência de testes massivos para a população. Enquanto isso os trabalhadores negros e negras que ocupam os postos de trabalho mais precários sequer tem a possibilidade de ficar em casa já que precisam seguir trabalhando. Justamente por entender que as condições que nos impõe os capitalistas estão nos levando à morte para garantir seus lucros é que precisamos seguir o exemplo das massivas manifestações nos EUA que perceberam que para proteger suas próprias vidas a melhor forma para isso era justamente indo às ruas e lutando contra o estado racista e capitalista, contra a polícia assassina. Acreditamos que a única forma de combater o racismo e o descaso capitalista na pandemia é somarmos aos atos que ocorrem por todo país, indo às ruas em defesa de nossas vidas.

Batalhamos para que os atos neste domingo possam ser o início de uma mobilização no Brasil que ligue os combates ao racismo com uma saída independente dos trabalhadores frente à pandemia e a crise econômica, exigindo que as centrais sindicais saiam de suas "quarentenas", como aqui no estado do Espírito Santo, onde correntes, entidades e centrais sindicais retrocederam na convocação aos atos e desestimulam a juventude a batalhar por justiça. É preciso que exijamos medidas como a reconversão da indústria sob controle dos trabalhadores para a produção de todos os insumos necessários no combate a pandemia, como testes massivos, respiradores, abertura de leitos de UTI, a proibição das demissões, um auxílio emergencial de R$ 2 mil pelo tempo necessário.

A fúria negra que despertou nos EUA deve ser o combustível para que aqui no Brasil também possamos nos enfrentar com este governo racista de Bolsonaro, lutando por uma assembleia constituinte, livre e soberana que imponha o Fora Bolsonaro, Mourão e os militares e um enfrentamento direto com o capitalismo.




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