Política

ELEIÇÕES 2016 RIO

Carolina Cacau: “Crivella venceu, mas o Rio mostrou uma enorme força para a luta”

A vitória de Crivella nas urnas não foi o principal fato político nessa eleição, mas sim a força social que se expressou com 1 milhão 163 mil de pessoas buscando uma alternativa à esquerda do PT com seu voto em Freixo. Uma força social para enfrentar os ataques que estão por vir dos governos golpistas de Temer, Pezão e Crivella.

segunda-feira 31 de outubro| Edição do dia

Os cariocas mostraram sua disposição de luta, que se expressou em sua maioria na juventude, no funcionalismo público, nos movimentos sociais, na comunidade LGBT e em alguns setores da classe trabalhadora. Apesar da vitória de Crivella, o clima entre a maioria dos apoiadores de Freixo e Luciana Boiteux não é de desmoralização, e muitos colocam a necessidade de lutar contra a direita e seus ataques.

Muitos que fazem parte desse movimento são os que que já estão resistindo aos ataques do governo Temer, com trabalhadores da educação e estudantes à frente, ocupando escolas e fazendo greves lutando contra a PEC 241, a MP da reforma do ensino médio e contra a lei da mordaça. Nacionalmente, são mais de mil escolas ocupadas, e só no Rio de Janeiro, estudantes ocupam os institutos Federais, professores e servidores do Colégio Pedro II entraram em greve sexta passada, e estudantes ocupando diversos campi, e categorias de servidores também entraram em greve esta semana como os funcionários da UFRJ e dos IF´s (Institutos Federais), todos contra a PEC 241.

É fundamental avançar na unificação e coordenação das lutas que estão em curso no Rio de Janeiro entre os IF´s e o Colégio Pedro II, as universidades federais como a UFF, UFRJ e UFRRJ. A CUT está chamando uma jornada nacional de luta só no dia 11 de novembro, e não está construindo este dia a partir de assembleias de base para cercar de solidariedade as greves que já estão em curso e para massificar a luta contra os ajustes e ataques do governo Temer, unificando estudantes e trabalhadores, como não o fez em nenhum de seus outros chamados à paralisação, todos "de fachada". Por isso temos que exigir da CUT e CTB que rompam a trégua com o governo Temer e coloquem suas forças a serviço dessas batalhas para que possam ser verdadeiramente massivas e vencer.

Precisamos manter uma organização ainda maior do que neste momento eleitoral, para enfrentarmos os ataques do PMDB no governo Pezão/Dornelles que esperou terminar as eleições para soltar seu "pacote das maldades" como parte da crise fiscal do estado. Devem ser anunciados mais ataques já essa semana, que vão aprofundar ainda mais as condições precárias do funcionalismo, com o corte de salários e o desconto da previdência social, que deve aumentar de 11% para 14%. E Pezão, que volta de sua licença, já disse que entrará com recurso na justiça contra a decisão de promotores que proibiram o RJ de conceder novas isenções fiscais, pois em 5 anos o estado concedeu R$ 150 bilhões. Ele falou que enquanto for governador vai conceder isenções, mas disse que pode não pagar salários. Isso para seguir beneficiando os interesses dos grandes empresários e ricos, enquanto a situação na saúde e educação públicas do estado e município seguem em estado de calamidade.

Todas as ocupações, greves e lutas, em conjunto com essa força social que se expressou nestes mais de 1 milhão de votos, também serão um ponto de apoio para lutar contra os ataques de Crivella contra os direitos democráticos das mulheres, LGBT, negros e negras. Por isso devemos lutar por um estado verdadeiramente laico, exigindo que as Igrejas não sejam isentas de impostos e devemos fortalecer a luta pelos direitos dos LGBT e das mulheres, como o direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Não aceitaremos nenhum retrocesso em nossos direitos e que a Igreja Universal governe nossa cidade.

Para enfrentar a direita golpista, vamos seguir dizendo que precisaremos superar o imobilismo impostos pelas burocracias sindicais e estudantis, para coordenar as lutas em curso, como a do Paraná, com as que acontecem aqui no Rio. Mas precisamos ir além, é necessário um programa para fazer com que os capitalistas paguem pela crise, como a taxação das grandes fortunas e fim dos impostos aos pobres, e não pagar a dívida aos banqueiros. E para termos uma saúde, educação e transporte públicos verdadeiramente de qualidade, defender a estatização desses serviços públicos fundamentais, sob controle dos trabalhadores e usuários, para que nenhuma OS siga lucrando enquanto as pessoas seguem morrendo nas filas de hospitais e a máfia dos transportes, com a família Barata à frente, siga lucrando com o nosso sufoco.

Durante as eleições, participamos do movimento que surgiu, alertando que Freixo não levantava um programa e uma perspectiva anticapitalista, além de que, em especial no segundo turno, deu diversas sinalizações de moderação, como a aceitação da Lei de Responsabilidade Fiscal ou a aproximação com uma conselheira econômica neoliberal que foi secretária da Fazenda de Eduardo Paes, Eduarda La Rocque. São medidas que impedem de construir uma alternativa política capaz de enfrentar a direita, seus ataques, e os patrões. Agora, pós eleições, seguiremos nossa batalha contra orientações como essas, que repetem os erros do PT, partido que foi derrotado nessas eleições devido ao caminho que criou de conciliação, abrindo caminho para a direita durante seu governo e pagando agora com o golpe institucional que aceitaram passivamente, imobilizando os sindicatos. É imprescindível superar o caminho da conciliação com os patrões para vencer. É esse diálogo que queremos fazer com os que depositaram sua confiança na candidatura de Freixo.

Nós do MRT e do Esquerda Diário, que teve mais de 200 mil acessos nessas eleições no Rio, seguiremos colocando todas as nossas energias para essa perspectiva, batalhando por construir uma alternativa política anticapitalista, revolucionária e socialista nesse processo, tarefa apaixonante para a qual chamamos todos a fazer parte.




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