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SUPLEMENTO DA FT-QI

Brasil: Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT)

quinta-feira 16 de maio| Edição do dia

No Brasil, o golpe institucional e a prisão arbitrária de Lula, que tiveram como um dos pilares o autoritarismo judiciário, deram lugar a uma eleição manipulada e ao governo de extrema direita de Bolsonaro, vassalo de Trump. Junto a generais das Forças Armadas, a Sérgio Moro (chefe da Lava Jato) e aos neoliberais de Paulo Guedes, busca aplicar ataques contra a classe trabalhadora, como a reforma da previdência. Um plano de ajustes mais duro do que o PT já vinha aplicando em seu governo. Por sua vez, Bolsonaro se colocou à cabeça da direita regional na cruzada intervencionista e golpista na Venezuela, através de Trump.

Mas este governo não é estável, encara crises internas, em meio à crise econômica, social e política, com o desemprego e subemprego chegando a dezenas de milhões. Uma de suas primeiras crises veio com a aparição das conexões entre a família Bolsonaro e os grupos paramilitares do Rio de Janeiro que foram os executores de Marielle Franco, ex-vereadora do PSOL. Mesmo sem luta de classes, o governo vai se desgastando e tendo derrotas que mostram uma frágil base parlamentar. Para além dos atritos, todos os atores do regime compartilham o objetivo de aplicar ataques contra os trabalhadores, as mulheres, os negros, LGBTs, além de enfraquecer os sindicatos.

A estratégia do PT se resume a uma “oposição parlamentar” light aos ajustes de Bolsonaro, enquanto seus governadores apoiam a reforma da previdência mediante a remoção de certas cláusulas mais impopulares, e as centrais sindicais vinculadas ao PT (como a CUT e a CTB) paralisam o movimento de massas sem nenhum plano de luta.

O PSOL, um partido que se reivindica socialista, aumentou sua projeção eleitoral com vários parlamentares porque aparece como alternativa à esquerda do PT, mas repete os erros do PT ao centrar na estratégia parlamentar e não colocar sua força na organização da resistência aos ataques nos locais de trabalho e estudo para a luta de classes, em enfrentamento com a burocracia sindical.

Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores estivemos na linha de frente das batalhas contra o golpe e seus agentes, bem como contra Bolsonaro e os capitalistas. Lutamos pelo não pagamento da dívida pública, contra as demissões e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que todos trabalhem, e um plano de obras públicas controlado pelos trabalhadores para que os capitalistas paguem pela crise. Defendemos a liberdade de Lula sem apoiar a política do PT, e lutamos para que os juízes e procuradores sejam eleitos e revogáveis, com o mesmo salário de uma professora, e que os julgamentos de corrupção sejam por júris populares. Para isso, exigimos que as centrais sindicais cessem sua trégua e organizem um verdadeiro plano de luta para derrotar os ajustes do governo, dos capitalistas e o autoritarismo judiciário.

Demos essas batalhas a partir dos estados onde estamos como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Brasília, Rio Grande do Norte, Paraíba, entre outros e dos locais que atuamos como no Sindicato de Trabalhadores da USP enquanto minoria e na Federação Nacional de Metroviários de SP. Por Marielle paralisamos o curso de Serviço Social da UERJ na data em que se completava 1 ano de seu assassinato, onde dirigimos o Centro Acadêmico. O Pão e Rosas Brasil enviou uma carta ao PSOL e ao movimento de mulheres chamando a construção de um Encontro Nacional por Justiça para Marielle, na luta por uma investigação independente.

A serviço dessas batalhas, o Esquerda Diário, maior portal digital no Brasil à esquerda do PT, chegou a um recorde de 7 milhões de acessos em um mês. Impulsionamos as Edições ISKRA com a recente publicação “Brasil: Ponto de Mutação” que reúne artigos marxistas sobre o Brasil atual.

Essas iniciativas são parte da batalha pela construção de um partido revolucionário de trabalhadores, em diálogo com todos os militantes e simpatizantes do PSOL, que é um partido de tendências, a quem propusemos a entrada do MRT com nossas próprias bandeiras revolucionárias. Infelizmente, o PSOL aceitou todo tipo de correntes da esquerda, negando, entretanto, a entrada do MRT por sermos centenas de militantes em todo o país e termos o portal digital da esquerda com maior repercussão chegando a milhões de acessos. Ainda assim, por ser a principal organização que se reivindica socialista à esquerda do PT, seguiremos com um diálogo crítico e discussões permanentes para debater a necessidade da construção de um partido revolucionário dos trabalhadores no Brasil.




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