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Bolsonaro quer retirar o Coaf de Moro e negociar mais seis pontos com o congresso

Bolsonaro entra em conflito com Sérgio Moro para retirar COAF de sua alçada e passar para o super-ministério da economia de Guedes.

sexta-feira 26 de abril| Edição do dia

A justificativa de Bolsonaro é a de obter o apoio do Congresso à medida provisória que reduziu de 29 para 22 o número de ministérios. A MP vence em 3 de junho e necessita ser referendada pelos parlamentares.

Bolsonaro afirmou, em café da manhã com jornalistas: “Não me oponho em voltar o Coaf para o Ministério da Economia, apesar de o Paulo Guedes estar com muita coisa. Falei hoje (quinta) com o senador Fernando Bezerra (relator da medida provisória) sobre a votação. Tem um ponto ou outro. Se não aprovar, será uma bagunça. Teremos que ter mais sete ministros”.

Segundo apuração do Estadão, o governo aceita ceder em pelo menos outros seis pontos para evitar que a MP perca a validade. Moro perderia o controle sobre o Coaf e voltaria a ter a tutela da Funai, o que também não apoia.

O governo avalia ainda retirar de Moro a área de registro sindical, que foi incorporada à pasta após o fim do Ministério do Trabalho. Líderes afirmaram que, assim como o Coaf, a estrutura também deve ir para o Ministério da Economia. Um outro ponto na mesa de discussão é a transferência de competência da demarcação de terras indígenas do Ministério da Agricultura para a Justiça.

Para manter “nova política”, governo dará concessões a velha política

O discurso do Presidente Bolsonaro diz ser membro da “nova política” em detrimento a velha política. A fragilidade dessa tese se demonstra a cada dia. Os sete pontos que o governo cederá a “velha política” do congresso para manter extinto o corte dos ministérios, maior propaganda do governo eleito de que seria diferente, dá o tom para, inclusive, novos conflitos no governo.

O Ministro Sérgio Moro, que prendeu o concorrente de Bolsonaro e que assumiu um cargo em seu governo, considera um erro a troca do Coaf para o Ministério da Economia: “Estamos conversando com os parlamentares para manter o Coaf no Ministério da Justiça e Segurança Pública e esperamos convencê-los disso”, afirmou. “Essa integração é o que favorece a utilização da inteligência do Coaf no enfrentamento da criminalidade mais grave pelo ministério, inclusive de organizações criminosas.”

O conflito de interesses entre Bolsonaro e Moro é também o conflito entre da falsa “nova política” propagandeada pelo governo, que em medidas sucessivas se curva ao “toma-la-da-cá” do congresso de um lado, de outro a lava-jato e o engrandecimento do poder judiciário impulsionada em larga medida pelo ex-juiz, que acumula derrotas sucessivas no último período. Para garantir a “governabilidade” e evitar que seus interesses diretos sejam atingidos (investigação de Flavio Bolsonaro que apontou ligações com as milícias), o presidente agora se volta contra seu principal “trunfo”.

Bolsonaro é o filho ilegítimo do golpe perpretado por Michel Temer. O projeto da lava-jato, longe de querer acabar com a corrupção, é o de substituir um tipo de corrupção por outra, mais entreguista, imperialista e anti-operaria. O conflito que se inicia com a perda do Coaf por Moro tem o pano de fundo o conflito entre os distintos planos que envolvem as alas do governo, dos militares e ideológica, e pode, ainda em chave de hipótese, significar o prenuncio de conflitos maiores do projeto político da lava-jato com o governo, que a cada dia demonstra que se curva a “velha política” que Moro diz criticar.

Tudo a depender da efetividade do plano de ajustes brutais que o governo quer aprovar, para qual a lava-jato vem sendo usada de instrumento, com anuência do departamento de estado norte-americano.

Bolsonaro tem interesses diretos no esvaziamento do Coaf

O caso da COAF, envolvendo desvio de verba pública para a conta pessoal de Flávio Bolsonaro (o filho mais velho), que era feita através de um assessor seu, o grande conhecido Queiroz, que além de ser um policial reconhecido pelo seu número de assassinatos durante sua carreira profissional, tem ligações com milicianos, inclusive nomeando parentes deles para cargos na secretaria do então deputado que hoje é senador. Porém, para quem já condecorou na Assembleia Legislativa diversos policiais envolvidos em chacinas e mortes de inocentes em operações policiais e defendeu publicamente a legalização da atuação das milícias, isso não configura nenhuma novidade.

O interesse de conter o Coaf, portanto, é também um interesse “pessoal” para afastar a possibilidade de seguimento das investigações, que podem respingar no presidente. Ontem a justiça do Rio de Janeiro negou um novo pedido de Flávio para arquivar o processo.




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