Sociedade

SISTEMA PENITENCIÁRIO

Bolsonaro justifica chacina no Pará: "pergunta para as vítimas dos que morreram lá"

Ao se manifestar sobre a chacina que deixou 57 mortos no presídio de Altamira (PA), Jair Bolsonaro mostra seu desprezo pela vida dos pobres: “Pergunta para as vítimas dos que morreram lá o que eles acham; depois que eles responderem eu respondo a vocês”. Em um país que encarcera em massa e extermina a população negra e pobre, o bolsonarismo, junto a Sérgio Moro, se firmam com um discurso pelo recrudescimento e ratificação desta realidade perante a opinião pública.

terça-feira 30 de julho| Edição do dia

Na manhã de ontem (29), uma rebelião no presídio de Altamira, no Pará, terminou com a morte de 52 detentos, a segunda maior chacina dentro de presídios somente em 2019, fruto da superlotação carcerária brasileira. Mais um recorte gráfico da crise dos presídios no Brasil, onde se encarcera e extermina um alvo do qual sabemos onde mora e sua cor: a população pobre e negra. Fadados às condições sub-humanas do sistema penitenciário, nem mesmo mortos escapam da crueldade e desprezo do atual governo, que reforça seu autoritarismo.

Em conluio com Moro, que ontem sentenciou em suas redes sociais que os “responsáveis pela barbárie” “deveriam ficar recolhidos para sempre em presídios federais”, Bolsonaro hoje respondeu aos questionamentos de repórteres:

“Pergunta para as vítimas que morreram lá o que eles acham; depois que eles responderem eu respondo a vocês”.

Ou seja, a justiça de Bolsonaro, que se traduz em dizimar a população carcerária e reprimir o povo pobre e o povo negro nas favelas, pode muito bem tomar corpo na ação de uma facção criminosa contra outra, em um presídio controlado pelo Estado. Quer dizer, nas entrelinhas, que se Bolsonaro pudesse fazer isso legalmente, ele autorizaria agentes do estado a permitirem este tipo de ação.

Ambos compartilham um projeto que, sob o discurso de defesa da segurança pública e da redução da criminalidade que na realidade visa apenas legitimar a repressão. Como apontávamos em outra matéria:

“Assim como o discurso do governo para a economia é sempre a promessa de crescimento e emprego que destoa da realidade amarga de persistente crise econômica, o discurso de diminuição da criminalidade também não soa compatível com a realidade da maior parte da população. Pelo contrário, num contexto de estagnação econômica, com altas taxas de desemprego (12,9 milhões de brasileiros estão desempregados, mais 4,9 milhões de desalentados) e um cenário de duros ajustes contra a classe trabalhadora, com a retirada até da aposentadoria, a tendência é que a violência social cresça.”

Assustadoramente, no Brasil, 41,5% da população carcerária é composta por presos provisórios que não chegaram a ser condenados formalmente, mas que, fruto da polícia racista e da cumplicidade do judiciário, perante a vida já estão condenados de maneira arbitrária às truculentas condições que o Estado os reserva.




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