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Bolsonaro debocha de desempregados e defende "Programa para sentirem vida dura" dos patrões

Em entrevista com o Pastor Silas Malafaia, Bolsonaro defendeu a "vida dura" dos empresários no Brasil, chamando direitos trabalhistas de "privilégios". Debochando dos 13 milhões de desempregados, Bolsonaro disse que "Programa Minha Primeira Empresa", mostraria o perrengue dos patrões para aqueles que só reclamam.

terça-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

Ontem (3), Bolsonaro concedeu uma entrevista ao Pastor Silas Malafaia em seu canal no Youtube no Palácio do Planalto. Nesta entrevista, Jair Bolsonaro debochou dos desempregados dizendo que iria lançar o programa “minha primeira empresa” para quem reclama que não tem emprego. Bolsonaro também retomou o velho discurso da "dificuldade" que enfrentam os patrões no Brasil, afirmando que o país tem muitos "privilégios".

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“Eu tenho falado para o Paulo Guedes: Paulo lance o programa minha primeira empresa. O cara que reclama que não tem emprego, ele vai ter meios de abrir a empresa dele. Daí ele abre a empresa dele. Paga R$ 5 mil por mês para todo mundo, pra ninguém reclamar do salário e vai ser feliz. Vai dar certo, oh, Malafaia?”, questionou em tom de sarcasmo.

‌Enquanto o Brasil tem quase 13 milhões de pessoas em situação de desemprego e 28 milhões em condições de subemprego, somando à esse cenário catastrófico o crescimento cavalar dos postos de trabalho informais, Bolsonaro debocha e segue defendendo os empresários.

Ao lado do Congresso, Bolsonaro aprovou a reforma da previdência e uma série de medidas que aprofundam ainda mais a reforma trabalhista iniciada pelo golpista Michel Temer, elevando ainda mais a taxa de exploração e as miseráveis condições de trabalho, sem direitos e sem aposentadoria. Ainda assim, não é o suficiente para Bolsonaro, que ao lado de parlamentares, juízes e militares seguem ostentando altos salários e privilégios e que, durante a reforma previdenciária, garantiu a proteção à esses setores.

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Bolsonaro retomou o que já havia falado em outras situações que se o trabalhador quiser ter direitos, terá que escolher entre eles e seu emprego. Para Bolsonaro, o Brasil e os brasileiros possuem muitos "direitos", o que ele chama de privilégios. Ao contrário do que brada o reacionário presidente, não é esta condição que está colocada aos brasileiro, principalmente à população negra, como mostram pesquisas que apontam que negros são 82% dos resgatados do trabalho escravo no país.

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“O que adianta dar tanto privilégio ao trabalhador para não ter emprego?”, disse Malafaia, concordando com Bolsonaro, antes de ouvir o capitão, elogiar os EUA e voltar a atacar os trabalhadores brasileiros. Capacho dos Estados Unidos e de Trump, Bolsonaro volta a atacar trabalhadores e a população para defender as políticas reacionárias e seguir garantindo que sejamos o "quintal" dos EUA.


“Essa visão esquerdopata, de só pensar em privilégio acabou prejudicando os próprios trabalhadores. Rapaz, em que lugar é esse no mundo em que você paga multa. O cara tem fundo de garantia, todos os direitos, e ainda tem que pagar uma multa pra mandar o cara embora”, disse Malafaia, corroborado por Bolsonaro. “Ninguém vai mandar embora um bom empregado. Eles mandam embora quem não tá correspondendo”, afirmou.

Em meio à intensa crise e ao crescimento econômico ínfimo, com centenas de desabrigados após chuvas em Minas Gerais, falta de abastecimento de água no Rio de Janeiro, desemprego, salário mínimo que não é capaz de cobrir mesmo as necessidades mais básicas das famílias, Bolsonaro e Malafaia sentam e riem sobre as misérias que estão impostas aos brasileiros. É preciso se inspirar nos franceses e fortalecer todas as lutas contra este projeto de governo neoliberal, como a greve nacional dos petroleiros, para que os trabalhadores e todos os setores oprimidos possam enfrentar Bolsonaro e seu projeto de governo, para que a crise seja paga pelos seus verdadeiros donos: os capitalistas.




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