Marielle Franco

Batalhão denunciado por Marielle é alvo de mais de 200 inquéritos de investigação

Contra qualquer chance de serem casos isolados, os mais de 200 inquéritos contra o 41° Batalhão de Polícia Militar do Rio (Irajá) – o mesmo denunciado pela vereadora do PSOL, Marielle Franco, quatro dias antes de ser assassinada, na semana passada – demonstra todo caráter assassino da Polícia Militar no RJ e em todo o país.

Douglas Silva

Estudante da UFJF

quinta-feira 22 de março| Edição do dia

O 41° é investigado em 212 inquéritos no Ministério Público Estadual (MPE) do Rio que apura casos de homicídios. Só no período de abril de 2016 até hoje foram denunciados 23 PMs do batalhão.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada (Gaesp), os crimes em apuração são, na maioria dos casos, homicídios decorrentes de intervenção policial ou “autos de resistência”. Mas para o Gaesp, muitos dos casos são antigos, de difícil elucidação, porque já aconteceram há muito tempo. Um tempo em que, como gritavam os manifestantes nos atos por Marielle, “a polícia (pacificadora) passa, a dor fica”. Assim, os crimes policiais são arquivados ao longo do tempo junto ao Estado, também responsável por tantas mortes, enquanto o que sobra é a dor de tantas famílias que são obrigadas a conviver com a impunidade de uma polícia com as mãos sujas de sangue.

Desde 2013, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio, o 41º é recordista em homicídios cometidos pela polícia no Estado, entre todos os batalhões. Nos últimos dez anos, a média anual na área dos bairros atendidos pela unidade, na zona norte, foi de 57 mortes. De 2008 ao ano passado, o pico foi em 2016. Foram 92 homicídios, quase o dobro do verificado em 2015 (48). Em 2017, foram 69 registros. E até agora a única ação do Gaesp foi palestras para os PMs “diminuírem a letalidade”.

Além dos vários casos de homicídios incluídos entre os 212 inquéritos contra o batalhão, os PMs também estão envolvidos na chacina de Costa Barros, há dois anos. Na ocasião, cinco jovens foram assassinados em um carro, que foi atingido 111 vezes. Outro caso envolvendo os PMs foi a morte da menina Maria Eduarda Alves, de 13 anos, alvejada no pátio da escola enquanto os policiais do 41° faziam operação na região, em 2017.

Pela falta de qualquer investigação e resposta aos mais de 200 inquéritos envolvendo os policiais do 41° batalhão por parte do Estado ou pelo próprio Gaesp, é que dizemos que não podemos depositar nenhuma confiança nas instituições policiais e no Estado para investigar o assassinato de Marielle e de tantos outros mortos pela mesma polícia assassina.

Por isso é necessário que sejamos dezenas e dezenas de milhares nas ruas para fazer a terra tremer por justiça por Marielle e todos aqueles mortos pelo Estado e sua polícia. Precisamos tomar as ruas e nos organizar em cada local de trabalho e estudo para avançarmos na luta, lutando pelo fim das UPPs, da intervenção federal no Rio e impondo uma investigação independente a partir da mobilização.




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