Política

PARTIDO DA TOGA

Autoritário, Toffoli reafirma censura das entrevistas com Lula

Escancarando mais uma vez o peso das forças golpistas do STF, o mais novo presidente da Corte, Dias Toffoli, na noite desta segunda-feira (01), mais uma vez vetou os pedidos de entrevista com ex-presidente Lula

Douglas Silva

Estudante da UFJF

terça-feira 2 de outubro| Edição do dia

Contrariando a decisão de Ricardo Lewandowski, Toffoli ordena que seja cumprida a censura imposta pelo ministro Fux por meio de liminar, às vésperas das eleições.

Lewandowski havia autorizado entrevista do petista preso a Florestan Fernandes e ao jornal Folha de S.Paulo, em sua autorização destacava o quanto é comum casos de presos entrevistados pelo país. Entretanto, Fux derrubou a decisão na noite de sexta-feira.

Na segunda, Lewandowski retomou sua decisão de conceder autorização para que Lula fosse entrevistado, com duras críticas as arbitrariedades da manobra de Fux. Porém, Toffoli, o mesmo que diz preferir chamar o golpe militar de “movimento”, assumiu a outra ponta da “guerra de corda” entre os ministros, e resolveu intervir junto a Fux.

Respondendo ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que queria saber qual decisão prevalecia, Toffoli definiu que: “A fim de dirimir a dúvida no cumprimento de determinação desta Corte, cumpra-se, em toda a sua extensão, a decisão liminar proferida, em 28/9/18, pelo vice-presidente da Corte, Ministro Luiz Fux".

Determinou que o plenário delibere sobre os pedidos de entrevista, sem deixar indicado a data, garantindo que no primeiro turno, ou até mesmo no segundo, esse assunto não volte a interferir no processo eleitoral.

A “contra-decisão” de Fux visa marcar terreno e mostrar a força da ala “lava jato” seja para garantir que o STF garanta a continuidade do golpe ou, como mínimo, para que os termos de pacto sejam o mais à direita possível.

Nesse momento de atrito dentro do “partido da toga” no STF, Toffoli fala em respeito ao pacto de 88, porém mostra que qualquer tentativa de promover uma repactuação do regime, tal como propõe o PT, será um pacto com o diabo a serviço de atacar os trabalhadores.

Seguirão com suas medidas arbitrárias, de censura e de aproximação sucessiva com ideias golpistas alinhadas ao fuzil. Dessa vez, usam para distanciar ainda mais Haddad de Lula, sendo fantoche para aplicar os ajustes neoliberais. Afinal, a manipulação dessas eleições pelo judiciário, tutelada pela politização a direita das Forças Armadas, é o que vem “ditando as cartas” no tabuleiro eleitoral.

O que está cada vez mais claro é que a toga carrega consigo o aprofundamento do golpe ou, ao menos, busca pressionar o PT ainda mais à direita nessas eleições e se comprometa até o fim a ajoelhar-se aos mercados, o que não se dará sem contradizer-se com a sua própria base de votantes, esperançosos que ele se oponha a esses interesses inerentes ao golpe. Uma posição que quanto mais a figura de Lula está distante do governo Haddad, menos força política ele terá para contrariar os seus possíveis aliados golpistas, e sirva de fantoche dos mandos do imperialismo no país.




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