Juventude

FESTIVAL/ATO PELAS COTAS NA UNICAMP

Auditório lotado na Mesa que debateu as punições racistas a estudantes

Como parte do Festival/Ato pelas cotas e do processo decisivo sobre a adoção de cotas étnico-raciais na UNICAMP, foi realizada uma Mesa para tratar das punições que a universidade quer impor a estudantes negros que participaram da histórica mobilização do ano passado pelas cotas, contra os cortes e pela permanência na universidade.

segunda-feira 29 de maio| Edição do dia

Com o nome “Desafios além das cotas”, a Mesa contou com a participação dos dois estudantes que estão sendo processados pela Unicamp, o estudante de Geografia Guilherme Montenegro, membro do DCE, e o estudante de Música Fábio Eduardo (Du Kiddy). Estavam no debate também Teófilo Reis, estudante da Pós-Graduação em Sociologia e funcionário, que enfrentou a perseguição política e racismo institucional da universidade no ano de 2015 e, como mediadora, a estudante Taina Aparecida Santos, estudante de História, ambos também membros do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp.

As intervenções partiram do repúdio à ação racista da reitoria e de um setor de docentes contra estes estudantes. Os debatedores evidenciaram como a seletividade feita em meio à mobilização coletiva da greve, bem como as arbitrariedades dos processos administrativos, reafirmam o caráter racista da Unicamp e o objetivo da burocracia universitária de “punição exemplar” contra a ação política na qual estes estudantes foram protagonistas junto a centenas de outros. A Unicamp viu seu projeto meritocrático e excludente ser confrontado pela reivindicação que esse grande movimento trouxe, por isso tenta punir os que lutam para seguir impondo seu projeto elitista.

O processo mais avançado é o do estudante Guilherme, no qual a comissão o obriga a escolher entre o trabalho não remunerado de 10 horas semanais (o que somado à contrapartida de sua bolsa estudantil se transformaria em 25 horas semanais) ou a sua suspensão da universidade, infringindo inclusive a constituição ao tentar impor um trabalho “comunitário” sendo que não há multa alguma a ser paga pelo estudante.

Os integrantes da Mesa compartilharam sobre as suas experiências pessoais e também resgataram a produção de intelectuais negros enriquecendo a discussão, como a citação de uma carta de Ta-Nehisi Coates a seu filho quando soube que os assassinos de Mike Brown seriam absolvidos. Marcaram o peso que possuem as punições para esses jovens, que estão tendo suas vidas e trajetórias totalmente afetadas pelos processos que estão respondendo. Esse peso é ainda maior por se tratar de estudantes negros, que já enfrentam o racismo cotidianamente em relações que estabelecem dentro e fora da universidade.

Como perspectiva o debate colocou a necessidade de uma grande campanha para reverter as punições, que envolva o mais amplo apoio de todos que lutaram pelas cotas, da comunidade universitária e também da população. É fundamental a mais ampla participação de todas as entidades estudantis na articulação dessa campanha, o DCE e centros acadêmicos, junto aos diversos coletivos da universidade podem articular a derrota das punições racistas e armar todo o movimento estudantil para os desafios que virão.




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