MACHISMO E LBGTQIFOBIA

Ato está marcado contra seminário machista e LGBTQIfóbico promovido pela PUC-Rio

Coletivo Madame Satã, da PUC-RIO, convoca para o ato em repúdio ao "Seminário de Ideologia de Gênero" ministrado por Dom Antônio Augusto, que vem promovendo um discurso excludente, machista e LGBTQIfóbico acerca das questões de gênero, o ato acontecerá no dia 19 de agosto, às 14h, no Auditório Pe. Anchieta da PUC-Rio.

quarta-feira 9 de agosto| Edição do dia

Link do evento aqui

Kellvin, militante do coletivo Madame Satã e organizador do evento nos enviou esse texto como colaborador ao Esquerda Diário:

PUC-Rio promove seminário machista e LGBTQIfóbico

Foi divulgado pelo Programa de Liderança Católica da PUC-Rio um evento chamado “Seminário de ‘Ideologia’ de Gênero” para o próximo dia 19 de agosto, na universidade. O lecionador, Dom Antônio Augusto, é bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e desde 2015 tem promovido um discurso perigoso acerca do delicado e importante tema.

A questão do gênero e da sexualidade é pautada, majoritariamente, por duas terminologias: identidade e ideologia. Dessa forma, inegavelmente é estabelecida uma disputa conceitual entre as frentes que se apropriam de cada uma delas. A primeira, utilizada pelas frentes progressistas e movimentos sociais, legitimam as ações políticas por meio das conflituosas espacialidades, sociabilidades e afetividades que tensionam valores que não correspondem à organização heterossexual e patriarcal. Já o termo ideologia sequer costuma ser usado pela população de mulheres e LGBTQI. É comum que o mesmo seja identificado em discursos de lideranças políticas conservadores e cristãs. O exemplo mais recente é Jair Bolsonaro, que afirmou no último dia 02 de agosto, em votação no caso Temer que “para ser uma grande nação, o Brasil precisa de um presidente honesto, cristão e patriota”.

Honestidade, cristandade e patriotismo constituem uma tríade presente em vários casos criminosos nos quais os alvos foram mulheres cis, mulheres transexuais e LGBTQIs em geral. É nesse ponto que a terminologia enquanto ferramenta educativa produz pensamentos e práticas cotidianas que produzem e reproduzem o genocídio da população trans e o feminicídio. Dessa forma, temos três pontos principais:
1) a materialização da desonra enquanto conflito moral;
2) a demonização enquanto o mal a ser combatido pelo cristianismo e;
3) a invisibilização, violência física e assassinato dos corpos enquanto não reconhecimento de uma pessoa patriota que, pelo ponto de vista conservador e reacionário, deveria ser cristão.

Assim, temos um país que a cada 28 horas assassina uma pessoa LGBTQI (fonte: Grupo Gay da Bahia, 2016) e que a cada 24 horas são assassinadas 13 mulheres (fonte: Mapa da Violência
Contra a Mulher, 2015). Em contrapartida, no Brasil, não há nenhuma base estatística que apresenta massacre sobre as instituições evangélicas e católicas, que coincidentemente são as mesmas que disseminam os discursos que fomentam o ódio às mulheres e LGBTQIs.

Como forma de resistência, transformação e valorização da diversidade cultural, os grupos prejudicados por tal lógica misógina, transfóbica e LGBTQIfóbica têm buscado minimizar os impactos dessa segregação promovendo atividades culturais em espaços públicos, ocupando espaços nos sistemas de justiça e de saúde, e propondo disciplinas acadêmicas e no ensino básico.
Em uma relação desigual de poder na qual as instituições cristãs e patriarcais em geral detém os recursos financeiros e militares, é árduo manter uma luta coletiva LGBTQI interseccional como a do Coletivo Madame Satã. Apesar dos ótimos resultados obtidos no último ano, como uma maior aproximação entre pessoas LGBTQI do Brasil no coletivo e a articulação com outras frentes do
setor de saúde, educação e justiça, ainda precisamos superar a contradição e as falácias que a igreja apresenta ao utilizar um espaço universitário de grande influência nacional para disseminar valores que intensificam uma série de violências e assassinatos no país.

No mesmo dia 19 de agosto, às 14h, no Auditório Pe. Anchieta da PUC-Rio, o Coletivo Madame Satã estará presente para um ato contra o “Seminário de ‘Ideologia’ de Gênero”link aqui, somando força com outras frentes sindicais e de militância. O objetivo é fazer do espaço um ambiente de reflexão, evidenciando os perigos do discurso de Antônio Augusto, para mostrar que a vida das mulheres e pessoas LGBTQI importam e precisam ser preservadas. Todas as pessoas que acreditam nesta luta estão convidadas.




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