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MARÍLIA

Ato e greve das merendeiras esta manhã em Marília/SP mostra a força e união das trabalhadoras!

quinta-feira 20 de outubro| Edição do dia

Segundo as merendeiras, o atraso no repasse da prefeitura à empresa tem sido recorrente há meses, o que gera atrasos nos pagamentos de contas das famílias, e dificulta as condições de vida das trabalhadoras. Nesta quinta-feira completariam 13 dias de atraso no salário deste mês. Mediante a este cenário, as trabalhadoras resolveram entrar em greve por tempo indeterminado, e realizaram uma importante manifestação na frente da prefeitura nesta manhã (20/10).

As trabalhadoras mostraram grande poder de mobilização, paralisando em praticamente todas as escolas da cidade, desta forma a prefeitura se viu obrigada a recuar prometendo efetuar os pagamentos ainda hoje. Não é possível ter confiança na palavra da prefeitura, e as trabalhadoras mostram estarem atentas e dispostas para se caso de não cair o salário continuarem a mobilização, mas o sindicato da categoria anunciou que com o pagamento realizado as trabalhadoras devem voltar ao trabalho amanhã.

Na manifestação desta manhã, além das merendeiras, foi também fundamental a presença de secundaristas das escolas, que vieram mostrar apoio e unidade na luta, principalmente os estudantes da E.E.Prof. Edson Vianei Alves. Os estudantes gritavam: “Ih fora, sem merenda, sem escola”, “Meu lanchinho, não vou comer, as tias estão de greve e não vão receber”. As merendeiras gritavam ao prefeiro “Vinicius, cada você, eu vim aqui pra receber”, e “Merendeiras unidas jamais serão vencidas”.

Também estiveram presentes professores do grupo Professores Pela Base e estudantes universitários da Unesp, do grupo Faisca Anticapitalista e Revolucionária, que deram todo apoio com seus cartazes.

O professor Diego Damaceno, do Professores Pela Base afirmou durante o ato ao Esquerda Diário: “Nós, professores sindicalizados que estamos neste ato, nos vemos na obrigação de apoiar esta luta, e queremos batalhar para que nosso sindicato construa uma unidade com as merendeiras, e com os estudantes secundaristas, unificando as lutas pela educação.”.

As funcionárias da merenda das escolas estaduais de Marília não são contratadas diretamente pelo Estado ou pela prefeitura, mas por uma empresa terceirizada chamada Soluções Terceirizadas. O município tem o encargo de fazer o repasse de verba à empresa. No regime de trabalho terceirizado é comum a falta de direitos trabalhistas, atraso de salários, instabilidade no emprego, perseguições políticas, e todo tipo de precarização do trabalho. Sobre este ponto, a estudante Pâmela Vaz, da Faisca, argumentou: “É muito importante arrancar da prefeitura o pagamento de salários atrasados, mas temos que lutar também para que essas funcionárias sejam efetivadas sem necessidade de concurso público, para que tenham mais direitos garantidos, estabilidade no trabalho, e que acabe este tipo de situação, como do atraso recorrente de salários. Em geral quem mais sofre com as condições de trabalho da terceirização no Brasil são mulheres, e negras, se colocar nesta luta é também lutar contra esta forma de racismo e machismo perpetuada em nosso país!”.

Este não foi o primeiro ato ocorrido na cidade de Marília esta semana em torno da questão da educação, anteontem, na terça-feira (18/10), os secundaristas realizaram importante manifestação no centro contra a Reforma do Ensino Médio, e a PEC 241, que noticiamos aqui, sobre este aspecto o estudante Douglas Martins, da FaÍsca, apontou: “No país inteiro estão avançando mobilizações contra os ataques do governo à educação, só no estado do Paraná já são cerca de 700 escolas ocupadas. No ato de terça-feira gritamos que “São Paulo vai virar o Paraná”, hoje a presença dos secundaristas gritando “Paga as tias que trabalham todo dia”, demonstrou solidariedade de classe, e grande consciência, mostrando entenderem que estas lutas são uma só!”.

O professor Breno Cacossi, também do Professores Pela Base, pontuou: “Além dos ataques nacionais à educação, e também estaduais, em Marília particularmente vivemos uma situação de calamidade nas escolas, alguns bairros, principalmente da Zona Norte, estão sem abastecimento de água há dias, faltando água em escolas e casas dos alunos, e agora este problema com as merendas mostra que precisamos nos mobilizar de forma unificada e urgente! Como é possível ensinar e aprender sem água neste calor, sem comida, com professores mal pagos, com funcionárias da merenda sem receber?”.




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