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Assembleia geral já pra organizar a luta contra o Ensino Remoto na UFRN!

A Reitoria autoritária da UFRN aprovou um semestre obrigatório e remoto sem garantir que todos os estudantes tenham acesso em meio ao pico da pandemia no Estado. Os estudantes organizaram um twittaço na última quinta-feira (23), que fez com que seu repúdio ficasse entre os assuntos mais comentados do Twitter, evidenciando sua indignação e disposição de luta, por isso é urgente que o DCE da UFRN convoque uma assembleia geral dos estudantes, para que se possa organizar uma mobilização que imponha um plebiscito que defina os rumos da universidade, onde quem decida seja a própria comunidade acadêmica.

sábado 25 de julho| Edição do dia

A Reitoria da UFRN aprovou semana passada o semestre 2020.6 obrigatório e remoto, que na própria minuta se colocou a não garantia de auxílio para todos os estudantes. Frente a situação pandêmica do Rio Grande do Norte de 46.683 casos confirmados e 1.666 óbitos, além do aumento do desemprego com 53.151 demissões este ano, a Reitoria reduziu e cortou brutalmente as bolsas de estudantes e ainda quer obrigá-los a fazerem um semestre por ensino remoto. Este tem sido o mesmo percurso excludente de quando foi aprovado o semestre 2020.5. Inclusive o próprio DCE da UFRN realizou uma pesquisa, na qual constatou que 75% dos estudantes são contrários a implementação do ensino remoto.

Isso deixa claro que o projeto de educação da Reitoria vai na contramão de por as universidades a serviço dos estudantes e trabalhadores. Uma das resoluções mais escandalosas é o auxílio instrumental, aprovado no valor de R$ 600,00 e exclusivo apenas para estudantes com renda equivalente a no máximo um salário mínimo como renda per capita e aprovado em contrapartida com a suspensão dos salários dos trabalhadores terceirizados do Restaurante Universitário. Uma medida escandalosa que exclui e impossibilita a permanência de milhares de estudantes e que coloca seus interesses em contraposição à manutenção de famílias trabalhadoras.

Tal projeto, não atoa, faz parte dos próprios interesses do governo Bolsonaro-Mourão de sucatear as universidades públicas, como é evidente desde o começo de 2019, quando começaram duros cortes na educação, ataques reacionários ideológicos e afins. A Reitoria implementa esses projetos federais na UFRN, o que foi possível notar quando o Reitor não se posicionou quanto a implementação do Future-se e como reagiu aos cortes de verbas. Para Bolsonaro, militares e privatistas, o melhor possível é que se implemente de fato o ensino remoto nas universidades, precarizando-as e expulsando os estudantes negros e pobres de dentro delas, porque esse é um caráter racista do próprio governo, que, inclusive, mostra-se claro na fala do seu ex-ministro da educação Abraham Weintraub que disse “não querer mais” sociólogo, antropólogo e filósofo com “o seu dinheiro”, ou com recursos vindos de impostos. Este mesmo ministro que foi substituído por um militar reacionário assim como muitos outros que estão no governo.

A situação no país é assustadora e, frente a isso, os entregadores mostraram um caminho no começo do mês com o primeiro breque dos apps e hoje no segundo breque. Esse exemplo dos trabalhadores que começam a se auto-organizar tem que ser seguido pela juventude que se indigna contra o governo e contra a Reitoria.

Em um caminho oposto a esse, o DCE da UFRN, que é composto pelo Juntos (PSOL), PCB e PCR, cumpriu um papel de fazer com que a indignação estudantil se canalizasse para desenvolver um projeto alternativo de implementação de ensino remoto, que necessariamente significaria a implementação do ensino remoto, em um modelo menos pior, o que evidentemente foi completamente ignorado pela Reitoria. Estamos em um momento eum que a universidade não devia estar servindo para garantir crédito, mas sim para garantir a produção de conhecimento a serviço da população e da classe trabalhadora que enfrenta a pandemia.

Nós da Faísa denunciamos essa atuação de organizações que se colocam como oposição à direção da UNE, composta pelo PcdoB, PT e Levante Popular da Juventude, que desde o início da pandemia colaboram com a implementação de EAD, como com a realização de um podcast sobre a garantia do ensino democrático com o Reitor da UNICAMP, uma das primeiras a implementar o ensino remoto obrigatório, medida que prejudiou diversos estudantes, em especial indígenas e quilombolas.

Nos recusamos a desvincular esse tipo de atuação das respostas políticas oferecidas frente à crise sanitária, econômica e política, na qual o negacionismo e reacionarismo de Bolsonaro, Mourão, os militares é respondido com medidas de estabilização das crises políticas pelos governos do PT e do PcdoB no Nordeste, como Fátima Bezerra no RN, que chegou a afirmar que o governo federal teria compromisso com a população e são signatários de um mesmo impeachment “popular” como as organizações que compõe a gestão do DCE, que deposita a confiança na reacionária Câmara dos Deputados e no STF que manipulou as últimas eleições presidenciais e aprovou a terceirização irrestrita, para defender seus interesses, colocando máxima hierarquia em derrubar Bolsonaro, contra quem compartilhamos o mesmo ódio, mas não esquecemos o saudosista militar General Mourão que é seu vice.

A luta contra Bolsonaro deve apontar o caminho para tirar das mãos dos militares e dos autoritários juízes os rumos do país. Não basta mudar os jogares, é necessário mudar todas as regras desse jogo golpista, racista e anti-operário. Por isso defendemos uma nova Constituição, cujas leis sejam definidas pelos trabalhadores, pobres e oprimidos, enfrentando contra os interesses capitalistas para resolver cada demanda candente da população, impondo pela luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.

É preciso que nós estudantes tomemos o rumo do movimento estudantil nas nossas próprias mãos para podermos decidir. Nós defendemos o chamado imediato de uma assembleia geral para poder se organizar e impor um plebiscito para decidirmos o rumo das universidades. A defesa de que nenhum estudante fique para trás não pode se transformar em palavras ao vento, mas uma batalha para que isso verdadeiramente não ocorra.




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