Sociedade

'QUEIMA DE ARQUIVO' NO CASO MARIELLE

Jornais e polícia divulgam assassinato como "queima de arquivo" relacionada ao caso de Marielle

segunda-feira 9 de abril| Edição do dia

Um assassinato ocorrido na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro foi amplamente divulgado pela mídia nacional como "uma queima de arquivo relacionada ao caso Marielle". A Taquara é uma região que é conhecida por disputa entre mílicias e o tráfico de drogas, e o assassinado era assessor de um vereador que teve que depor no caso de Marielle.

Para agravar as suspeitas no caso, também teve ampla divulgação na mídia que uma testemunha do assassinato teria ouvido: " "Chega para lá que a gente tem que calar a boca dele". Depois, o assassino teria abrido fogo.

Independentemente da veracidade das informações prontamente divulgadas pela mídia vem ocorrendo uma crescente divulgação de notícias por parte das forças policiais e pelas Forças Armadas de crimes atribuídos às míliciais. Recentemente houve operação policial que resultou em prisão de mais de uma centena de pessoas acusadas de pertencer à milícia mas - estranhamente - o líder teria se evadido. Combater "maças podres" mas mantendo intactas estruturas pode ser um caminho não somente para oferecer uma resposta à demanda por justiça por Marielle mas inclusive maior legitimação à intervenção federal.

A hipótese levantada pelos investigadores e divulgada pelos grandes meios de comunicação é de que o assessor do vereador Siciliano (PHS) teria algum tipo de ligação com milícias, aponta mais uma vez para a participação de grupos paramilitares ligados as forças repressivas do estado. O envolvimento de tais grupos também reforça a necessidade de uma campanha por uma investigação independente, pois não confiamos que se saberá a verdade para lutar por justiça para os assassinatos de Marielle, Anderson, e agora de Alexandre, pelas mãos das instituições que estão enfiadas até o pescoço nessas execuções. Para saber a verdade precisamos impor uma investigação independente que tenha livre acesso a todos elementos do processo e dos inquéritos, e assim possa conduzir uma investigação independente realizada pelos organismos de Direitos Humanos, pelos sindicatos e organizações comunitárias.




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