Gênero e sexualidade

#30J TOMAR A GREVE GERAL EM NOSSAS MÃOS

As professoras precisam “tomar a greve geral em suas mãos”

A vida dos professores é penosa e bastante miserável em nosso país. Os professores cumprem jornadas de trabalho extenuantes, se revezando em 3 turnos de trabalho que muitas vezes não são na mesma escola.

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

quinta-feira 22 de junho| Edição do dia

No Estado de São Paulo, o professor do ensino fundamental recebe R$ 10,43 a hora/aula e o professor do ensino médio recebe R$12,08 para cada aula dada. Não precisa ser um mestre de matemática para fazer um conta rápida e ver que para receber um salário que esteja de acordo com os gastos mensais de uma família, os professores precisam de desdobrar em muitas aulas semanais para tentar ter uma vida digna.

Essa situação é ainda mais gritante para as mulheres que são professoras, já que além da jornada de trabalho que cumprimos nas escolas, precisamos arcar com todos os cuidados da casa, dos filhos e da vida familiar. Exercemos muitas vezes uma tripla jornada de trabalho ou até mais, já que nos revezamos entre as escolas de manhã, tarde e noite e depois deixamos tudo pronto em nossas casas para o dia seguinte.

Dormimos pouco e trabalhamos muito. Além do serviço doméstico não remunerado, também precisamos usar nosso final de semana e todo o tempo livre para preparar aulas, corrigir provas e fechar notas, sem ganhar nenhum centavo de hora extra pelo trabalho obrigatório que fazemos de nossas casas.

As professoras são vistas historicamente como cuidadoras, a continuidade da família no âmbito escolar, para a sociedade somos nós que devemos cuidar e educar as crianças. Por isso, as professoras são julgadas o tempo todo por seu comportamento, por sua vida social e por suas escolhas.

Os governos que tem uma política sistemática de precarizar a educação pública, propagam que devemos trabalhar por amor e colocam uma discussão moral de que quem educa não deve se preocupar com dinheiro. A cada greve que fazemos a mídia que trabalha em função dos poderosos, sai alardeando que a educação nunca pode parar e que somos todos vagabundos.

Nós, que acumulamos funções e que amargamos nesse ano com o fechamento de centenas de salas de aula, o que nos obriga a completar nossa jornada em três, quatro, cinco até seis escolas. Que nos deslocamos de ônibus, muitas vezes para cada uma dessas escolas, com um vale transporte medíocre e um vale alimentação de R$8,00 por dia.

Enquanto isso, os políticos seguem ganhando muito dinheiro sem trabalhar. Está na cara de todo mundo a roubalheira generalizada e a organização de cartéis entre a política brasileira e os grandes empresários, que vendem para gente a carne de papelão da JBS e submetem nossos filhos à péssima alimentação destinada aos trabalhadores na sociedade capitalista.

Mas não para por aí. Precisamos lecionar em salas de aula super lotadas, sem giz, sem folha sulfite, em muitas escolas sem papel higiênico. Perseguidas pelos políticos conservadores que querem impor o nosso silencio nas escolas, tentando nos calar frente as mazelas e a miséria brasileira. Tentando impedir que a gente diga a verdade para os nossos alunos. Dizem que os professores fazem ideologia nas salas de aula, pois querem que a única ideologia conhecida seja a da super exploração, do racismo, do machismo e da homofobia.

Para consolidar seu projeto, estão levando à frente uma série de reformas que atacarão frontalmente o conjunto dos trabalhadores, como a já aprovada terceirização irrestrita, que permitirá o fim do concurso público e a contratação terceirizada do trabalho docente, com salários ainda mais baixos e sem direitos trabalhistas.

Temer, aliado ao golpista Geraldo Alckmin, não vê a hora de aprovar a Reforma Trabalhista que acabará com a CLT e seu conjunto de regras como férias remuneradas, descanso semanal remunerado, imporá uma jornada de trabalho de 80 horas semanais e de 12 horas diárias. Mas ainda é pouco, querem que trabalhemos até morrer com a Reforma da Previdência.

Nós que estamos em sala de aula, sabemos muito bem o significado de ter que trabalhar até os 65 anos. Todos esses ataques serão brutais para nós mulheres, que trabalhamos mais que os homens, já que nosso trabalho segue para a rotina da casa, além do que começamos a trabalhar primeiro, sem carteira assinada e sem remuneração com o trabalho doméstico.

Por tudo isso, não podemos aceitar passivamente os ataques que querem desferir contra nós. Precisamos nos organizar e combater as reformas e esse governo de ajustes. Nosso sindicato, a APEOESP não está preocupado em organizar nossas forças, no dia da ocupação em Brasília se negou a adiar as eleições sindicais e garantir ônibus para que fossemos lutar junto à milhares de jovens e trabalhadores.

Precisamos confiar em nossas próprias forças, formando em cada escola e junto à comunidade escolar comitês de luta contra as reformas, organizando centenas de professores e estudantes para que sejamos nós os sujeitos de nossa luta. No próximo dia 30 uma greve geral está sendo convocada, as professoras devem ser linha de frente dessa mobilização, tomando a greve geral em nossas mãos.

Podemos derrotar os ataques e lutar para uma saída de fundo para o nosso país, discutindo em cada comitê a necessidade de uma nova constituinte que anule em primeiro lugar os ataques que já foram implementados, que votemos para que todo político ganhe o mesmo salário que uma professora da rede pública, mas também que sirva para discutir os rumos de nosso país para que sejam os capitalistas que paguem




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