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As mansões e a falta de moradias em SP, o sintomático caso do tucano Dória

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, existem na capital paulista, conforme os critérios da prefeitura, 1840 imóveis classificados como "mansões". Geralmente com mais de 700 m² de área construída, esses imóveis representam apenas 0,1% do total da cidade, porém ocupam área equivalente ao dobro do Parque do Ibirapuera. O quinto imóvel mais caro da cidade é do candidato tucano Dória.

terça-feira 26 de julho de 2016| Edição do dia

Foto: Mansão do pré-candidato tucano Dória, divulgada pela Folha de São Paulo

Nessa área, que abriga menos de duas mil famílias de empresários e especuladores, seria possível construir casas populares para cerca de 107 mil famílias, o que corresponde a quase um terço do déficit habitacional de São Paulo, composto por centenas de milhares de famílias que vivem nas ruas, favelas e em áreas suscetíveis a desmoronamentos ou enchentes.

Entre os moradores dessas mansões está o pré-candidato a prefeito pelo PSDB, João Dória; seu imóvel é o quinto mais caro da capital. Legítimo representante da burguesia nas eleições de outubro, Dória não está nem um pouco preocupado com essa crônica falta de moradia. Pelo contrário, ao invés de propor o uso de terrenos da prefeitura e desapropriações para acabar com o drama da habitação, o postulante tucano já declarou que pretende vender diversos bens públicos, como o Estádio do Pacaembu, o Autódromo de Interlagos e o Anhembi. Essa é uma ideia que permeará as próximas eleições: conceder tudo à iniciativa privada, para supostamente compensar a redução orçamentária causada pela crise.

Mas é a própria iniciativa privada (ou seja, os patrões) a causadora da falta de moradias adequadas. A especulação imobiliária valoriza (ou "degrada" para depois revalorizar, como o Centro) regiões da cidade, que se tornam redutos da burguesia, como os Jardins e o Morumbi. No auge do lulismo ocorreu uma grande expansão do setor de construção civil, colocando no mercado milhares de novos imóveis, muitos dos quais foram comprados por especuladores e empresas, que esperam a região se "valorizar", para conseguir revender com lucros, enquanto os imóveis ficam vazios e sem nenhuma serventia para a população.

Para que os trabalhadores tenham moradia digna é preciso expropriar os imóveis ociosos e as grandes áreas das mansões, estatizando-os e destinando-os para a construção de casas populares, custeadas pelos recursos do não-pagamento da dívida pública. Para termos a garantia de que os recursos serão bem empregados, a própria população trabalhadora é quem deve planejar e executar a construção dessas novas moradias.

Existe espaço e dinheiro para acabar com o déficit habitacional! Ele não acaba porque a especulação imobiliária é lucrativa. É preciso multiplicar as vozes anticapitalistas, o Esquerda Diário está aberto para trazer opiniões de esquerda, denúncias do que acontece aqui em São Paulo e em todo país. Essas vozes precisam se multiplicar nos locais de trabalho e estudo.




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