TRANSPORTE PÚBLICO

Após dois anos de inquérito, trensalão deve ser alvo de denúncia

Após dois anos da conclusão do inquérito, a Procuradoria da República em São Paulo deve apresentar uma acusação formal do cartel dos trens no Estado, que tem 33 indiciados, dentre estes nenhum político, apesar de tais crimes terem sido ocorridos e apoiados durante as gestões do PSDB.

Rafaella Lafraia

São Paulo

segunda-feira 21 de novembro| Edição do dia

No final de 2014, a polícia federal concluiu o inquérito sobre o esquema de fraudes em contratos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), conhecido como o cartel dos trens no Estado ou Trensalão. No inquérito aponta-se a participação de ex-diretores e ex-presidente da CPTM, executivos de multinacionais, lobistas e empresários nos crimes de corrupção ativa e passiva, formação de cartel, lavagem de dinheiro, crime licitatório e evasão de divisas entre 1998 e 2008, durante as gestões do PSDB – Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, como apresentado no Estado de São Paulo.

Após dois anos da conclusão do inquérito, a Procuradoria da República em São Paulo deve apresentar uma acusação formal do cartel dos trens no Estado, que tem 33 indiciados, mas nenhum político. De acordo com a assessoria do Ministério Público Federal (MPF), o caso será concluído em 2017, mas não antecipou qual providência será tomada e ainda alegou que a demora a conclusão do caso se deve ao fato da polícia federal ter concluído o inquérito sem o resultado das colaborações internacionais com autoridades de Suíça, Alemanha e Uruguai.

A possibilidade de enquadramento dos investigados em crime de formação de quadrilha, segundo fontes do MPF, foi abandonada porque a pena prescreveu. Ou seja, a justiça paulista conseguiu blindar os grandes políticos do PSDB.

Durante o período do inquérito o próprio Ministério Público Estadual de São Paulo havia pedido a prisão e apresentou diversas denúncias contra os suspeitos de envolvimento no cartel, mas, até o momento ninguém foi punido.

Por meio de nota, o ex-presidente da CPTM, Mario Bandeira, e o ex-diretor José Luiz Lavorente, que são alguns dos indiciados, negaram participação em atos ilícitos e defenderam os contratos celebrados durante sua gestão. O presidente da TTrans, Massimo Giavina-Bianchi, também negou participação nas irregularidades.

A Alstom, grupo industrial francês que atua na área de infraestrutura de energia e transporte, afirmou que não comenta processos em andamento e que “vem colaborando com as autoridades sempre que solicitada e que opera de acordo com um rigoroso código de ética e com todas as leis e regulamentos dos países onde atua”.

Não devemos nos enganar com a justiça, pois, apesar da promessa de denuncia das fraudes de licitações em favor de superfaturamento de gigantes empresas internacionais, o fato de demorar tanto tempo para se tomar providencias favorece as mesmas empresas, que tem seus crimes “perdoados” pela prescrição de tempo.
Além disso, não se pune todos os envolvidos, que continuam participando de licitações e tendo apoio do governo do PSDB (envolvido na fraude e que não será sequer investigado).

Enquanto estes gigantes nada sofrem, o transporte público continua em estado de calamidade, como apresentado aqui, os trabalhadores do metro de São Paulo são obrigados a “canibalizar” os trens, retirando-os de circulação para desmontar e reutilizar as peças destes em outros trens. Esses trens retirados fazem falta para suprir a demanda cotidiana do transporte, como todo usuário pode sentir na pele. Esse processo faz parte de uma política consciente do governo em sucatear o que é público, possibilitando assim a privatização (mais uma vez, acarretando o acúmulo de capital para a os grandes empresários), como já apresentado aqui.




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