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Apesar do lucro líquido de 9,9 milhões, Correios mantém ataques à categoria

Segundo matéria da revista Exame, em balanço publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 01 de junho a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) apresentou um lucro líquido de R$ 9,9 milhões em 2014 e que nos últimos 5 anos houve aumento de 32% na receita nominal de vendas e de 33% na receita total.

quinta-feira 11 de junho de 2015| Edição do dia

Segundo matéria da revista Exame, em balanço publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 01 de junho a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) apresentou um lucro líquido de R$ 9,9 milhões em 2014 e que nos últimos 5 anos houve aumento de 32% na receita nominal de vendas e de 33% na receita total. Tal crescimento teve melhor desempenho no segmento encomendas/Sedex, o qual representa 33,9% da receita de vendas e teve crescimento de 9,4%, alcançando um montante de R$ 5,6 bilhões (dados da ata da reunião do conselho de administração).

Em matéria anterior, publicada no dia 27 de maio com o título “Manobra bilionária salva ECT de prejuízo”, a revista Valor Econômico apresentou a ECT como uma empresa que “vive uma acelerada deterioração financeira e operacional, que só não se transformou em prejuízo devido a mudanças contábeis de última hora”.

No dia 17 de março de 2015 o conselho de administração da ECT, com base no Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento, deliberou mudanças na contabilidade da empresa a fim de apresentar melhores resultados. Ainda segundo a revista Valor Econômico, “em entrevista, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, afirma que o conselho de administração apenas acatou uma determinação do Dest e do Tesouro Nacional, além de ter recebido aval da Previc, o órgão responsável por fiscalizar os fundos de pensão. A reversão liberou R$ 1,086 bilhão do balanço da ECT e influenciou positivamente o resultado. De acordo com Pinheiro, o entendimento é de que a estatal já quitou todas as contribuições devidas, nos últimos quatro anos, para cumprir integralmente com a sua parte no equacionamento do rombo do Postalis.”

Segundo nota da ECT de 27 de maio, publicada em seu blog oficial, “Diferentemente do que diz o Valor, a empresa vive um acelerado processo de revitalização de sua gestão e de seus processos operacionais” e que “os Correios tomaram as medidas necessárias para garantir o crescimento seguro e atualmente estão em uma posição sólida e ajustada para enfrentar um novo ciclo de crescimento nos próximos anos. Sem cortar empregos ou perder receita e, ainda, mantendo um serviço postal acessível e de qualidade.”

No entanto, como as trabalhadoras e trabalhadores podem confiar na contabilidade de empresas que negam a participação da categoria nas decisões de Conselhos deliberativos e reuniões? Já é sabido que as empresas dentro desta sociedade, sejam elas estatais, privadas ou mistas, seguem sendo um mar de obscuras negociações, beneficiamento individual ou de pequenos grupos e corrupção institucionalizada.

O que se pode tirar disso é que a partir de negociações da alta cúpula da empresa mudou-se os resultados, ou como disse Wagner Pinheiro: “influenciou positivamente o resultado”. Resta saber qual a finalidade dessas alterações.

Se a empresa está dizendo que não irá cortar empregos e que terão um crescimento seguro, por que Planos de Demissão Voluntária e de Incentivo à Demissão foram abertos? Por que há tempos não se contratam funcionários efetivos? Por que não se investe em infraestrutura? Porque as condições de trabalho da categoria estão de mal a pior? Por que tantos terceirizados (Mão de obra temporária) são contratados com baixos salários e praticamente sem direitos?

A única certeza que fica é a de que os ecetistas terão batalhas importantes pela frente contra a ECT, que tem prometido a abertura de concurso para temporários e não de efetivos, que significaria a institucionalização da precarização do trabalho e que pretende atacar a categoria enquanto canta vitória sob o lucro obtido do sangue e suor de guerreiras e guerreiros que mantém a empresa de pé até hoje.
De qualquer forma, se for coerente com os balanços apresentados, a ECT tem condições de conceder aumento real de salário, pagar uma PLR decente, e realizar as contratações necessárias. Mas todos os anos a ECT propagandeia lucros na mídia, como faz agora, mas em agosto, data-base da categoria, o discurso é sempre de crise. Não podemos ficar reféns desse discurso. A empresa precisa mostrar seus números, abrir a contabilidade. Se está em crise, ou se está lucrando, de qualquer modo se trata de decidir pra onde vai o lucro, ou de onde cortar gastos.

Para atender corretamente a população, e oferecer salário e condições de trabalho, a prioridade tem que ser contratação de efetivos imediatamente, e frente ao aumento do custo de vida, é necessário aumento real dos salários e benefícios. Por outro lado, os altos salários e benefícios concedidos a cúpula que administra a empresa só interessa a eles mesmos, é por aí que se deve cortar gastos. Assim como um político deve ganhar igual a uma professora, o alto escalão da empresa deveria receber o mesmo que a base, e ainda serem cargos eleitos pelos trabalhadores a partir do trabalho na empresa, e não pessoas que estão apenas interessadas em encher seus bolsos e indicadas através de favores políticos.

Considerando a situação do país, de ataques aos trabalhadores e crise política e econômica, não podemos encarar a campanha salarial deste ano de forma rotineira. Precisamos mostrar claramente o descontentamento e as demandas justas dos trabalhadores, e para isso é preciso desde já fazer discussões na base, em cada local de trabalho, preparando um plano de lutas. E não é possível manter a divisão na categoria, levada a cabo pelos sindicatos que compõe a FINDECT. É preciso um plano comum, com uma greve unificada pela base, com assembleias democráticas e por um programa comum que responda aos interesses dos trabalhadores, contra a privatização da empresa, por contratação, e por salários dignos.




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