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GOVERNO TEMER

Apesar da maioria votar em investigar Geddel, Comissão de Ética adia decisão

Maioria dos integrantes da Comissão de Ética Pública da Presidência da República votou a favor da abertura de um processo investigativo contra Geddel, para apurar a denúncia do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, mas, apesar disso, haverá adiamento da abertura oficial.

Rafaella Lafraia

São Paulo

segunda-feira 21 de novembro| Edição do dia

Nesta segunda-feira (21), cinco dos sete integrantes da Comissão de Ética Pública da Presidência da República votou a favor da abertura de um processo investigativo sobre a conduta do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, da denúncia do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero. Apesar da votação, haverá adiamento da abertura oficial do procedimento investigatório devido à solicitação de um pedido de vista (mais tempo para analisar o caso) de um dos integrantes da comissão.

A Comissão de Ética Pública é um órgão vinculado à Presidência que fiscaliza a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal e eventuais conflitos de interesse envolvendo integrantes do governo, mas o colegiado não tem poder para punir nenhum servidor público. Entretanto, como é um órgão consultivo do presidente da República, pode recomendar ao chefe do Executivo sanções a integrantes do governo, entre as quais demissão. Mas, até ontem o presidente Michel Temer havia negado a demissão do secretário.

O ex-ministro da cultura Calero denunciou que Geddel, um dos mais influentes ministros do governo Temer, teria lhe pressionado a reverter um parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que inviabilizava a continuidade de um empreendimento imobiliário de alto luxo em Salvador no qual Geddel tinha comprado um apartamento, como apresentado aqui.

Em denuncia há uma das grandes mídias burguesas, Calero afirmou que o empreendimento imobiliário – o condomínio La Vue, que começou a ser construído em 2015, tendo uma vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos e que seus imóveis tem valores que variam de R$ 2,6 milhões a R$ 4,5 milhões – foi embargado pela direção nacional do Iphan em razão de estar localizado em uma área tombada como patrimônio cultural da União, que está sujeita a regramento especial, pois causa impactos em cinco imóveis tombados que estariam na vizinhança do condomínio: o forte e farol de Santo Antônio, o forte de Santa Maria, o conjunto arquitetônico do Outeiro de Santo Antônio (que inclui o forte de São Diogo), além da própria Igreja de Santo Antônio. Ainda de acordo com a matéria, Marcelo Calero relatou que passou a ser pressionado pelo colega de ministério logo depois de assumir o comando da Cultura, em maio.

O Secretario de Governo admitiu ter conversado com o agora ex-ministro da Cultura sobre o embargo do Iphan a uma obra da iniciativa privada na capital baiana, mas negou que tenha feito pressão. Para Geddel, a conversa foi para reforçar a importância de uma obra que garante centenas de empregos.

Como já apresentado aqui Geddel Vieira Lima, teve inúmeras ligações temporárias com diferentes partidos, no qual foi parceiro de diferentes esquemas políticos, que conjuminaram em sua ascensão política e, concomitantemente, evolução patrimonial dos últimos anos.

O adiamento da decisão da comissão de ética escancara, ainda mais, que os acordos espúrios estão continuando com o governo de Temer e que desde sua consolidação tem-se marcado por escândalos. Além disso, com esta denúncia constata-se que todo corpo do governo golpista de Michel Temer é repleta de privilégios e que fazem inúmeras negociatas para manter seus próprios interesses e interesses de grandes empresas.




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