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Chamado | Aos militantes do PSOL: É preciso romper com o PSOL e sua política de apoio a uma chapa Lula-Alckmin

quinta-feira 24 de março | Edição do dia

Colocamos aqui algumas considerações diante da crise histórica que o PSOL vem passando. Em primeiro lugar, é preciso apontar que o governo de extrema-direita de Bolsonaro e Mourão foi resultado de uma ofensiva da direita e de várias instituições do regime para levar adiante um plano de ajustes mais duro do que o PT veio fazendo em seus governos. Para isso, lançaram mão do impeachment de Dilma Rousseff com um golpe institucional, que foi debate entre muitos setores da esquerda. Assim se abriu espaço para a extrema-direita contando também com a paralisia das centrais sindicais dirigidas pelo PT e PCdoB que não fizeram absolutamente nada contra esta ofensiva, contra as reformas e privatizações. Hoje a população e a classe trabalhadora sentem ainda mais nas suas costas a crise capitalista com inflação, fome e aumento dos preços dos alimentos e combustíveis. Mas justamente este mesmo regime político golpista, com o STF e o Congresso Nacional, reabilitou a figura de Lula para se candidatar e poder ser um estabilizador e administrador de toda essa obra econômica de ataques. Por isso, fazendo jus à conciliação petista e seu projeto de país subordinado ao agronegócio, às forças armadas, à bancada evangélica e ao poder judiciário, Lula agora está nas tratativas finais para encabeçar uma chapa presidencial com o ajustador e reacionário Geraldo Alckmin como vice.

Veja também: Crise histórica do PSOL: quais as lições e as perspectivas para a esquerda?

A maioria da direção do PSOL já declarou apoio irrestrito a Lula nas eleições desde o 1º turno, pediu para ser parte da coordenação de campanha e começa a se preparar para uma experiência ministerial em um eventual governo Lula, ainda que isso seja discussão de “bastidores”. A lógica do “mal-menor” virou uma estratégia para a direção do PSOL, algo que, como sabemos, não caiu do céu. Essa política se complementa com a mudança no caráter do PSOL, que passará a funcionar como um partido único - já que terá estatuto comum, e terá que atuar no Parlamento em comum, em base a um programa comum -, através da Federação com a Rede de Marina Silva, partido burguês financiado pelo Itaú que votou pelo golpe institucional, defendeu a prisão arbitrária de Lula, foi favorável à reforma da previdência em São Paulo, deu votos para a reforma da previdência nacional e é contra o direito ao aborto. Diante desta situação dramática em que a direção majoritária do PSOL está utilizando todo tipo de discurso e argumento para convencer seus militantes de que o correto agora é estar com Lula-Alckmin é preciso ter uma postura firme. Não há meio termo em política neste caso: ou se está embarcando com o repressor Alckmin e se unindo à Rede ou não se está.

Por isso, nos dirigimos especialmente aos militantes do PSOL que assinam a carta “PSOL na encruzilhada” com um claro chamado a que rompam com o PSOL e sejam parte da batalha por construir um polo de independência de classes nas eleições que seja uma alternativa à diluição do PSOL no projeto Lula-Alckmin. Um polo que tenha um programa para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, e não um programa com os capitalistas como será com Alckmin e com a política de conciliação petista. Um polo que busque atuar na luta de classes, batalhando contra a paralisia das burocracias sindicais que nos dividem e impedem que seja no terreno da luta o enfrentamento a Bolsonaro e Mourão. Um polo dentro do qual não cabem políticas de conciliação de classes no terreno nacional ou internacional. Consideramos que para isso devemos tomar como exemplo a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade na Argentina (FIT-U). É batalhando por este conteúdo que estamos fazendo parte do Polo Socialista e Revolucionário, e vamos utilizar a legenda democrática que o PSTU concedeu aos ativistas e organizações do Polo sem legalidade neste regime antidemocrático, para batalhar por esta agitação política também nas eleições.

Já não há nenhuma possibilidade de que dentro do PSOL se constitua algum outro rumo, e os trabalhadores e trabalhadoras, a juventude, os negros, mulheres e toda população pobre precisam ter uma alternativa de independência de classe. O que está se desenhando neste momento é a perspectiva de que milhares de pessoas e eleitores que viam no PSOL uma alternativa, apesar de todos os limites e problemas que nós do MRT viemos apontando, passem a se desmoralizar diante de tamanho giro à direita. Os militantes sinceros do PSOL, que apostavam em um projeto de esquerda, não suportarão a ideia de estarem na mesma trincheira de Geraldo Alckmin e Marina Silva, e justamente por isso têm uma grande responsabilidade neste momento. Parte das companheiras e dos companheiros que lançaram este Manifesto deram um passo importante de já se integrarem ao Polo Socialista e Revolucionário, porém é preciso um passo adiante, na medida em que seguir no PSOL num momento em que só avança o giro petista da direção para todo o partido, com uma falsa ilusão de disputa da candidatura Glauber Braga (que como argumentamos neste artigo tem um programa reformista e neodesenvolvimentista e não de independência de classe), só dará mais tempo para que o setor crítico à direção se enfraqueça e se desmoralize. É preciso uma política decidida de ruptura, dos setores organizados e todos os independentes e militantes do PSOL que estão vendo esse curso do partido de integração aberta a toda a política petista, e que construamos juntos um polo de independência de classe. Esse é nosso chamado aos que assinaram o Manifesto "PSOL na encruzilhada" e a toda a militância crítica a esse curso que o partido vem tomando.




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