Anastasia, amigo de Aécio, é o candidato do alto escalão do golpe em Minas Gerais

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

quinta-feira 16 de agosto| Edição do dia

Nas eleições de 2018 para o governo mineiro, Anastasia é o candidato do mais alto escalão do golpe e de quem os empresários podem esperar um governo para seguir mais profundamente no estado os ataques inaugurados pelo governo Temer. Amigo de Aécio Neves – ambos do PSDB – e relator do golpe no Senado em 2016, foi parte fundamental do avanço dos ataques contra os trabalhadores. Porém, sua história não começa no golpe, ela vem de mais longe, e carregada sempre de corrupção e duros ataques aos trabalhadores no estado de Minas Gerais.

Uma de suas promessas de campanha é a da aliança do próximo governo mineiro com o governo federal, estremecida com o golpe de 2016. Durante uma eleição em que a Lava Jato e o judiciário estão ditando as regras com a prisão arbitrária de Lula e sua inelegibilidade para poderem escolher mais facilmente o próximo presidente que seguirá os ataques do Temer desde a esfera federal, Anastasia mostra que se prepara para governar conforme os interesses golpistas.

Anastasia, desmonte da educação púbica e o histórico de ataques do PSDB aos direitos em MG

Para Anastasia não é suficiente o ajuste fiscal que o petista Fernando Pimentel já vem fazendo em Minas Gerais. Na boca do PSDB, que foi desde o início base do governo corrupto e golpista de Temer, a crítica ao atraso de salários em Minas Gerais não passa de demagogia. Eles defendem todas as reformas e privatizações de Temer que atacam os direitos trabalhistas, a saúde e a educação.

O ex-governador de MG começou seu mandato como vice de Aécio nas eleições de 2006, se tornou governador em março de 2010 quando Aécio renunciou, sendo reeleito no mesmo ano. Entretanto, renunciou ao cargo em 2014 para comandar o Plano de Governo do amigo Neves para Presidência, se candidatando também ao Senado e sendo eleito.

Anastasia deu seguimento ao modelo de governo de Aécio Neves com o Choque de Gestão que deixou um rombo nos cofres públicos e retirou direitos dos trabalhadores. Na educação, por exemplo, ficou conhecido por destruir a carreira dos trabalhadores com os subsídios e por precarizar ainda mais os contratos de trabalho com a Lei 100, que efetivou trabalhadores da educação sem os mesmos direitos que os trabalhadores concursados. Foi peça fundamental dos ataques à educação em Minas. Seu governo rendeu uma das maiores greves da educação no estado, em 2011. O ex-governador também era duro contra os trabalhadores em greve, corte de ponto e repressão foram outras marcas de seus governos.

De mãos dadas com a Lava Jato e com corruptos

Em 2014, quando Anastasia renunciava ao cargo de governador, o estado de MG registrava um déficit de 2,16 bilhões de Reais. Sua campanha ao Senado foi a mais cara do país, com gastos de 18,3 milhões. Entre os doadores de sua campanha milionária estavam várias empreiteiras – Andrade Gutierrez, UTC, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão – e, um dos detentores da dívida pública que funciona como um dos maiores mecanismos de saque nacional das riquezas do país, o banco BTG Pactual, que também estão envolvidos na Lava Jato.

Dias atrás, em nova delação premiada em que Aécio Neves é citado, Anastasia também se viu implicado. O executivo da Odebrecht, Sérgio Neves, que era o responsável pela empresa em Minas Gerais, disse que Aécio Neves, então senador, pediu dinheiro em 2010 para a campanha de Antonio Anastasia ao governo de Minas Gerais, que teria sido repassado por meio de caixa dois.

Anastasia também chegou a ser citado na "lista de Janot", divulgada em março de 2015 pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, incluindo o nome de 47 políticos citados por delatores na Operação Lava Jato. Uma mostra de como políticos envolvidos no golpe de 2016 e no suposto combate à corrupção estavam, assim como a própria Lava Jato, impulsionando, na verdade, o aprofundamento dos ataques aos trabalhadores.

Nessas eleições venha ser parte de uma força anticapitalista dos trabalhadores, contra a direita golpista

Anastasia não se contenta com essa nefasta história de ataques aos trabalhadores e alianças espúrias e corruptas. Hoje, como candidato ao governo de MG, Anastasia traz em sua biografia, além da corrupção e ataques aos trabalhadores, o vice, deputado da bancada ruralista, Marcos Montes. Na bagagem de amigos e aliados, o senador carrega Aécio e Zezé Perrella, do “helicoca”. Diga com quem tu andas e eu direi quem tu és! Contra essa direita golpista em Minas Gerais o PT já se mostrou incapaz de ser uma alternativa.

Ao contrário do que diz Anastasia sobre o ajuste de Pimentel em Minas Gerais, o problema não é a "má gestão", mas o lucro, subsídios e a impunidade das grandes empresas, como a bilionária Samarco/Vale/BHP. Ganância capitalista garantida também pela "responsabilidade fiscal" que Anastasia e todos os governos da direita sempre usaram para pagar a dívida pública como mecanismo de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e da população.

Contra as candidaturas da direita, denunciando o caráter restritivo dessas eleições e sem chamar o voto em nenhuma candidatura do PT, apresentamos pelo MRT nossas candidaturas anticapitalistas da classe trabalhadora.




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