Sociedade

AUMENTO DA PASSAGEM

Alckmin e Dória querem nos fazer pagar pelos lucros dos cartéis dos transportes

Daphnae Helena

Metroviária da estação Sé, economista e militante do grupo de mulheres Pão e Rosas

quinta-feira 28 de dezembro de 2017| Edição do dia

Privatização das linhas do Metro de SP, extinção da denúncia do MP-SP sobre os cartéis do transporte, denúncia de cartéis para a construção dos metrôs em diversas cidades do país e, por fim, aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem para 4 reais. Estas foram as notícias sobre o transporte público de São Paulo que circularam no mês de dezembro nas mídias do país. É a preparação da campanha eleitoral de 2018 e o setor de transporte está na mira para as alianças do PSDB com os empresários.

O governo Geraldo Alckmin e João Dória anunciaram hoje o aumento da passagem de ônibus, metrô e trem para 4 reais na cidade de São Paulo. A justificativa oferecida pelo secretário de transportes do município, Sérgio Avelleda, na semana passada, é de que este aumento será necessário para manter a capacidade de pagar o sistema. No mesmo dia da declaração, saiu na mídia a retomada para do edital de concessão das linhas 5-Lilás e 17-ouro do Metrô.

A licitação das linhas de Metrô havia sido suspensa em setembro por conta de uma denuncia de irregularidades do edital. No entanto, o TCE-SP autorizou o prosseguimento com o mesmo edital e o leilão está marcado para 19 de janeiro às 10h.

As linhas serão um verdadeiro presente para os empresários do transporte, pois serão entregues prontas para as empresas. Estas terão que oferecer um lance mínimo de 189,5 milhões de reais, valor que está muito longe do desembolsado pelo governo de SP. Além disso, as tarifas já serão preestabelecidas e não seguirão o sistema de tarifa do Estado, no mesmo modelo que ocorre hoje com a Linha 4 - Amarela do consórcio ViaQuatro, para a qual o governo paga 4,03 reais por passageiro. Como se não fosse o bastante, o consórcio vencedor também terá garantido um financiamento pelo BNDES para os investimentos obrigatórios e eventuais que terão que realizar, a ser pago daqui 20 anos.

Ou seja, a população irá pagar uma tarifa mais cara, enquanto as empresas privadas que administram a concessão terão a certeza do lucro a qualquer custo, mesmo se não houver passageiros, uma vez que o governo irá repassar a diferença. Além disso, qualquer investimento necessário que estas empresas tenham que realizar poderão buscar recursos públicos no BNDES com uma linha de crédito garantida.

Se não bastasse esse presente, o STJ também extinguiu a denuncia do Ministério Público de São Paulo contra a empresa Hyundai-Rotem pela participação de um cartel nos trens da CPTM em 2007. Esta denúncia veio a tona como parte do acordo de leniência da Siemens por conta do escândalo de corrupção do propinoduto. Na mesma semana também teve a denúncia do CADE a respeito da constituição de um cartel de atuação no ramo de transportes com grandes empresas nacionais e internacionais como Camargo Correa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e as já conhecidas Alstom e Siemens.

Resumindo: não falta dinheiro no setor de transporte para o bolso dos capitalistas. Cortam nossos empregos, diminuem nosso salário e querem que nós, trabalhadores, paguemos a conta da corrupção e dos acordos de políticos e empresários.

O governo e os capitalistas fazem suas cartadas para 2018. O governo de Dória lançou uma consulta pública para um edital de concessão de 20 anos para as linhas de ônibus. O governo Alckmin depois de correr para inaugurar a qualquer custo as estações de Metrô da Linha 5 - Lilás e retomar a licitação de concessão, também foi pedir financiamento de bilhões para o transporte.

Os trabalhadores também precisamos dar as nossas saídas. As medidas parlamentares, como a feita pelo deputado Alencar Braga do PT que resultou no adiamento da licitação, já mostraram que são totalmente insuficientes para que possamos de fato derrotar o projeto de privatização dos transportes. Esta estratégia só serve para que o PT continue pressionando no parlamento, mas por cima continuem fazendo as alianças necessárias para 2018 com os empresários. Enquanto isso, as principais centrais sindicais se negam a construir uma luta consequente contra os ataques que estamos sofrendo nos serviços públicos.

A CUT e a CTB fazem o jogo dos parlamentares, fomentando a passividade no movimento operário para depositar todas as fichas em Lula 2018. A Força Sindical e a UGT que apoiam o governo Temer e traíram a última greve geral são coniventes com lucros exorbitantes da patronal dos transportes. Em junho de 2013 a burocracia sindical teve uma política de separar a luta dos trabalhadores e da juventude.

A lembrança de junho de 2013 ainda faz tremer a burguesia. Mas 2013 também deixou uma lição de que não basta lutar apenas contra o aumento, é necessário uma saída de fundo, que questione esse sistema de transporte feito para atender o lucro dos empresários, isto só seria possível com um transporte estatal e controlado pelos trabalhadores e usuários.

Nesta semana, os rodoviários da grande Vitória no Espírito Santo entraram em greve, está aí um caminho para seguir num setor tão estratégico como os transportes, que mostrou a sua força neste último ano com as greves gerais. Uma saída radical só pode ser construída com a mobilização nas ruas e em cada local de trabalho e estudo, unificando trabalhadores do transporte, juventude e população podemos barrar o aumento do transporte.




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