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ABSURDO: Fundação da Faculdade de Odontologia da USP demite dezenas de trabalhadores durante pandemia

A FUNDECTO - Fundação privada administrada por Professores da Faculdade de Odontologia da USP - tomou uma medida absurda de demitir dezenas de pais e mães de família, muitos dos quais trabalham há mais de 20 anos na USP pela via desta Fundação. Após se apoiar na Medida Provisória 936 do governo Bolsonaro, suspender o contrato e reduzir o salário dos trabalhadores durante os meses mais críticos da pandemia, agora, quando as taxas de desemprego batem recordes e muitas famílias começam a sobreviver com a renda de um único membro ou parente, a FUNDECTO toma a decisão absurda de demitir vinte e um trabalhadores da nossa Faculdade.

segunda-feira 24 de agosto| Edição do dia

As Fundações são organizações privadas, que se formaram nas Universidades Públicas no início dos anos 2000. Elas nada mais são do que uma maneira fácil, sem riscos, que alguns professores - os mesmos que desde a redemocratização em 1989 vem sendo parte da direção dos órgãos colegiados e executivos da Universidade - descobriram que poderiam lucrar a partir da utilização do espaço físico, de recursos humanos e, muitas vezes, de insumos e maquinários da Universidade Pública, comprados com dinheiro público.

A maneira de fazer isso, no caso da FUNDECTO são, ao menos, duas: vender cursos de especialização para recém-formados nas Faculdades de Odontologia, se aproveitando, por um lado, da precarização do ensino superior ocasionado pela privatização, e por outro, da localização de responsáveis pelo currículo (por incluir, modificar ou retirar parte do seu conteúdo) que eles possuem na própria FOUSP. A outra é vender serviços de atendimento dentário à população, tendo como recursos humanos os próprios alunos dos cursos de especialização.

A terceira forma, mais escamoteada, é a partir do salário pago para os trabalhadores da Fundação (os mesmo que tiveram seus valores reduzidos nos últimos meses e que agora foram demitido!) que não chega nem perto do salário médio de um trabalhador efetivo da USP, mesmo trabalhando na mesma função e, às vezes, até mesmo prestando serviço diretamente para a FOUSP. Quanto menor for o salário destes trabalhadores, maior será o lucro que poderá ser dividido por aqueles que fundaram e que realmente administram a Fundação!

Agora, vemos se confirmar que não somente existe uma discriminação no salário, como também no direito destes trabalhadores. Enquanto os trabalhadores efetivos da Universidade de São Paulo - inclusive, mesmo também os professores que administram a Fundação - tiveram a garantia da liberação de todo o serviço não-essencial para cumprir a quarentena sem prejuízo do salário e benefícios, os trabalhadores da Fundação foram obrigados a amargar a redução salarial nos últimos meses com a promessa e que teriam seus empregos garantidos. Agora, mesmo depois de aceitarem esse sacrifício nos seus salários e direitos, são recebidos com a notícia da demissão e uma dúzia de promessas.

Promessas não garantem o aluguel da casa e as contas do mês. Promessas não garantem o alimento na boca dos filhos. Promessas não pagam as dívidas com o banco, os empréstimos e consignados. A Diretoria Atual - presidida pelo Prof. Dr. Atlas Edson - e o Conselho Curador - presidido pelo Prof. Dr. Dalton Luiz - em vez de cumprir com suas promessas e manter a garantia do emprego dos trabalhadores, joga no olho da rua dezenas de pais e mães de família!

E não é que a Fundação não tenha dinheiro para honrar com o salário dos seus trabalhadores, mas sim, porque está vendo a oportunidade de se aproveitar dessa situação de crise para manter e aumentar seus lucros. Foi com esse objetivo que decidiram por suspender o contrato de trabalho dos funcionários no início da pandemia, e assim, enquanto os trabalhadores amargavam a redução da sua renda mensal e a ansiedade da insegurança do emprego, a Fundação deixava de arcar com o salário dos trabalhadores por esse período, poupando dinheiro, na medida em que não tinha nenhum gasto com insumos e seguia mantendo a cobrança dos cursos pagos. Porque os cursos especializados seguem sendo cobrados dos estudantes, os implantes e serviços hospitalares mais lucrativos, de tratamento a longo prazo, já foram pagos pelos pacientes ou estão com suas parcelas religiosamente datadas. Ou seja, não existe prejuízo.

A Direção da Faculdade de Odontologia da USP, que é instituição pública da qual provêm todos os professores que administram essa crueldade contra os trabalhadores da Fundação, na figura do Prof. Dr. Rodney Garcia,se comprometeu no início dessa pandemia a não discriminar o tratamento destinado aos trabalhadores efetivos, dos demais trabalhadores terceirizados da unidade, e isso inclui os trabalhadores da Fundação. Neste sentido, é importante que a Direção da FOUSP envide esforços para impedir essa atitude absurda que seus colegas de cátedra estão tomando contra os trabalhadores da Fundação.

Adriano Favarin, trabalhador efetivo do setor da Pró-Aluno e representante dos trabalhadores da FOUSP junto ao Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) afirma que “no início da pandemia, quando a Fundação resolveu aplicar a MP do Bolsonaro, procurei um dos professores ligados à Diretoria da Fundação para apresentar o ponto de vista dos trabalhadores. Ele se comprometeu de que a Fundação iria cobrir todos os direitos e salário que fosse reduzido com a aplicação da MP e reforçou a promessa da garantia do emprego dos trabalhadores. Agora, vem com essa atitude absurda. Vamos buscar divulgar essa atitude vergonhosa nos boletins e redes sociais do Sindicato para que toda a comunidade USP saiba a desumanidade que se esconde por trás das Fundações privadas da USP, vamos reunir os trabalhadores efetivos para discutir medidas a tomar e vamos pedir uma audiência com o Professor Rodney, Diretor da FOUSP, para que ele se posicione diante disso, para que a Diretoria da Fundação reveja essa postura.”




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