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A ingerência imperialista na Venezuela no discurso de Trump ante o Congresso

Seu discurso deu seguimento a ofensiva golpista na Venezuela sob o lema “defender a liberdade do povo venezuelano”. Além disso, se referiu a relação com a China e a Rússia, e voltou a atacar os imigrantes. Agora, o misógino Trump diz que os estadunidenses tem que estar “orgulhosos” das mulheres trabalhadoras.

quarta-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Seu discurso deu seguimento a ofensiva golpista na Venezuela sob o lema “defender a liberdade do povo venezuelano”. Além disso, se referiu a relação com a China e a Rússia, e voltou a atacar os imigrantes. Agora, o misógino Trump diz que os estadunidenses tem que estar “orgulhosos” das mulheres trabalhadoras.

Donald Trump se pronunciou nessa terça (5/02) ente o congresso seu discurso sobre a situação do país, num espetáculo político que reúne a todos os altos cargos dos Estados Unidos. No discurso, não perdeu uma oportunidade para continuar com sua ofensiva golpista na Venezuela.

Durante o discurso marcado pela exaltação ao patriotismo, eixo de sua campanha eleitoral, não perdeu oportunidade de continuar sua ingerência imperialista na Venezuela, afim de promover um golpe contra esse país e reconhecer seu fantoche, Juan Guaidó, como presidente venezuelano. “Condenamos a brutalidade do regime de Nicolás Maduro, cujas políticas socialistas converteram essa nação, de ser a mais rica da América do Sul, em um estado de pobreza extrema e desespero”, pobreza que, em grande parte responde a relação histórica de exploração de Washington com a América Latina, e que com as sanções econômicas impostas pelo seu governo, se agudizarão.

A partir do apoio declarado das potencias imperialistas europeias ao golpismo estadunidense na Venezuela sob o discurso da “ajuda humanitária”, Trump também utilizou o nível de pobreza em que esta está afundando o povo venezuelano para fortalecer a ofensiva imperialista na região.

“Estamos do lado do povo venezuelano na sua nobre luta pela liberdade”, disse Trump, liberdade que sua política de ingerência viola sistematicamente. E agregou sobre o socialismo que supõe ter sido aplicado na Venezuela: “aqui, nos Estados Unidos, estamos alarmados pelas tentativas de adotar o socialismo no nosso país”, em referencia a Bernie Sanders, que tentou postular uma visão alternativa ao imperialismo nacionalista de Trump, mas que está longe de se opor com uma alternativa realmente pela esquerda. “Estados Unidos jamais será um país socialista”, sentenciou.

Guerra comercial com a China e a negociação com a Rússia

Por outro lado, um dos temas centrais foi a guerra comercial desatada entre Estados Unidos e China, que agora tentam baixar a tensão entre ambos após a imposição de tarifas por parte de Washington as importações chinesas.

Mas sua intervenção sobre a China foi muito “dialogada”, a não ser pelos termos que utilizou como roubo, usurpação e ataques para se referir a atitude do país asiático. “Estamos trabalhando para deixar claro a China que, depois de ataques a nossa indústria e de usurpar nossa propriedade intelectual, o roubo de trabalhos e riqueza estadunidenses chegaram ao seu fim”.

Também se referiu a relação norte-americana com a Coreia do Norte, indicando que “Se não tivesse sido eleito presidente dos Estados Unidos, agora mesmo, na minha opinião, estaríamos em uma guerra enorme com a Coréia do Norte, com milhões de pessoas potencialmente assassinadas”.

Ao se referir a Rússia, Trump, depois de iniciar no sábado passado a saída do tratado Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário* (INF) com a Rússia, na tentativa de eliminar todos os misseis nucleares e convencionais de curto e médio alcance das duas potencias, colocou que “talvez possamos negociar um acordo nuclear diferente adicionando a China e outro, ou talvez não. Neste caso, investiremos e inovaremos mais que todos os demais”.

Trump contra as mulheres e os imigrantes

O discurso de Trump se deu no marco de uma entrada em cena realizada pelas mulheres democratas que foram vestidas de branco ao congresso. As mulheres do partido democrata da câmara baixa decidiram vestir essa cor para destacar o poder feminino no Capitólio depois das eleições legislativas de novembro passado e para comemorar o acesso ao voto das mulheres, conquistado em 1920 nos EUA. A respeito, Trump destacou que “Todos os estadunidenses devem estar orgulhosos de ter mais trabalhadoras mulheres do que nunca. E, exatamente um século depois de que o Congresso ter aprovado a emenda que dá direito de voto as mulheres, também temos um número maior de mulheres que servem ao Congresso”. No entanto, já é conhecida sua postura fortemente machista e misógina contra as mulheres, a qual considera quase meros objetos decorativos.

E como não poderia ser de outra forma, os imigrantes foram novamente objeto de ataque por parte de Trump e voltou a colocar que vai construir o muro fronteiriço com o México. “Ano após ano inumeráveis estadunidenses são assassinados por estrangeiros ilegais criminosos”. Sua política de “tolerância zero” funciona desde abril passado, quando suas autoridades começaram a processar criminalmente aos adultos que chegavam irregularmente ao país, separou 3.000 menores de seus pais e gerou repúdio internacional, que via imagens desoladoras de meninos e meninas chorando separados de seus pais.

*Tratado entre EUA e Rússia que perdura desde a União Soviética, em 1987.




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