MEIO AMBIENTE

A boiada passando: desregulamentação de leis ambientais durante a pandemia

quinta-feira 30 de julho| Edição do dia

Durante a pandemia do coronavírus, o governo acelerou a aprovação de leis contra o meio ambiente, e a “boiada” de Ricardo Salles (Ministro do Meio Ambiente), com as desregulamentações de leis na região amazônica, realmente, está passando.

Em pesquisa realizada pelo jornal Folha de S.Paulo, contabilizou-se que, de março a maio de 2020, foram publicadas 195 atos no Diário Oficial – entre portarias, normativas e decretos – relacionados ao meio ambiente. No mesmo período do ano passado, foram publicados 16, o que significa 12 vezes mais este ano.

Como já estávamos apontando no Esquerda Diário, esses ataques ao meio ambiente estão se intensificando com o governo Bolsonaro, em particular durante a pandemia. Só durante o mês de junho, a Amazônia registrou a maior queimada em 13 anos. Após a divulgação desses dados pelo INPE, Bolsonaro demitiu, no último dia 13, a coordenadora do instituto, deixando cada vez mais evidente o seu caráter autoritário e anticiência.

Todas esses ataques ao meio ambiente acontecem também em consonância com o agronegócio, com uma economia praticamente voltada à exportação de grãos, como também para a criação de gado. É alarmante que, em 30 anos, a região daPan- Amazônica perdeu o equivalente ao território do Chile, enquanto o agronegócio, nesta região no mesmo período, cresceu 172%.

Além dos problemas envolvendo a flora e a fauna, as queimadas e o desmatamento implicam diretamente na vida da população da região, em especial dos povos indígenas e quilombolas. No estado de Mato Grosso, a medida editada pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em abril, permitiu a ocupação de terras indígenas, passando o trator em suas aldeias, em sua cultura e modo de vida.

A proteção às florestas também tem relação direta com o combate a diversos vírus. Como mostra a nota divulgada pelo O Globo, as doenças infecciosas estão diretamente relacionadas a desequilíbrios ambientais, com o aumento dos contágios em locais de aglomeração humana e animal. Pesquisadores já encontraram diversos coronavírus que podem sofrer mutações e se proliferar, tanto na Amazônia, como na Mata Atlântica.

Contudo, não basta apenas o discurso vazio de proteção ambiental, pregando um “capitalismo sustentável” que não destrua “tanto” o meio ambiente. A luta pelo meio ambiente é também uma luta das trabalhadoras e trabalhadores pela saúde pública, pelo controle de doenças, por uma alimentação saudável e adequada e por condições dignas de vida, em especial dos povos indígenas e quilombolas, que vivem em áreas de proteção ambiental.




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