Política

DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES

Esquerda latinoamericana se manifestará contra o golpe no Brasil e os ajustes na América Latina

O PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, organização irmã do MRT), parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores da Argentina, cuja chapa presidencial encabeçada por Nicolás Del Caño e Myriam Bregman recebeu 800 mil votos e mais de 1 milhão para deputados, convoca o Dia Internacional dos Trabalhadores com um claro eixo de combate ao avanço da direita na América do Sul: contra o golpe no Brasil e os ajustes de Macri e dos governadores.

André Acier

Natal | @AcierAndy

quinta-feira 28 de abril de 2016| Edição do dia

Neste 30 de março se realizará o ato internacionalista dos trabalhadores convocado pelo PTS em frente à embaixada brasileira em Buenos Aires. As organizações que compõem a Fração Trotskista – Quarta Internacional no México, no Chile, na Bolívia, na Venezuela e no Uruguai também participarão dos atos em cada um dos países exercendo o internacionalismo operário contra o golpe no Brasil.

Esta posição política independente e de repúdio ao golpe institucional da direita no Brasil divide águas não apenas em nosso país. O Partido Obrero (PO) e a IS (Esquerda Socialista), organizações integrantes da FIT, decidiram não participar do maior ato fora das fronteiras brasileiras em rechaço ao golpe da direita. A IS diretamente acredita que “falar em golpe no Brasil é justificar a continuidade dos planos de ajuste”, numa posição idêntica a de sua organização irmã no Brasil, a CST (corrente interna do PSOL) e ao PSTU, cuja política funciona como portavoz na esquerda do golpismo da direita mais reacionária vinculada à FIESP e à Rede Globo. O PO, por sua vez, apesar de concordar que “trata-se de um golpe” e que segundo Jorge Altamira "abre uma etapa de golpes na América Latina", aceitou o veto da IS com um argumento contrário a qualquer internacionalismo: “Não é um ato sobre o Brasil, mas sobre o 1º de maio”. Tanto o PO quanto a IS, que farão o ato no domingo, silenciarão o combate obrigatório a qualquer organização que se reivindica de esquerda e internacionalista contra o golpe no Brasil.

O PT de Lula e Dilma, assumindo os métodos corruptos de governo dos capitalistas, aplicando ajustes e imobilizando a luta dos trabalhadores e da juventude, abriu caminho ao fortalecimento da direita, que busca aplicar ataques mais duros do que os que já vinham sendo aplicados pelo PT. “Não enfrentar este golpe este golpe é o mesmo erro que apoiar as patronais agrárias como fez o MST [organização irmã do MES, corrente de Luciana Genro no PSOL]. É inadmissível para uma corrente internacionalista como somos, em um ato internacionalista, não repudiar o golpe no Brasil”, disse Christian Castillo, dirigente do PTS.

Longe de considerar os acontecimentos no Brasil como algo longínquo, desde o PTS e da Fração Trotskista consideramos que este golpe institucional se transformou em um dos fatos político-sociais mais importantes a nível latinoamericano e internacional. O objetivo é aprofundar ainda mais o ajuste e a entrega de recursos estratégicos como a Petrobrás. Se este golpe se consolida e passa o novo ajuste que preparam, seria um claro retrocesso para todos os trabalhadores e povos da América Latina. Hoje temos uma disputa chave em que a classe trabalhadora e a juventude na América Latina tem de estreitar laços e fortalecer a luta para que a crise dos governos posneoliberais não seja capitalizada pela direita. Nos opomos a este avanço reacionário da direita, sem deixar de enfrentar contundentemente os ataques do governo do PT”, disse Nicolás Del Caño. “Por isso consideramos que no marco deste 1º de maio é de primeira ordem levantar a bandeira de luta contra o golpe no Brasil e os ajustes na América Latina”.

Os trabalhadores e o povo não temos fronteiras quando temos de enfrentar o imperialismo e seus sócios capitalistas. Lutar contra o golpe no Brasil é inseparável da luta contra os ajustes de Macri e dos governadores kirchneristas na Argentina. Se triunfa o golpe institucional no Brasil, se fortalecerão Macri e a direita em nosso subcontinente, e vão querer vir por mais ataques. Neste Dia Internacional dos Trabalhadores estaremos em luta pela unidade da esquerda latinoamericana contra o golpe no Brasil e os ajustes de Macri e dos governadores”, completou Myriam Bregman, deputada de Buenos Aires pela FIT, que nesta quarta-feira pediu ao Congresso argentino que se pronunciasse contra o golpe no Brasil.

O ato operário, socialista e internacionalista convocado pelo PTS ocorrerá em Buenos Aires e nas cidades mais importantes do país, como Rosario, Jujuy, Córdoba e outras mais, com a presença de trabalhadores e jovens do MRT. Na capital, o ato contará com o companheiro Claudionor Brandão, demitido político da USP e diretor do SINTUSP.

No Chile, a corrente operária Alternativa Obrera, ligada ao PTR (Partido dos Trabalhadores Revolucionários), marchará em diversos pontos do país para expressar a firme solidariedade aos irmãos de classe no Brasil, contra o golpe e os ataques do governo de Bachelet e do PC e pela educação gratuita. No México, o MTS (Movimento dos Trabalhadores Socialistas) que conquistou legalidade na Cidade do México e disputará a Assembleia Constituinte, se manifestará na capital federal contra o golpe no Brasil e as reformas neoliberais de Peña Nieto. Na Bolívia, a LOR-CI (Liga Operária Revolucionária) marchará junto aos mineiros que enfrentam as demissões organizadas pela patronal com o apoio de Evo Morales e do MAS, e que seguem perseguidos pela burocracia sindical depois de tentar lançar com 1300 delegados no distrito de Huanuni um instrumento político independente dos trabalhadores, o Partido dos Trabalhadores, para repudiar o golpe no Brasil e os ajustes de Evo. Na Venezuela, que está atravessada por dura crise econômica e energética em função do governo capitalista de Maduro, a LTS (Liga dos Trabalhadores Socialistas) estará nas ruas também em repúdio ao avanço da direita no Brasil e na Venezuela e contra os ajustes chavistas.

O declínio de todo o ‘processo’ de governos nacionalistas ou centroesquerdistas e o cenário de lutas e choques abertos entre as classes que se vislumbra no próximo período em países como Brasil e Argentina obriga a esquerda revolucionária a ter um posicionamento e uma intervenção comum.

É desta maneira que a Fração Trotskista expressará com força o internacionalismo operário em nosso subcontinente, estreitando laços entre trabalhadores, as mulheres e a juventude contra o golpismo da direita no Brasil e os ajustes na América Latina.




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