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Viernes 27 de Noviembre de 2020
00:39 hs.

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JUVENTUDE ANTICAPITALISTA
Construir uma nova juventude anticapitalista e revolucionária
Isabel Inês
São Paulo

Andando pelas cidades paira insatisfação e descontentamento, seja nas pichações nos muros, nas conversas nos ônibus, nas salas de aula, existe o sentimento de o que existe hoje não pode continuar, o estado de espírito das pessoas não se enquadra mais na rotina, e seus anseios vêm se chocando com uma realidade de crise, cortes orçamentários, precarização das questões sociais. Muitos setores da esquerda estão para trás desta realidade, enquanto os jovens falam em revolução, só conseguem oferecer centros acadêmicos rotineiros e medidas que não rompem a lógica da miséria do “possível”. Mas a juventude pode muito mais.

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Por que a juventude entusiasmou tanto

A batalha contra o fechamento de escolas em SP e contra a privatização do ensino público em Goiás, conseguiu se ligar com esse sentimento de descontentamento apontando a um questionamento à política do regime. E os secundaristas só conseguiram vencer justamente porque romperam a rotina puramente sindical, fizeram política para se ligar à população e usaram das medidas mais originais e combativas para vencer.

Enquanto gritavam “não tem arrego” herdado da luta dos garis do Rio de Janeiro, não por acaso luta que também rompeu os estreitos laços da burocracia sindical, os secundas apontam uma tendência para a juventude em todo o Brasil. Como continuidade de junho, essa juventude contestou as representações tradicionais, o que a coloca em enfrentamento direto com o "modo petista" e suas entidades burocráticas, como a UNE, UMES e UBES. Seu potencial explosivo e a dificuldade de contenção das burocracias estudantis somada a uma repulsa a rotina e a vontade do combate, faz dos movimentos de juventude os mais dotados de independência frente ao PT e à direita.

Romper com as burocracias é parte de romper com a separação da pauta imediata com a grande política, é o que coloca medo nas elites, a possibilidades dos jovens e trabalhadores quererem ser eles próprios sujeitos da política, sobre como resolver a crise, o caos na saúde, educação, transporte. No movimento operário, há grandes centrais sindicais, como CUT e CTB, possibilitando ao petismo ter mais êxito em conter as lutas, ainda que com dificuldades, já vimos greves selvagens na construção civil em 2011 e 2012, garis em 2014, 2015 o ano com mais greves e 2016 já começou com greves de terceirizados e ocupação de fabrica na MABE.

A juventude atua como “caixa de ressonância” dos grande conflitos operários que ainda estão por vir, ou seja, antecipam e conseguem amplificar suas demandas, mostrando uma aliança poderosa. Há uma série de exemplos históricos onde a juventude antecipou a entrada em cena dos trabalhadores, maio de 68 francês é o mais emblemático, e desse espírito vemos um pouco no Brasil.

Mudar o mundo, mudar a vida

Estava pichado no muro: “Tudo é mágico, até virar rotina”. O inverso aqui é verdadeiro, sem rotina tudo é paixão, por isso em todos momentos de crise a quebra de rotina se expressa também na alma, e a juventude nesse caso é a mais sensível. Há décadas não víamos com tanta força o questionamento à opressão, com movimentos de mulheres e LGBTs, colocando a questão da liberdade. As denúncias em relação ao racismo e a violência policial.

Recentemente a dança de Lucy realizada no Acampamento Anticapitalista da Juventude as Ruas, foi atacada por direitistas, e impulsionou uma grande campanha nas redes pela #esquerdaarcoires. Uma simples dança incomodou porque ela carregava em si o enfrentamento com a moral capitalista. O capitalismo para sustentar sua exploração sob os trabalhadores, e manter o que é claramente absurdo, em que 62 bilionários concentram a mesma riqueza que todo o restante da humanidade, usa também dessa moral.

O combate ao regime, a liberdade sexual e rompimento com a rotina sindical são base de um sentimento anti capitalista que começa a se expressar. O movimento de secundaristas a emergir como sujeito político avançou no questionamento ao regime abrindo espaço para esse sentimento anticapitalista, contudo suas demandas, contra o fechamento das escolas, e mesmo a pauta dos transportes em junho de 2013, ainda são pautas reformistas. Para avançar e resolver não só os problemas do mundo, mas da vida, é preciso que essas pautas levem à conclusão de que é preciso acabar com o estado capitalista.

Existem algumas tendências que se colocam como anticapitalistas, mas acabam não rompendo o âmbito de exigir um capitalismo mais humano. O autonomismo que ressurgiu com o 15M espanhol, parte do primeiro levante de juventude após a primavera árabe, sua expressão no Brasil mais conhecida no MPL (Movimento Passe Livre), usa de métodos radicais, mas mantém demandas políticas reformistas. Também na esquerda, correntes do PSOL como RUA, fala em anticapitalismo, mas é incapaz de romper o marco sindical.

Nós queremos construir uma juventude anticapitalista e revolucionária, que veja nos trabalhadores um aliado fundamental, que compartilhamos a mesma estratégia da vontade de acabar com a miséria e a exploração.

A esquerda no Brasil é inundada pelo que podemos chamar de lógica petista de militar, ou seja, anos de aptação ao governo, atuando de forma burocrática e muitas vezes como freio das lutas. Parte do destempo que vemos na juventude universitária em relação a secundaristas, é responsabilidade das direções governistas principalmente, mas também da esquerda que não consegue apontar uma saída independente. Hoje a esquerda, PSOL e PSTU, dirige importantes entidades pelo país, contudo pouco ouvirmos falar delas, isso significa que a juventude universitária está despolitizada? Pelo contrário, nas recentes eleições estudantis, na maior universidade do país, vimos um fenômeno de reorganização estudantil com chapas mais a esquerda ganhando.

Essa politização só não foi para a ação ano passado, pela rotina da esquerda, passamos por crise no FIES, greve das federais, uma série de processos que poderiam ter mudado a correlação de forças na luta contra os cortes do governo Dilma. Nós da Juventude às Ruas estamos junto a estudantes independentes nas gestões do CAELL e CAPPF – USP, na minoritária do CACH – Unicamp, no serviço social da UERJ e na filosofia UFMG, e queremos construir uma nova tradição de movimento estudantil, contra a lógica autonomista anti-entidades, que igualam todas as entidades como burocráticas, e acabam não travando luta política contra as entidades do governo, e também romper com o sindicalismo e rotineirismo da esquerda, que terminam construindo a passividade entre a juventude mantendo as lutas sempre num marco corporativo. Nós queremos construir um movimento estudantil com grandes objetivos.

Estamos colocando nossas entidades a serviço das lutas, junto ao trabalhadores e com os secundaristas, nas calouradas chamamos os secundaristas para um grande movimento em defesa da educação, também estamos chamando uma grande campanha de apoio aos trabalhadores ocupados da MABE e contra as demissões na GM.

Nós da Juventude as Ruas, queremos construir uma nova juventude anticapitalista e revolucionária, e fazemos o convite a todos os jovens que querem transformar sua insatisfação em organização contra esse estado de miséria.

 
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